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Creche particular suspende atividades após denúncias de uso de vinagre como castigo e agressões em Nova Andradina

Mães relatam agressões e uso de vinagre como castigo em creche de Nova Andradina Um espaço particular que cuidava de crianças em Nova Andradina (MS), suspendeu as atividades após denúncias de supostos maus-tratos. Os relatos, que vieram à tona nesta segunda-feira (21), envolvem agressões físicas, condições precárias de higiene, falta de estrutura para o descanso e até o uso de um spray de vinagre

Por Redação Publicado em 21 de setembro de 2026 às 12:11 8 min de leitura

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Creche particular suspende atividades após denúncias de uso de vinagre como castigo e agressões em Nova Andradina
Publicado originalmente por [fonte]


Mães relatam agressões e uso de vinagre como castigo em creche de Nova Andradina

Um espaço particular que cuidava de crianças em Nova Andradina (MS), suspendeu as atividades após denúncias de supostos maus-tratos. Os relatos, que vieram à tona nesta segunda-feira (21), envolvem agressões físicas, condições precárias de higiene, falta de estrutura para o descanso e até o uso de um spray de vinagre no rosto das crianças como castigo.

As denúncias foram apresentadas por mães e por uma ex-funcionária do local, que funciona em uma casa. Os relatos são de períodos diferentes e envolvem crianças de idades variadas.

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O Conselho Tutelar informou que recebeu várias denúncias na sexta-feira (18), por diferentes canais. O órgão acionou a Polícia Militar e foi até o espaço para verificar a situação. Depois da análise, o caso foi encaminhado à Polícia Civil, ao Ministério Público e ao Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA).

A Polícia Militar confirmou que esteve no local após ser acionada pelo Conselho Tutelar, mas informou que, durante a averiguação, não encontrou nenhuma irregularidade aparente.

A proprietária do espaço informou, por meio do advogado Reinaldo Oliveira, que suspendeu temporariamente as atividades e que está à disposição das autoridades para esclarecer os fatos.

Mãe diz que filho voltou para casa com olho roxo

Creche é denunciada por agressões, falta de higiene e uso de spray de vinagre no rosto das crianças

Divulgação

Uma das mães ouvidas pela reportagem contou que o filho, de 9 anos, foi agredido por outra criança dentro do espaço em setembro de 2025. Na época, ela não registrou boletim de ocorrência, mas guardou uma fotografia do menino com o olho roxo.

Segundo ela, o filho contou que várias crianças ficavam reunidas em um cômodo da casa sem supervisão constante. Depois da agressão, ele não quis mais voltar ao local.

A filha mais nova continuou frequentando o espaço por um período. A mãe conta que começou a perceber mudanças no comportamento da menina, que antes era muito ativa e passou a voltar sonolenta para casa. Depois, começou a chorar quando chegava em frente ao local.

"Toda vez que eu parava o carro na frente da creche, ela começava a chorar desesperadamente, não queria descer do carro. E aí eu comecei a observar, comecei a achar estranho, e aí eu tive que me adequar e não levar ela mais lá."

Segundo a mãe, mesmo meses depois, a menina ainda demonstra medo quando passa em frente ao espaço.

"Hoje a minha filha já é maiorzinha, ela vai fazer três anos agora em outubro, e mesmo assim, mesmo depois de tanto tempo, já quase um ano, toda vez que eu passo perto, ou que ela vê a fachada da creche, ela chora."

A mãe também contou que o filho relatou problemas de higiene e situações em que crianças de idades diferentes tomavam banho juntas.

"Ele falou que é coisa tipo de quatro, cinco crianças tomando banho ao mesmo tempo, criança maior com criança menor, tipo criança de sete, cinco anos com criança menor de dois, três anos."

Ex-funcionária relata sujeira e crianças dormindo no chão

Uma ex-funcionária procurou a reportagem e disse que trabalhou no espaço por apenas alguns dias. Segundo ela, logo no primeiro dia ficou surpresa com as condições do local.

Ela relatou ter encontrado carrinhos com restos de comida e vômito, tatames sujos, banheiro sem condições adequadas de higiene e quartos com berços quebrados, rasgados e com cheiro forte de urina.

Também afirmou que as toalhas de banho eram compartilhadas pelas crianças e que, durante o período em que trabalhou no local, não chegaram a ser lavadas.

Segundo a ex-funcionária, não havia colchonetes suficientes para o horário de descanso, nem cobertores e travesseiros em quantidade adequada. Ela afirma que, por isso, algumas crianças dormiam diretamente no chão, sobre os tatames.

A ex-funcionária também relatou situações envolvendo crianças autistas.

