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Candidatos nas eleições 2026 somam R$ 120 milhões em multas ambientais pendentes

Serralherias foram fechadas por irregularidades no Pará. Fiscalização foi em toda a cadeia produtiva da madeira Ibama Levantamento da Associação Nacional dos Servidores de Carreira de Especialista em Meio Ambiente e PECMA (Ascema Nacional) identificou 101 candidatos nas eleições gerais de 2026 que acumulam multas ambientais aplicadas nos últimos dez anos pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente

Por Redação Publicado em 27 de setembro de 2026 às 00:00 6 min de leitura

Conteúdo de G1 — ler no site de origem

Candidatos nas eleições 2026 somam R$ 120 milhões em multas ambientais pendentes
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Serralherias foram fechadas por irregularidades no Pará. Fiscalização foi em toda a cadeia produtiva da madeira

Ibama

Levantamento da Associação Nacional dos Servidores de Carreira de Especialista em Meio Ambiente e PECMA (Ascema Nacional) identificou 101 candidatos nas eleições gerais de 2026 que acumulam multas ambientais aplicadas nos últimos dez anos pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Juntas, as autuações somam aproximadamente R$ 120 milhões, distribuídos em 190 processos administrativos abertos entre 2017 e 2026.

🔎 A existência de uma multa na base de dados não significa necessariamente que o débito seja definitivo ou esteja em fase de cobrança. Como os processos estão em diferentes etapas administrativas, parte dos autuados ainda pode apresentar defesa ou recurso.

A maior parte das multas está classificada como “para homologação/prazo de defesa”. Nessa fase, o autuado ainda pode apresentar defesa antes de a multa se tornar definitivamente exigível. Há ainda casos em análise de defesa ou recurso, pendentes de pagamento, e processos já encaminhados para inscrição em dívida ativa.

Segundo Wallace Lopes, representante da Ascema Nacional, o processo da multa ambiental começa quando o fiscal lavra o auto de infração, registrando a irregularidade e as provas. O autuado é notificado e pode apresentar defesa, que é avaliada pela administração, podendo haver pedido de mais informações. Depois vem o julgamento em primeira instância e, se houver recurso, uma segunda análise.

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Perfil dos multados

O perfil predominante entre os candidatos com multas em aberto nos registros do Ibama é o de homens ligados ao agronegócio e a atividades empresariais, especialmente em municípios da Amazônia Legal e do chamado arco do desmatamento.

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Entre os 101 candidatos identificados, a ocupação mais declarada ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) é a de empresário, com 25 nomes. Na sequência aparecem produtor agropecuário (9), deputado (9), agricultor (8) e médico (7).

A maioria dos nomes concorre a vagas no Legislativo estadual e federal: 49 candidatos a deputado estadual (101 autos, R$ 103,9 milhões)

39 candidatos a deputado federal (71 autos, R$ 10,4 milhões)

6 candidatos ao Senado (8 autos, R$ 3,2 milhões)

3 segundos suplentes (4 autos, R$ 314 mil)

2 primeiros suplentes (4 autos, R$ 1,5 milhão)

1 candidato a governador (1 auto, R$ 1,4 milhão)

1 candidato a vice-governador (1 auto, R$ 29,8 mil)

Por partido, o PL lidera em número de candidatos autuados no período (22, com 38 autos e R$ 14,2 milhões), seguido por Podemos (12 candidatos, 22 autos, R$ 3,1 milhões), PSD (9, 14 autos, R$ 762 mil), União (8, 21 autos, R$ 3,76 milhões) e MDB (7, 13 autos, R$ 2,8 milhões). O Republicanos, com 5 candidatos, aparece com o terceiro maior valor entre os principais partidos: R$ 9,3 milhões em 17 autos.

Amazônia Legal concentra os maiores valores de multas e de candidatos

Os candidatos identificados pelo levantamento disputam eleições em 26 unidades da Federação. Dos 101 candidatos, 53 concorrem a cargos em estados que integram a Amazônia Legal.

