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De clavícula quebrada a pneumotórax: Hopi Hari soma quatro condenações em 11 meses por lesões na Montezum

Como é a Montezum, montanha-russa do Hopi Hari investigada pelo MPSP O Hopi Hari foi condenado em primeira instância em quatro processos por lesões sofridas por visitantes após passarem pela Montezum, montanha-russa de madeira do parque em Vinhedo (SP). As sentenças foram dadas entre 23 de junho de 2025 e 1º de junho de 2026. Os casos foram localizados pelo g1 na consulta pública do Tribunal de Ju

Por Redação Publicado em 21 de setembro de 2026 às 13:31 12 min de leitura

Conteúdo de G1ler no site de origem

De clavícula quebrada a pneumotórax: Hopi Hari soma quatro condenações em 11 meses por lesões na Montezum
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Como é a Montezum, montanha-russa do Hopi Hari investigada pelo MPSP

O Hopi Hari foi condenado em primeira instância em quatro processos por lesões sofridas por visitantes após passarem pela Montezum, montanha-russa de madeira do parque em Vinhedo (SP). As sentenças foram dadas entre 23 de junho de 2025 e 1º de junho de 2026.

Os casos foram localizados pelo g1 na consulta pública do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP). O levantamento reúne os processos que a reportagem conseguiu identificar e acessar e, por isso, não significa que sejam os únicos envolvendo a atração.

As ações tratam de episódios ocorridos entre 2023 e 2024 e envolvem fratura de clavícula, lesões na região das costelas e, no caso mais grave entre os quatro, cinco costelas quebradas, pneumotórax e contusão pulmonar.

As indenizações fixadas em primeira instância somam R$ 35 mil por danos morais e R$ 1.544,71 por danos materiais.

A apuração foi feita após o Fantástico mostrar, neste domingo (20), o caso de Júlia Bossoni, jovem que sofreu um traumatismo cranioencefálico depois de passar pela Montezum em abril.

Ela perdeu os movimentos do lado esquerdo do corpo, passou por sete cirurgias e segue em reabilitação. O Ministério Público de São Paulo investiga o episódio e pediu uma perícia na montanha-russa.

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O g1 procurou o Hopi Hari para comentar as condenações, a relação das lesões com a atração e eventuais mudanças nos protocolos de segurança. Até a última atualização desta reportagem, o parque não havia respondido.

Em manifestação anterior ao Fantástico, o Hopi Hari afirmou que a Montezum possui certificação internacional do grupo TÜV Nord, passa por inspeções periódicas e segue normas nacionais de segurança. Leia mais abaixo.

Clavícula quebrada

Em julho de 2024, uma criança sofreu fratura da clavícula direita depois de passar pela Montezum. Segundo a ação, o carrinho teria "trepidado além do normal". Ela ficou 14 dias afastada da escola.

No processo, o parque afirmou que a atração seguia normas de segurança, tinha certificação internacional e não apresentava registro de mau funcionamento naquele dia.

A Justiça fixou, em junho de 2025, R$ 10 mil por danos morais. O Hopi Hari recorreu, e o caso já passou pela segunda instância. Atualmente, está em fase de cumprimento de sentença.

Montanha-russa Montezum, no parque temático Hopi Hari, em Vinhedo (SP)

Fantástico/Reprodução

Impactos nas costelas

Outro processo envolve um visitante que sofreu uma lesão torácica, sem fratura, após bater a região das costelas na lateral do carrinho durante o percurso. Segundo testemunhas, ele sentiu dor logo depois de sair da atração, teve dificuldade para respirar e precisou de atendimento médico.

O visitante foi levado à Santa Casa de Vinhedo, onde fez exames, e recebeu afastamento do trabalho por cinco dias.

Uma testemunha contou que também bateu as costelas durante o passeio. Um funcionário do parque ouvido no processo afirmou que “algumas pessoas reclamam de dores após brincarem no Montezum”.

Em agosto de 2025, a Justiça fixou R$ 5 mil por danos morais. O caso passou pela segunda instância e está em cumprimento de sentença. O processo principal foi arquivado definitivamente em abril de 2026.

Costela quebrada

Em agosto de 2024, um visitante que participava de um evento corporativo no parque sofreu fratura da sétima costela esquerda após passar pela Montezum.

A ficha do ambulatório do Hopi Hari registrou dor na região logo depois do desembarque. Três dias mais tarde, um raio-X confirmou a fratura. Um laudo da Polícia Científica apontou incapacidade para as atividades habituais por período superior a 30 dias.

A juíza também considerou que houve falha no atendimento médico. Segundo a sentença, o visitante recebeu analgésico e foi liberado sem exame de imagem ou encaminhamento ao hospital.

