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Cartas de pai para filho escritas há 50 anos viram livro e revelam a Amazônia de 1970

Kamila Andrade/G1 Cartas escritas há mais de cinco décadas para manter vivo o vínculo entre um pai e um filho, separados pela distância entre Santarém e Belém, agora ganham as páginas de um livro. A obra "Cartas de meu pai", escrita pelo engenheiro e historiador Cristovam Sena, será lançada nesta sexta-feira (2), às 19h30, na Casa da Amizade, em Santarém, no oeste do Pará. O livro reúne as corresp

Por Redação Publicado em 1 de outubro de 2026 às 17:05 3 min de leitura

Conteúdo de G1 — ler no site de origem

Cartas de pai para filho escritas há 50 anos viram livro e revelam a Amazônia de 1970
Publicado originalmente por [fonte]

Kamila Andrade/G1

Cartas escritas há mais de cinco décadas para manter vivo o vínculo entre um pai e um filho, separados pela distância entre Santarém e Belém, agora ganham as páginas de um livro. A obra "Cartas de meu pai", escrita pelo engenheiro e historiador Cristovam Sena, será lançada nesta sexta-feira (2), às 19h30, na Casa da Amizade, em Santarém, no oeste do Pará.

O livro reúne as correspondências enviadas pelo alfaiate Boanerges Sena ao filho Cristovam entre 1969 e 1974, período em que o jovem deixou a terra natal para estudar e trabalhar na capital paraense. Naquela época, sem internet ou telefonia de fácil acesso, a comunicação na Amazônia era um desafio diário vencido pela persistência.

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Para mandar notícias, as famílias dependiam de cartas enviadas por meio de viajantes em barcos, recados transmitidos por programas de rádio ou encomendas entregues por conhecidos. É nesse cenário de isolamento que as cartas de Boanerges ganham valor histórico e afetivo.

Mais do que relatar a rotina familiar em Santarém, as mensagens trazem conselhos de saúde, cobranças de estudo, planejamento financeiro e demonstrações de carinho. As cartas também registram o orgulho do pai ao acompanhar momentos marcantes da vida do filho em Belém, como sua contratação para jogar futebol pelo Paysandu e a aprovação no vestibular da universidade.

"Cuida do teu joelho", aconselhava o pai em um dos trechos. Em outro, incentivava o jovem a olhar para o futuro: "Cuida da tua economia e estabelece um plano de vida".

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Preservação da memória

Boanerges Sena era um conhecido alfaiate em Santarém, famoso pela confecção de batinas e ternos, além de ser um homem muito ligado aos livros, ao futebol e à igreja. Ele morreu em 1974.

Anos mais tarde, para homenagear o pai e preservar a história local, Cristovam criou o Instituto Cultural Boanerges Sena (ICBS), entidade que mantém uma biblioteca comunitária e atua na publicação de obras de interesse cultural e social na região.

As orelhas do livro são assinadas pelo jornalista e cronista santareno Rosélio da Costa Silva. Para ele, as correspondências ultrapassam a relação familiar íntima e funcionam como um importante documento histórico sobre o cotidiano e o modo de vida na Amazônia na década de 1970.

Serviço

O quê: Lançamento do livro "Cartas de meu pai", de Cristovam Sena

Quando: Sexta-feira, 2 de outubro, às 19h30

Onde: Casa da Amizade (Avenida Borges Leal, nº 1965, entre as travessas Moraes Sarmento e Sete de Setembro)

Entrada: Gratuita

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