"Quando não dormiam, era borrifado um spray de vinagre em seus rostos, principalmente nos rostos das crianças autistas."

Ela afirma ter conseguido registrar parte das situações em fotos e vídeos.

Em um dos vídeos, segundo o relato da ex-funcionária, é possível ver a proprietária borrifando o produto no rosto de uma criança. Ela também entregou à reportagem um áudio em que conversa com uma criança sobre agressões.

A ex-funcionária afirma que o spray era usado como forma de punição.

'Borrifava o spray de vinagre em seus rostos', diz ex-funcionária

Ainda segundo a ex-funcionária, crianças que faziam xixi ou cocô na roupa eram tratadas de maneira inadequada.

"As crianças autistas que faziam suas necessidades na roupa tinham a cueca lavada dentro do vaso sanitário, e ela [proprietária] dizia que daria banho de água gelada para que aprendessem a não fazer mais suas necessidades na roupa."

Ela também afirma que crianças eram obrigadas a comer toda a comida colocada no prato.

"Tinham que comer toda a comida que estava no prato e, quando não comiam, ela colocava a comida em suas bocas, segurando seus rostos de forma bruta. Algumas chegavam a ter ânsia e até vomitar."

A ex-funcionária ainda acusa a proprietária de agressões físicas e de deixar crianças sozinhas em um quarto.

"Eram agredidas diariamente pela proprietária, com tapas na cabeça, puxões de cabelo e apertões nos braços. As crianças que, segundo ela, faziam “arte” eram deixadas trancadas sozinhas em um quarto escuro por horas. Ela também ia até o quarto para borrifar o spray de vinagre em seus rostos."

As acusações, no entanto, ainda precisam ser investigadas pelas autoridades.

Outra família diz que filha teria sofrido agressões

Outra mãe contou à reportagem que a filha, hoje com 3 anos, frequentava o espaço desde os 5 meses de idade.

Ela disse que já havia percebido alguns machucados, mas acreditava que poderiam ter sido causados por outras crianças. Segundo ela, em uma ocasião questionou a proprietária, que teria explicado que a menina havia sido mordida por outra criança.

A mãe afirma que só começou a desconfiar de que poderia haver algo mais grave depois que uma pessoa que trabalhava no local contou a uma amiga dela sobre supostas agressões contra a menina.

Segundo esse relato, a criança teria sofrido agressões e, em uma ocasião, uma funcionária teria fechado a mão dela em uma porta, machucando os dedos.

A mãe afirma que ficou abalada ao descobrir os relatos.

"Eu sempre tive o pé atrás. Porém, tem uma moça que trabalha comigo que a filha dela é 1 ano mais velha e como ela sempre deixou lá. Confiamos né."

Ela também disse que se sente culpada por não ter percebido antes o que poderia estar acontecendo.

Conselho Tutelar recebeu várias denúncias

Segundo a coordenadora do Conselho Tutelar, que pediu para não ser identificada, várias denúncias chegaram ao órgão na sexta-feira (18), por diferentes canais.

O Conselho acionou a Polícia Militar e foi até o espaço para verificar as informações. A coordenadora não detalhou o que foi constatado durante a averiguação e também não informou a situação do alvará do estabelecimento.

Depois da análise das denúncias, o caso foi encaminhado para a Polícia Civil, o Ministério Público e o Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente.

A Prefeitura de Nova Andradina informou que o espaço é particular e não tem vínculo com a administração municipal nem faz parte da Rede Municipal de Ensino.

Segundo o município, o local é destinado ao cuidado e à permanência temporária de crianças, mediante contratação direta pelas famílias, e não é caracterizado como unidade educacional. Por isso, não está submetido ao acompanhamento pedagógico da Secretaria Municipal de Educação ou do Conselho Municipal de Educação como ocorre com instituições de ensino.

A Prefeitura afirmou ainda que, assim que tomou conhecimento das denúncias, os órgãos competentes foram acionados e adotaram as providências cabíveis.

Proprietária diz que vai colaborar com investigação

Por meio do advogado Reinaldo Oliveira, a proprietária informou que tem interesse no esclarecimento dos fatos.

Em nota, o Espaço Tia Lu afirmou que sempre pautou suas atividades pelo respeito, cuidado e dignidade das crianças atendidas e que está à disposição das autoridades.

A proprietária também informou que decidiu suspender temporariamente as atividades enquanto as providências necessárias para esclarecer o caso são tomadas.

Como as denúncias envolvem crianças e estão sob apuração, o espaço informou que não vai comentar publicamente os detalhes dos relatos para preservar a privacidade dos envolvidos.

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