Em crise sem fim, Santa Casa prevê cortar leitos e deixar de oferecer especialidades pelo SUS
Em crise sem fim, Santa Casa prevê cortar leitos e deixar de oferecer especialidades pelo A Santa Casa de Campo Grande anunciou nesta quinta-feira (15) mais restrições nos atendimentos e informou que decidiu não assinar, por enquanto, o novo contrato com o Governo de Mato Grosso do Sul e a Prefeitura de Campo Grande. A decisão foi divulgada um dia após uma audiência judicial, com participação do M
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Em crise sem fim, Santa Casa prevê cortar leitos e deixar de oferecer especialidades pelo
A Santa Casa de Campo Grande anunciou nesta quinta-feira (15) mais restrições nos atendimentos e informou que decidiu não assinar, por enquanto, o novo contrato com o Governo de Mato Grosso do Sul e a Prefeitura de Campo Grande. A decisão foi divulgada um dia após uma audiência judicial, com participação do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), terminar sem acordo sobre as condições financeiras exigidas pela direção do hospital.
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A crise se arrasta há meses. Entre pedidos de ajuda financeira, falta de materiais, médicos sem receber e cirurgias suspensas, a Santa Casa tem anunciado sucessivas limitações nos serviços oferecidos à população. Desta vez, a direção informou que vai restringir os atendimentos a casos emergenciais encaminhados pela rede de saúde e preparar uma nova adequação da estrutura, que poderá reduzir leitos e retirar especialidades do atendimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
O anúncio foi feito pelo gestor provisório da Santa Casa, Luiz Alberto Kanamura, durante uma coletiva convocada pelo hospital. Segundo ele, a proposta de novo contrato não contempla a adequação financeira considerada necessária pela administração.
A direção informou que a equipe técnica decidiu não assinar o documento enquanto a questão não for resolvida. O hospital pretende apresentar uma proposta para ajustar a estrutura ao orçamento oferecido pelo estado e município.
"A proposta inicial é apresentar uma métrica de que nós nos adequamos ao orçamento que eles estão nos propondo. Ou seja, o hospital vai ter leitos que consigam atender esse número de financiamento que está sendo acordado", afirmou Kanamura.
A proposta deve ser apresentada na segunda-feira (19) ou terça-feira (20). Ainda não há definição sobre quantos leitos serão reduzidos ou quais serviços poderão deixar de ser oferecidos.
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Diogo Nolasco/ TV Morena
Santa Casa anuncia mais restrições
Enquanto as negociações continuam, a Santa Casa informou que vai restringir os atendimentos, em aproximadamente 24 horas, a pacientes em situação de emergência encaminhados oficialmente pela rede pública de saúde.
Segundo Kanamura, a medida ocorre porque o hospital enfrenta falta de materiais em áreas como hemodinâmica, ortopedia e cirurgia vascular, além de atrasos nos pagamentos de fornecedores e equipes médicas.
A direção explicou que pacientes que possam receber tratamento em outras unidades poderão ser redirecionados. A avaliação também poderá incluir pessoas já internadas, mas isso não significa que todos esses pacientes serão transferidos.
O hospital não informou quantas pessoas poderão ser afetadas.
Segundo o gestor, a restrição busca preservar os materiais disponíveis para os pacientes que precisam de atendimento emergencial.
"Se eu mantiver o paciente que pode ser atendido em outro lugar, vai faltar insumos para esses pacientes", explicou.
A direção também afirmou que a Santa Casa continuará recebendo pacientes por encaminhamento oficial da rede, mas pretende evitar novas internações de pessoas que possam ser atendidas em outros hospitais.
Não há prazo definido para o fim das restrições.
Hospital pode deixar de oferecer especialidades pelo SUS
Além das medidas imediatas, a direção informou que prepara uma reorganização dos serviços para adequar o funcionamento da Santa Casa ao novo contrato.
Segundo Kanamura, a proposta do estado e município é concentrar os atendimentos nas áreas consideradas prioritárias, como politrauma, neurocirurgia, neurologia clínica, ortopedia, cardiologia clínica e cirúrgica, cirurgia vascular e tratamento de queimados.
Outras especialidades poderão deixar de ser oferecidas pelo SUS. O gestor explicou que isso não significa necessariamente o fechamento de todos esses serviços, já que alguns poderão continuar por meio de atendimentos particulares. Outros poderão ser encerrados.
"Obviamente tem serviço que a Santa Casa deixará de ter", afirmou.
A redução do número de leitos também está entre as possibilidades analisadas pela equipe técnica. Segundo a direção, a intenção é manter uma estrutura compatível com o financiamento previsto no contrato.
Kanamura afirmou que a reorganização foi solicitada pelas secretarias de Saúde do estado e município. O hospital ainda não apresentou a relação dos serviços que poderão deixar de atender pacientes pelo SUS.
Ministério Público diz que novo contrato não resolve crise
Na audiência de quarta-feira (14), o Ministério Público alertou que o aumento dos repasses mensais previsto no novo contrato não será suficiente para resolver os problemas financeiros e estruturais da Santa Casa.
Segundo o MPMS, a proposta prevê um acréscimo de R$ 4 milhões por mês, mas os dados apresentados pela gestão hospitalar indicam que o déficit operacional poderá continuar entre R$ 15 milhões e R$ 19,7 milhões mensais.
O promotor de Justiça Marcos Dietz afirmou que a discussão precisa ir além da assinatura de um novo contrato e garantir que a população continue recebendo assistência.
"O que se pretende é que o hospital volte a prestar assistência à população e ao usuário do SUS", afirmou.
O Ministério Público também relatou situações de pacientes que permanecem internados por até 90 dias e pessoas que aguardam cerca de 60 dias para receber um marcapasso.
Outro problema apontado é o atraso nos pagamentos das equipes médicas. Segundo o órgão, a dívida com esses profissionais chega a aproximadamente R$ 40 milhões, com cerca de cinco meses de pagamentos pendentes.
A anestesiologia é uma das principais preocupações. Conforme o MPMS, a interrupção dos serviços desses profissionais pode comprometer o funcionamento de diferentes áreas do hospital.
Crianças já precisaram viajar mais de mil quilômetros para fazer cirurgia
Os efeitos da crise também aparecem nos atendimentos que deixaram de ser realizados em Campo Grande.
Na quarta-feira (14), o g1 mostrou que quatro crianças foram transferidas de Mato Grosso do Sul para hospitais de São Paulo após a suspensão das cirurgias cardíacas pediátricas na Santa Casa.
Os procedimentos eletivos estavam suspensos desde o fim de julho. Em setembro, o hospital comunicou oficialmente a suspensão temporária das cirurgias cardíacas pediátricas congênitas eletivas, após ficar sem a equipe médica especializada necessária para realizá-las.
A Santa Casa é a única unidade credenciada pelo SUS em Mato Grosso do Sul para esse tipo de cirurgia. Com a suspensão, pacientes precisaram ser encaminhados para atendimento em outros estados.
O caso é acompanhado pelo Ministério Público, que instaurou um inquérito civil para apurar as medidas adotadas para reduzir a fila de espera por cirurgias cardíacas pediátricas.
Apesar das sucessivas restrições, ainda não há previsão para a retomada integral dos atendimentos na Santa Casa.
A direção informou que as negociações sobre o novo contrato continuam e que o plano de adequação será apresentado aos órgãos envolvidos. O Ministério Público afirmou que seguirá acompanhando o caso e cobrando medidas para garantir a assistência aos pacientes do SUS.
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