Da enxada à sala de aula: professor que trabalhou no campo durante infância vence prêmio 'Nota 1.000'
Professor de Novo Horizonte vence prêmio 'Nota 1.000' “Estude, pois a enxada é mais pesada que a caneta.” Essa frase resume a trajetória de Adelson Rodrigues, de 64 anos. Professor da rede pública em Novo Horizonte, no interior de São Paulo, ele recebeu o reconhecimento de seu esforço no início de outubro, ao se tornar vencedor do prêmio "Nota 1.000", da Secretaria Estadual de Educação. 🔎 A premia
Conteúdo de G1 — ler no site de origem
Professor de Novo Horizonte vence prêmio 'Nota 1.000'
“Estude, pois a enxada é mais pesada que a caneta.” Essa frase resume a trajetória de Adelson Rodrigues, de 64 anos. Professor da rede pública em Novo Horizonte, no interior de São Paulo, ele recebeu o reconhecimento de seu esforço no início de outubro, ao se tornar vencedor do prêmio "Nota 1.000", da Secretaria Estadual de Educação.
🔎 A premiação "Nota 1.000" é uma iniciativa da Secretaria da Educação do Estado para valorizar e exaltar os docentes da rede estadual de ensino. Os professores são selecionados com base em critérios como frequência em sala de aula, avaliação de desempenho e notas obtidas pelos alunos no Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar do Estado de São Paulo (Saresp).
📲 Participe do canal do g1 Rio Preto e Araçatuba no WhatsApp
Adelson Rodrigues, de Novo Horizonte (SP), conquistou prêmio "Professor Nota 1.000"
Divulgação
"Esse prêmio representa o reconhecimento do nosso esforço dentro da sala de aula, da nossa labuta no nosso cotidiano. A educação precisa de mais reconhecimento, afinal estamos construindo o Brasil do futuro”, contou.
Adelson leciona as disciplinas de filosofia e sociologia, áreas em que concluiu o mestrado na Unesp, e diz que não pretende parar com as atividades.
"Não pensei ainda em parar de lecionar, mas tenho muitos projetos ligados ao respeito dos direitos humanos, de preparação para o vestibular e de proporcionar a construção de alunos conscientes dos seus direitos e deveres como cidadãos", conta.
LEIA TAMBÉM
Fãs relembram 36 anos de show histórico de Xuxa em Rio Preto
Entenda as etapas no caso da imagem de Nossa Senhora que fiéis dizem jorrar mel
Menina com paralisia cerebral dá primeiros passos após ser comparada a 'boneca de pano'
Adelson Rodrigues, de Novo Horizonte (SP), conquistou prêmio "Professor Nota 1.000"
Arquivo Pessoal
Nesta quinta-feira (15), Dia dos Professores, o g1 traz detalhes da história de luta e superação de Rodrigues. O professor conta que começou a ajudar os pais no campo aos seis anos para contribuir com o sustento da casa. Aos 11, passou a vender limões nas ruas para comerciantes locais com a finalidade de conseguir comprar seu material escolar. Três anos depois, começou a frequentar a escola noturna, o que lhe permitia dedicar o dia a ajudar os familiares.
“Eu tinha que levantar cedo, por volta das seis da manhã, cumprir obrigações pontuais e, caso não fizesse minhas tarefas corretamente, recebia trabalho pesado como castigo”, explicou Adelson.
Apesar da pouca escolaridade, a mãe de Adelson sempre incentivou os filhos e, desde a infância, ensinou que eles deveriam investir em conhecimento. “Para ela, a única forma de escapar do trabalho na roça era por meio da escola”, contou. Com a finalidade de mudar sua realidade, Adelson decidiu ir atrás de um emprego para conseguir juntar dinheiro e bancar seus estudos durante a juventude.
Após concluir o ensino médico, ele foi aprovado em um concurso público para trabalhar como encarregado de setor na Delegacia de Ensino de Novo Horizonte, que corresponde às atuais Unidades Regionais de Ensino.
Adelson Rodrigues, de Novo Horizonte (SP), conquistou prêmio "Professor Nota 1.000"
Arquivo pessoal
Em seu novo cargo, passou a visitar escolas e a acompanhar a rotina dentro das instituições de ensino, o que despertou nele o desejo de ser professor.
Pouco tempo depois, Rodrigues decidiu se arriscar em um novo trabalho, no qual assumiu a função de bancário em uma instituição financeira, onde atuou por dez anos. Durante esse período, o futuro professor conseguiu se formar em História e ainda fez dois cursos de especialização, um deles na Universidade Estadual Paulista (Unesp), em São José do Rio Preto (SP).
"Como nunca tive 'padrinhos', o único caminho para conseguir um emprego foi por meio de concurso público. A rigidez do trabalho na roça, a pontualidade e a ideia de cumprir todas as obrigações contribuíram muito para minha persistência nos estudos", pontua. Do sonho à realidade
Professor da rede estadual de SP conquista prêmio da Seduc
Arquivo Pessoal
Em 1998, o sonho finalmente se tornou realidade após Rodrigues ser aprovado em um concurso para ser professor de Educação Básica II na rede pública. Ele tomou posse e passou a exercer as atividades na Escola Estadual Pedro Brandão dos Reis em José Bonifácio, onde leciona há 26 anos.
“Hoje tenho a certeza de que fiz a coisa certa. Adoro a escola, meus alunos e o trabalho que faço. Sinto-me realizado como docente”, ressaltou o professor.
Para Adelson, a educação é uma ferramenta que transforma realidades e, por isso, é tão importante o investimento nela. Sua maior realização é ver os seus alunos, principalmente da rede pública, ingressarem na universidade e seguirem suas carreiras.
“Sinto-me realizado quando vejo um aluno que estudou na escola onde dou aula formar-se em Medicina; outro ingressar na Unesp; outro trabalhar em uma universidade pública e tantos outros se tornarem engenheiros, advogados e profissionais de diversas áreas. Cada aprovação desses alunos em universidades públicas me deixa muito feliz”, disse o professor.
Professor Adelson Rodrigues, vencedor do prêmio 'Professor Nota 1.000' fala sobre a importância da educação
Arquivo Pessoal
Ao longo dos seus quase 30 anos de carreira, o professor viu a educação brasileira passar por diversas transformações. Dentro de sala de aula, ele destaca a importância da conexão com os alunos e o dever de figurar como uma referência.
“Muitas vezes, somos espelho para nossos discentes. Acredito que ser um cidadão ético, respeitar as diferenças e tratar todos os alunos com respeito, compreendendo seus limites e suas aspirações, contribui para um melhor desempenho das turmas. Além disso, essas atitudes favorecem o desenvolvimento do nosso caráter e ampliam nossa consciência sobre o papel que desempenhamos e nossa contribuição para a sociedade”, explicou Rodrigues.
*Colaborou sob supervisão de Desirèe Assis e Henrique Souza
Initial plugin text
Veja mais notícias da região no g1 Rio Preto e Araçatuba
VÍDEOS: confira as reportagens da TV TEM