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Como pequenos negócios podem crescer e se diferenciar por meio da sustentabilidade

Sustentabilidade também é assunto de pequeno negócio Acervo de Giovana Navarro Sustentabilidade pode parecer um assunto de grandes corporações, com recursos e muita estrutura para investir, mas isso está longe de ser verdade. Segundo o Panorama das Empresas Verdes, do Sebrae, das quase 1,77 milhão de empresas verdes mercantis ativas em 2025, 95,8% eram pequenos negócios, isto é, microempreendedore

Por Redação Publicado em 22 de setembro de 2026 às 11:59 9 min de leitura

Conteúdo de G1ler no site de origem

Como pequenos negócios podem crescer e se diferenciar por meio da sustentabilidade
Publicado originalmente por [fonte]


Sustentabilidade também é assunto de pequeno negócio

Acervo de Giovana Navarro

Sustentabilidade pode parecer um assunto de grandes corporações, com recursos e muita estrutura para investir, mas isso está longe de ser verdade. Segundo o Panorama das Empresas Verdes, do Sebrae, das quase 1,77 milhão de empresas verdes mercantis ativas em 2025, 95,8% eram pequenos negócios, isto é, microempreendedores individuais (MEIs), microempresas (MEs) e empresas de pequeno porte (EPPs).

“O Sebrae quer mostrar que a sustentabilidade não é só para os grandes, até porque não é somente o grande que precisa ser sustentável”, afirma Ana Caroline Ribeiro Mangia, gestora do Projeto Crescimento Sustentável do Sebrae Nacional. Criado para apoiar os pequenos, o projeto oferece uma plataforma interativa de diagnóstico e acompanhamento da maturidade ESG, ou seja, ambiental, social e de governança.

Três dimensões de um mesmo compromisso

Mais do que preservar o meio ambiente, a sustentabilidade nos pequenos negócios envolve a forma como os colaboradores são tratados e como a empresa é administrada, indo do uso responsável dos recursos a ações de inclusão e diversidade até uma gestão ética, organizada e transparente.

A trajetória de Giovana Navarro de Almeida (70) e Aurelino de Almeida Sampaio (70) é um exemplo disso. O casal de empresários é dono de uma chácara em Brasília (DF) e a sustentabilidade é um princípio que acompanha suas decisões antes mesmo de empreender ou do tema ganhar força no mercado.

Conciliando seus empregos formais no serviço público com o trabalho na propriedade, o casal viu a rota mudar quando, na busca por uma alimentação nutritiva e de fácil digestão para a primeira neta, passaram a produzir leite e queijos caprinos. Assim, o que começou com o manejo de duas cabras em 1993 e cresceu em parceria com um capril da região, deu origem, em 2019, à queijaria artesanal premiada conhecida hoje: a Cabríssima.

Cabríssima, queijaria de casal brasiliense, possui prêmios em todos seus queijos

Acervo de Giovana Navarro

Com o tempo, a mesma propriedade da produção de laticínios capris passou a abarcar turismo rural, experiências gastronômicas e yoga com cabritinhas. Ainda assim, a sustentabilidade aparece em todas as frentes:

Ambiental – reflorestamento, preservação de dois terços da área, irrigação por gotejamento, uso de energia solar, compostagem do esterco, separação de resíduos e destinação do soro dos queijos.

Social – funcionários com carteira assinada, critérios de contratação sem discriminação de cor, raça ou orientação sexual, investimento em ergonomia e ações de saúde mental e educação ambiental.

Governança – atividades devidamente formalizadas, conformidade sanitária e mapeamento documental do uso da propriedade.

Para reduzir o consumo de água durante a higienização das instalações e dos equipamentos da queijaria, por exemplo, o casal investiu em um sistema de tubulações de aço inox, que economizam cerca de 2 mil litros de água por dia de serviço. “Sabemos que produzir com sustentabilidade e cuidado com o meio ambiente exige investimentos que aumentam o custo do produto, mas os clientes que entendem o nosso valor apoiam a causa”, enfatiza Giovana.

Todavia, para Ana Caroline, do Sebrae, esse investimento não deve ser visto apenas como uma despesa. “Existe um pensamento corrente de que a cultura ESG é só sobre aumentar os custos, no entanto, a real sustentabilidade é aquela que gera eficiência e vantagem competitiva para o negócio crescer”, afirma.

Alto impacto, valor reconhecido

Cada uma dessas escolhas ajudou a Cabríssima a se diferenciar no mercado. Ao dar transparência aos processos, o negócio aproximou-se de consumidores atentos à origem e à forma de produção dos alimentos, dispostos a reconhecer o valor agregado de um produto artesanal e responsável. Essa conexão fortaleceu as vendas diretas e abriu espaço para a presença dos queijos em restaurantes e pizzarias de alta gastronomia.

A obtenção do Serviço de Inspeção Federal (SIF), em 2022, ampliou ainda mais as possibilidades de comercialização e permitiu à queijaria levar seus produtos a todo Brasil. O reconhecimento veio também na forma de prêmios: de 2024 para cá foram 48 medalhas conquistadas em competições, como a ExpoQueijo Brasil e o Mundial do Queijo.

O modelo sustentável da fazenda ainda foi consagrado em 2025 com o 3º lugar nacional no Prêmio Globo Rural de Sustentabilidade.