As multas também se concentram nestes estados: 117 dos autos levantados foram de infrações cometidas no bioma.

No recorte por estado, o Pará lidera isoladamente, com R$ 77 milhões em multas pendentes por infrações cometidas no estado, quase 5 vezes mais que o valor somado por Amazonas (R$ 9,7 milhões) e Mato Grosso (R$ 5,8 milhões), a segunda e a terceira colocações.

O tipo de infração mais recorrente é relacionado à flora, categoria que inclui desmatamento e degradação florestal. São 119 autuações desse tipo. Na sequência, entre os motivos mais frequentes, aparecem infrações classificadas como fauna (15) e administração ambiental (13).

Agentes do Ibama durante fiscalização em área de desova de tartarugas no norte de Goiás. Operação apreendeu pescado ilegal, embarcações e aplicou multas por crimes ambientais

Reprodução/TV Anhanguera

Casos concentrados

Um pequeno grupo de candidatos concentra parte expressiva do valor total. Os dois nomes com maiores somas de multas pendentes respondem sozinhos por mais de R$ 78 milhões — cerca de 64% do total levantado. Na sequência aparece um candidato a deputado estadual pelo Amazonas, com R$ 8,1 milhões em autuações.

VEJA TAMBÉM: Quem são os candidatos que acumulam multas ambientais milionárias

Também há repetição de nomes na lista: 37 candidatos possuem mais de uma multa em aberto. Um deles aparece em 12 processos distintos.

Gargalos na análise de multas ambientais fazem processos se arrastarem por anos

Embora o auto de infração seja o instrumento utilizado pelos órgãos ambientais para registrar uma irregularidade, a emissão da multa representa apenas o início de um longo processo administrativo. Segundo Cristiane Mazzetti, coordenadora da frente de Desmatamento Zero do Greenpeace Brasil, os processos administrativos ambientais apresentam gargalos, como a demora na tramitação e no julgamento dos recursos, além da capacidade operacional dos órgãos para lidar com tantos casos. "Quando apenas a multa é aplicada, a morosidade dos processos, aliada aos ganhos da prática ilegal, favorecem a reincidência. Para fechar essa lacuna é indispensável agilizar os trâmites processuais e fortalecer a capacidade operacional do Ibama", diz a coordenadora. Para Lopes, esse é um dos principais desafios dos órgãos ambientais: uma maior capacidade de fiscalizar as infrações do que na análise e julgamento das infrações. "Por isso, vemos muitos autos lavrados, mas uma capacidade limitada de concluir os processos", explica.

De acordo com o analista, ações judiciais para questionar autuações ambientais são frequentes, especialmente em processos de alto valor. "É uma estratégia comum prolongar o máximo possível a discussão judicial. Enquanto não há pagamento, o recurso financeiro continua disponível para quem foi autuado".

A maior multa do levantamento, de R$ 50 milhões, é um exemplo disso: atualmente ela está com exigibilidade suspensa. "Esse status indica que há uma discussão judicial em andamento e que a cobrança administrativa foi suspensa por determinação da Justiça. Enquanto essa discussão ocorre, o autuado deixa de sofrer algumas restrições administrativas. Em muitos casos, pode continuar obtendo crédito, contratando com o poder público e exercendo suas atividades normalmente até a conclusão definitiva do processo", explica o analista ambiental.

Como foi feito o levantamento

A análise consolidou 190 registros de autuações ambientais do Ibama e ICMBio levantados pela Ascema Nacional vinculados a candidatos das eleições de 2026. Os registros foram agrupados pelo CPF do autuado para evitar a duplicação de pessoas que aparecem em diferentes processos.

A Ascema manteve apenas autos sem indicação de cancelamento ou anulação na fonte original, e o recorte deste levantamento considerou exclusivamente autuações com data a partir de 1º de janeiro de 2017. As fontes são os dados abertos do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) (candidaturas de 2026), do Ibama e do ICMBio (autos de infração).

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