A condenação, de maio de 2026, foi de R$ 15 mil por danos morais e R$ 390,14 por danos materiais. Ao fixar a indenização, a magistrada afirmou que o valor também tinha caráter preventivo, para evitar que "fatos semelhantes" voltassem a ocorrer.

O Hopi Hari recorreu. A apelação está na 15ª Câmara de Direito Privado do TJ-SP e, até a última consulta do g1, ainda não havia sido julgada.

Cinco costelas fraturadas e pneumotórax

O quarto episódio aconteceu em agosto de 2023. Depois de passar pela Montezum, o visitante apresentou fraturas da 5ª à 9ª costelas, pneumotórax e contusão pulmonar.

O parque afirmou no processo que a atração funcionava normalmente e contestou a relação entre o brinquedo e as lesões.

A Justiça fixou R$ 5 mil por danos morais e R$ 1.154,57 por danos materiais. Neste caso, não houve recurso e a decisão transitou em julgado em julho de 2026. O cumprimento de sentença começou em setembro.

Parque Hopi Hari, em Vinhedo (SP)

Patrícia Teixeira/G1

O que o parque já disse

Ao Fantástico, o Hopi Hari informou que a Montezum passa por manutenção preventiva diária, semanal e mensal. Também afirmou que placas e avisos sonoros alertam os visitantes sobre o caráter radical da atração e as restrições de uso.

Segundo o parque, cerca de 470 mil pessoas passaram pela Montezum em 2026 até a data da reportagem. Veja o texto na íntegra abaixo:

"A Montezum possui certificação internacional emitida pelo Grupo TUV Nord, uma das maiores organizações de inspeção e testes de atrações do mundo. As inspeções acontecem anualmente no caso de atrações radicais como a Montezum, e bianuais, em atrações de baixa complexidade. Outros importantes protocolos de segurança, treinamento de pessoal e de atenção ao visitante fazem parte da rotina diária do Hopi Hari em todas as suas atrações.

O parque também segue rigorosamente a norma nacional para parques de diversões 'ABNT NBR 15926-2023 Equipamentos de Parques de Diversão'.

Antes mesmo de acessar a Montezum, placas contendo dados sobre a atração estão colocadas em pontos de fácil visualização para que todos os visitantes tenham informações claras e detalhadas sobre o funcionamento da montanha russa, além de recomendações e restrições. Ainda quando estão na fila para acessar a atração, um sistema de áudio destaca as recomendações e restrições.

E, no momento do embarque, os operadores da atração também reforçam as informações, por meio de um sistema de som. Os procedimentos seguem normas internacionais adotadas em atrações ao redor do mundo e integram rotinas obrigatórias de segurança e operação. De janeiro de 2026 até o momento, mais de 870 mil pessoas frequentaram o parque e, deste total, aproximadamente 470 mil pessoas passaram pela atração, que é a mais visitada do Hopi Hari.

Também é importante destacar que, recentemente, o Ministério Público emitiu parecer sobre a atração enfatizando não haver risco coletivo, defeito no projeto da montanha russa ou qualquer negligência. No texto do parecer, o MP destaca "a regularidade do funcionamento da atração "Montezum" sob a ótica da tutela coletiva e difusa da segurança e saúde dos consumidores".

O parecer acrescenta, ainda, que "o estabelecimento prestador do serviço adota protocolos rigorosos de prevenção, manutenção e segurança operacional".

E enfatiza que 'a montanha-russa Montezum é submetida a rotinas periódicas de inspeção técnica diária, abrangendo a estrutura de madeira, trilhos, fixações, travas de segurança, cintos, sensores fotoelétricos, painéis elétricos e sistemas de frenagem, com supervisão por equipe de engenharia e certificações técnicas pertinentes.

Ademais, constata-se a existência de sinalização visual e sonora no local, informando previamente a classificação da atração como radical, as forças e movimentos nela envolvidos, além das expressas contra indicações de uso a pessoas com problemas na coluna, gestantes e portadores de condições clínicas específicas', descreve o parecer.

As placas indicativas com as informações nelas contidas, também estão anexadas neste email.

O Hopi Hari esclarece ainda que a visitante do Paraná acessou a atração por duas vezes no mesmo dia de sua visita ao parque, conforme imagens anexadas. A primeira ida à Montezum ocorreu às 11h da manhã e a segunda, cerca de cinco horas depois, por volta de 16h30 do mesmo dia.