Quando produzir também é preservar

O território de Giovana e Aurelino também ajuda a ilustrar uma característica dos negócios sustentáveis no país: eles estão espalhados por diferentes regiões. Embora o Sudeste concentre o maior volume absoluto (49%), seguido pelo Sul (20,5%), o Centro-Oeste aparece entre as regiões com maior proporção de empresas verdes em relação ao total de negócios locais: 7,5%, valor acima da média nacional (6,7%).

O Nordeste, terceiro em volume, reúne 15,6%. Foi nesse chão nordestino, mais precisamente no Maranhão, que a sustentabilidade floresceu no negócio da arquiteta e paisagista Ana Carolina de Faria Frota. O luto pela perda da mãe e o interesse pela agrofloresta deram origem à Sintropia, marca de cosméticos regenerativos desenvolvida a partir da biodiversidade local.

O estado reúne biomas como a Amazônia, o Cerrado e a Mata dos Cocais, cuja riqueza vegetal está na base das formulações da marca.

A Sintropia nasceu com um propósito: mostrar que a floresta de pé vale muito mais do que ela deitada. Apoiada pelas capacitações e mentorias do Inova Amazônia, programa do Sebrae voltado ao desenvolvimento de negócios de bioeconomia, a produção caseira de Ana ganhou estrutura e deu lugar a uma startup. Veja mais a seguir.

Sintropia combina a riqueza dos biomas do Maranhão em seus cosméticos

Pode começar no simples

A diversidade de negócios verdes também aparece na distribuição por setores. Segundo o Panorama das Empresas Verdes do Sebrae (2025), o Comércio reúne 40,2% dos negócios verdes no Brasil (682 mil empresas), enquanto o setor de Serviços lidera, com 45,9% do total (777 mil).

É nesse setor que se destaca a trajetória da bióloga Maria Dalvani de Oliveira (63). Natural da Paraíba e radicada em Pernambuco, Maria fundou, em 1998, em Olinda, a Keyppy Dedetizações. Atuando no controle de pragas urbanas e na consultoria ambiental, a empresa mostra como serviços técnicos também pode ser mais sustentável começando por pequenas ações.

"Quando encontrei a plataforma Crescimento Sustentável, do Sebrae, achei aquilo fantástico. A gente começou a perceber que muitas coisas que já fazia na empresa estavam ali, mas não estavam registradas. Eram coisas simples, como as placas para apagar a luz e não desperdiçar água", conta Maria.

O relato ajuda a explicar uma das razões para a criação da plataforma, que ajuda pequenos negócios a identificar e avaliar suas práticas de sustentabilidade por meio de um diagnóstico. “Quando a gente iniciou, vimos que 81% das empresas desconheciam o termo ESG. Muitas já são sustentáveis, mas não sabem que são”, ressalta Ana, gestora do projeto.

Para ela, a ferramenta ajuda o empreendedor a identificar onde pode avançar, mesmo diante da sobrecarga do dia a dia.

Foi o que aconteceu com Maria. Ao organizar as práticas da Keyppy para o diagnóstico, ela identificou ações nos três eixos:

Ambiental – captação de água da chuva para a lavagem de veículos e instalações, digitalização de ordens de serviço, troca dos copos descartáveis por de fibra de madeira e instalação de sensores para reduzir o consumo de energia.

Social – telemedicina para colaboradores, realização gratuita do controle de pragas em abrigos de idosos e instituições sociais e incentivo à participação da equipe em ações voluntárias.

Governança – regularização das atividades e separação das finanças pessoais da direção das contas do negócio.

Focando em evoluir, Maria ainda pretende instalar placas solares na empresa e atingir a meta de impressão zero

Acervo de Maria Dalvani

Do diagnóstico ao diamante

Na plataforma, o diagnóstico é interativo. "Dá a sensação de estar jogando videogame", brinca Maria. A cada atividade ou norma apresentada, o empreendedor precisa indicar se aquela prática faz parte da rotina e apresentar documentos que comprovem o que é feito. O diagnóstico reúne 16 critérios adaptados pelo Sebrae a partir da ABNT PR 2030, traduzindo as diretrizes de ESG para a realidade dos pequenos negócios.

“Todo o processo não é apenas autodeclaratório: o empresário precisa subir evidências documentais para comprovar o que faz. A partir dessa avaliação, a empresa pode receber um selo Bronze, Prata, Ouro ou Diamante. Se ainda não atingir a pontuação necessária, ela recebe um reconhecimento inicial mostrando que já está no caminho”, explica Ana Caroline.

Nos quatro primeiros meses, o acesso é gratuito, período em que o empreendedor pode fazer o diagnóstico, entender sua maturidade e organizar as evidências.

Foi assim que Maria da Keyppy alcançou o Selo ESG Diamante, nível mais alto da iniciativa. Esse reconhecimento se soma a outros tão importantes quanto: o MPE Brasil 2012, a ISO 9001 e o Selo Verde do Governo do Estado de Pernambuco, sendo a única empresa do segmento de controle de pragas do estado a contar com essa certificação.

Além das ações internas, Maria articulou com o Sebrae e o Governo de Pernambuco uma rede de 14 empresas que plantou 500 mudas de espécies nativas da Mata Atlântica em Jaboatão dos Guararapes, pelo projeto Plantar Juntos.

Mais do que reconhecer o estágio de maturidade do negócio, os selos ajudam a comprovar essas práticas para o mercado. No caso da Keyppy, o Diamante projetou a empresa nacionalmente e contribuiu para a conquista de contratos com grandes indústrias que exigiam comprovação de práticas ESG.

Quer saber como sua empresa pode avançar por meio do eixo ESG? Conheça a plataforma Crescimento Sustentável do Sebrae.

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