Curta sobre cena queer de Maceió vence três prêmios em Brasília
Trailer de ‘Futuro Decadance’ Entre arquivos, lembranças de personagens da noite de Maceió e uma viajante que atravessa o tempo em busca de uma festa, o curta alagoano “Futuro Decadance” saiu do 59º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro com três Troféus Candango. 📱Participe do canal do g1 Alagoas O filme venceu nas categorias de melhor atriz, melhor figurino e melhor montagem, todas pelo traba
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Trailer de ‘Futuro Decadance’
Entre arquivos, lembranças de personagens da noite de Maceió e uma viajante que atravessa o tempo em busca de uma festa, o curta alagoano “Futuro Decadance” saiu do 59º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro com três Troféus Candango.
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O filme venceu nas categorias de melhor atriz, melhor figurino e melhor montagem, todas pelo trabalho de Leviathan, que também assina a direção e o roteiro da produção.
O documentário de 21 minutos transforma a vida noturna da capital alagoana na década de 1990 em ponto de partida para falar de memória, arte e da cena queer local.
Produzido por Marina Bonifácio e Leviathan, o curta integra o catálogo da Maremoto Filmes e estreou na competição nacional do Festival de Brasília.
Veja os filmes premiados no 59º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro
Documentário revisita a cena clubber e queer de Maceió e vence três categorias em prêmio de Brasília.
Matheus Virgilio
A história acompanha A Viajante, interpretada por Seven Colby, que está atrasada para um encontro e precisa de um ingresso para chegar ao destino.
A busca pela festa conduz a personagem ao passado e abre caminho para as lembranças de duas figuras ligadas à noite alagoana: o DJ Bacana, criador da Substation, e a artista transformista Bárbara Nagman.
Ao g1, a produtora Marina Bonifácio contou que, por meio das histórias dos dois personagens, de imagens de arquivo e de intervenções ficcionais, o filme aborda o cenário clubber e queer que circulava por Maceió há mais de três décadas.
“A gente passeia pelas memórias dessas figuras que foram essenciais para construir um imaginário clubber e queer alagoano nos anos 90”, contou.
Entre a festa e a memória
Cartaz de "Futuro Decadance".
Divulgação
Apesar de mergulhar nas pistas de dança e nas personagens que movimentaram a noite da cidade, Marina explica que “Futuro Decadance” não se limita a contar a história de festas ou casas noturnas.
“Acima de tudo, é um filme que fala sobre ser artista em Maceió. Fala sobre a complexidade e a contradição que é ser artista aqui.”
A construção dessa memória mistura documentário e performance. Leviathan, drag queen, cineasta, produtora cultural e atriz formada pela Escola Técnica de Artes da Ufal, fundou em 2019 o Coletivo Umbral, voltado à retomada da contracultura clubber dos anos 1990. “Futuro Decadance” marca sua estreia como diretora e roteirista.
Projeto levou três anos até chegar às telas
Making-of de 'Futuro Decadance'
Divulgação
A aproximação entre Marina e Leviathan começou anos antes das filmagens. A produtora conta que conheceu o trabalho da artista em 2018 e passou a acompanhá-la.
Em 2023, com a abertura de editais da Lei Paulo Gustavo, as duas começaram a desenvolver um projeto juntas.
A ideia, segundo Marina, era fazer um filme que tivesse identidade própria e partisse da pesquisa que Leviathan já desenvolvia sobre música eletrônica, noite e cultura clubber. Da elaboração à finalização, foram cerca de três anos.
“Eu queria muito ter a oportunidade de colocar algum filme com a nossa carinha no mundo. Pensei na Leviathan porque já admirava muito o trabalho e a pesquisa dela.”
O processo de produção aconteceu paralelamente à atuação das realizadoras no Ateliê Xica Manicongo de Cinema, projeto de formação e criação voltado para pessoas trans e travestis em Alagoas.
Para ela, o número também representa um movimento para ampliar a presença desses profissionais no audiovisual produzido no estado.
Leviathan leva três Candangos
Leviathan, diretora do curta "Futuro Decadance"
Assessoria
O trabalho de Leviathan atravessa diferentes áreas do curta. Além da direção e do roteiro, ela assina a montagem, divide a direção de arte com Bela Magalhães e Perigou e integra a produção ao lado de Marina Bonifácio.
No Festival de Brasília, essa atuação em diferentes frentes terminou reconhecida com três prêmios.
Leviathan recebeu os Troféus Candango de melhor atriz, melhor figurino e melhor montagem na Mostra Competitiva Nacional de Curtas.
Segundo Marina, especialmente a montagem e o figurino foram resultado de um trabalho longo da diretora, que criou pessoalmente boa parte das roupas usadas no filme e acompanhou a elaboração das demais peças.
“Foram aspectos do filme em que ela se empenhou muito. Ela passou muito tempo na montagem e fez quase todos os figurinos.”
A produtora destaca ainda que esta foi a primeira edição do Festival de Brasília a oferecer o prêmio de figurino na competição de curtas.
Com isso, Leviathan se tornou a primeira vencedora da categoria, segundo Marina.
“Foi muito feliz perceber que os aspectos em que a gente mais se empenhou cresceram na tela a ponto de o júri decidir premiar.”
Próximos destinos
'Futuro Decadance'
Divulgação
Depois da estreia em Brasília, “Futuro Decadance” deve seguir pelo circuito de festivais. A produção já está sendo inscrita em outras mostras brasileiras e internacionais, e a equipe aguarda a confirmação das próximas exibições.
Em Alagoas, o filme teve uma pré-estreia em julho, no Arte Pajuçara, durante a programação do Ateliê Xica Manicongo de Cinema.
Agora, a intenção é ampliar as oportunidades para que o público alagoano possa assistir à produção.
Marina também espera que o filme possa integrar futuras janelas dedicadas ao cinema produzido no estado, como a Mostra Sururu de Cinema Alagoano, e defende a continuidade de políticas públicas e espaços de circulação para o audiovisual local.
Para a produtora, a chegada de “Futuro Decadance” a Brasília e os três prêmios conquistados integram um movimento mais amplo de fortalecimento do cinema feito em Alagoas. A equipe também contou com o apoio do Sintietfal (Sindicato dos Servidores do Ifal) e do Sindicato dos Bancários de Alagoas para viabilizar a viagem até o Festival de Brasília.
“A excelência a gente já está trazendo”, resume. “Tenho certeza de que nos próximos anos vamos ter cada vez mais a presença de Alagoas nos principais festivais do Brasil, contanto que exista continuidade das políticas públicas.”
'Futuro Decadance'
Divulgação