O episódio envolvendo a jovem paranaense ocorreu em sua segunda passagem pela atração, quando apresentou um quadro de convulsão e recebeu pronto atendimento das equipes do parque, seguindo todos os protocolos de segurança. A providência inicial foi prestar os primeiros socorros no ambulatório do parque. A visitante foi encaminhada para a Santa Casa de Vinhedo, onde permaneceu internada até apresentar condições de retorno à sua cidade.

A direção do parque acompanhou de perto o tratamento prestado, sempre em contato com os familiares, custeando as despesas durante a permanência em Vinhedo.

Vale ressaltar que o departamento jurídico do Hopi Hari também manteve contato com os familiares da visitante paranaense para o suporte necessário durante todo o processo de atendimento da paciente em seu tratamento. O corpo jurídico, assim como a direção do parque, seguem à disposição da família da visitante. Importante destacar também que o Hopi Hari dispõe de um seguro que foi franqueado à família.

O Hopi Hari segue investindo em normas, procedimentos e treinamentos visando a segurança das atrações do parque que, nos últimos 5 anos, já recebeu mais de 5,5 milhões de visitantes.

Sobre as ocorrências mencionadas de anos anteriores, esclarecemos que os dados pertencem a gestões passadas. A atual administração tem seu foco estrito na rigorosa cultura de segurança implementada nos últimos 5 anos, responsável por receber mais de 5,5 milhões de visitantes de forma segura.

Normas que seguimos e que regem as inspeções que seguimos 100%.

Decisão Normativa 52, de 25 de agosto de 1994, do CONFEA.

Ato Normativo nº 02, de 14 de dezembro de 2001, CREA-SP.

ABNT NBR 15926:2023, Equipamentos de Parques de Diversão.

ABNT NBR 16071:2012, “Playgrounds”.

ABNT NBR 5410:vigente, Instalações Elétricas de Baixa Tensão.

ABNT NBR 9050, Acessibilidade a Edificações, Mobiliário, Espaços equipamentos urbanos.

ABNT NBR ISO 21101:2014, Turismo de Aventura – Sistema de Gestão de Segurança – Requisitos.

NR 10 - Segurança em Instalações e Serviços em Eletricidade.

NR 13 - Caldeiras, Vasos de Pressão e Tubulações.

MONTEZUM

Equipe técnica que trabalha dedicada, na atração

1 técnico em mecânica (média de 5h por dia)

1 técnico em elétrica (média de 2h por dia)

12 carpinteiros (média de 7h por dia)

Argumentos sobre a decisão do MPT

Não foram analisadas somente documentação, tivemos inspeções e avaliações técnicas dos engenheiros do CAEx para elaboração dos pareceres.

Manutenção

Preventiva diária (realizada diariamente antes da abertura do parque)

5-6 horas de trabalho realizado por um técnico em mecânica

1-2 horas de trabalho realizado por um técnico em elétrica

3-4 horas de trabalho realizado pela equipe de carpintaria (3-4 pessoas)

Preventiva semanal (realizada toda semana nos dias de parque fechado)

6-7 horas de trabalho realizado por um técnico em mecânica

2-3 horas de trabalho realizado por um técnico em elétrica

14-15 horas de trabalho realizado pela equipe de carpintaria (8-9 pessoas)

Preventiva mensal (realizado durante o mês em que foi gerada, conforme programação)

4-6 horas de trabalho realizado por um técnico em mecânica

2-3 horas de trabalho realizado por um técnico em elétrica

Anual (realizada nos trens após 1800-2000 horas de trabalho ou a cada dois anos)

30-50 dias de trabalho realizado pela equipe mecânica (2 mecânicos+1 supervisor)

Sobre o registro de 40 reclamações de visitantes

Em resposta ao questionamento da reportagem, cabe destacar a devida proporcionalidade dos dados: o registro de cerca de 40 reclamações na plataforma Reclame Aqui ao longo dos últimos dois anos refere-se a um universo de aproximadamente 1,2 milhão de visitantes que passaram pela Montezum no mesmo período — o que demonstra um índice estatístico irrisório e abaixo da média mundial, diante do expressivo volume de operações da atração.

Em recente manifestação a respeito do assunto, o Ministério Público deu parecer onde destaca que "o histórico operacional demonstra que eventuais queixas de desconforto muscular constituem episódios isolados, inerentes ao impacto físico esperado em equipamentos de tal natureza, sem qualquer padrão de defeito sistêmico no brinquedo ou falha na prestação do serviço", diz o parecer.

Os casos relatados são encaminhados ao SAV (Serviço de Atendimento ao Visitante) que trata com atenção os relatos de queixas sobre lesões ou desconfortos físicos, passíveis em uma atração amplamente anunciada como radical, mantendo contato com o reclamante para inicialmente ouvir seu relato e seguir se necessário com o acompanhamento."

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