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Estudante impedido de fazer vestibular da UFG por causa de bomba de insulina diz que se sentiu ‘acuado’

Estudante conta que foi impedido de fazer o vestibular da UFG por causa de bomba de insuli O estudante João Pedro Ladislau, de 17 anos, impedido de realizar a prova do vestibular da Universidade Federal de Goiás (UFG) por ausa do uso do Sistema de Infusão Contínua de Insulina, contou que se sentiu acuado e desamparado diante da situação. Em entrevista ao g1, o candidato, que convive com o diabetes

Por Redação Publicado em 30 de setembro de 2026 às 08:32 7 min de leitura

Conteúdo de G1 — ler no site de origem

Estudante impedido de fazer vestibular da UFG por causa de bomba de insulina diz que se sentiu ‘acuado’
Publicado originalmente por [fonte]

Estudante conta que foi impedido de fazer o vestibular da UFG por causa de bomba de insuli

O estudante João Pedro Ladislau, de 17 anos, impedido de realizar a prova do vestibular da Universidade Federal de Goiás (UFG) por ausa do uso do Sistema de Infusão Contínua de Insulina, contou que se sentiu acuado e desamparado diante da situação. Em entrevista ao g1, o candidato, que convive com o diabetes desde a infância e depende do aparelho, relatou que não conseguiu anexar o laudo médico no momento da inscrição.

“Durante o momento lá, eu me senti bastante acuado, triste, principalmente por ser uma prova tão importante para mim, que eu teria expectativa de passar”, desabafou o jovem.

Estudante conta que foi impedido de fazer o vestibular da UFG por causa de bomba de insulina

A prova aconteceu no domingo (27) e, antes do início da aplicação do exame, o estudante procurou a coordenação no local para informar que precisava usar a bomba de insulina. Mesmo tentando argumentar, o jovem disse que foi informado de que não poderia fazer a prova e acabou retirado do local.

O impacto emocional inicial, segundo João Pedro, só começou a diminuir após o apoio recebido com a repercussão do caso.

“Mas agora, com toda essa repercussão que está acontecendo, me sinto mais tranquilo. Muita gente já passou pela mesma coisa que eu e, cada vez mais o pessoal comentando, eu fico mais tranquilo”, disse.

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Ao g1, o Instituto Verbena informou que, para o uso de dispositivos médicos como a bomba de insulina, é necessário comunicar com antecedência a comissão organizadora por e-mail, pelo menos três dias antes da prova. De acordo com o instituto, “o candidato não formalizou a solicitação com a documentação exigida dentro do prazo previsto no edital” (leia a nota completa abaixo).

Estudante conta que foi impedido de fazer vestibular da UFG por causa da bomba de insulina

Reprodução/TV Anhanguera

Entenda o caso

Segundo a servidora Alana Ladislau, de 36 anos, mãe de João Pedro, o laudo médico comprovando a necessidade não havia sido anexado no momento da inscrição por um erro no sistema. Segundo ela, a inscrição, no valor de R$ 130, foi finalizada sem o documento.

Ao g1, Alana explicou que não registrou o erro por não imaginar que teria todo esse transtorno.

“Foi bobeira nossa não registrar esse erro, não imaginávamos que fosse gerar todo esse transtorno e não queríamos que tivesse acontecido. Quando eles pediram o erro respondendo ao e-mail que eu havia enviado, eu já havia feito e pago a inscrição”, disse.

De acordo com Alana, ela e o filho tentaram fazer a inclusão do laudo por e-mail, já que não haviam conseguido anexá-lo no momento da inscrição, mas receberam como opção apenas a realização de uma nova inscrição.

“No e-mail eles responderam que teria que pagar novamente a inscrição. Eles disseram que teria que informar até três dias antes da prova, porém tentamos contato dois meses antes”, completou.

Diagnóstico na infância

Segundo a mãe de João Pedro, o filho ficou muito ansioso porque tinha a expectativa de fazer uma prova que aguardava há muito tempo.

“Graças a Deus que agora tem a chance do Enem.”

Alana falou sobre a frustração com a situação do filho e explicou as limitações enfrentadas por pessoas com diabetes, especialmente crianças. Segundo ela, João Pedro convive com a doença desde o primeiro ano de vida.

“Muita coisa ele não lembra, mas teve o processo de negação dele na infância, vergonha de todos, tentando esconder e não querendo nem medir a glicemia na frente de ninguém... A bomba de insulina, além de ajudar no controle da glicemia, traz mais qualidade de vida para o diabético. Sem dúvidas, hoje é o melhor tratamento e, para eles que têm desde bebê, evita futuros problemas de saúde”, explicou.

‘Ele saiu da prova achando que era culpado’

A mãe do estudante, Alana, afirmou que a situação serviu como um aprendizado doloroso para o filho, que precisa lidar diariamente com o preconceito e a falta de informação.

“Infelizmente, não será a última vez que ele passará por isso. Por incrível que pareça, ele saiu da prova achando que era culpado, que estava cometendo um ‘crime’. Eu mostrei para ele que ele não pode se sentir assim, que a vida não dá moleza para ninguém, principalmente para quem tem diabetes. Ele tem que enfrentar as adversidades e saber dos seus direitos, pois esse aparelho salva a vida dele todos os dias e não é um crime usá-lo.”

Sem expectativa de nova prova

Sem expectativa de que a banca organizadora ofereça uma solução ou reaplique a prova, João Pedro tenta superar o episódio concentrando as atenções no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem):

“Eu não estou com nenhuma expectativa de fazer outra prova da UFG, [de] o Instituto Verbena elaborar uma nova prova para eu fazer, sei lá, mais alguns participantes. Eu estou com zero expectativa com isso. E agora a minha expectativa é o Enem, que é agora no final do ano. [Espero] que não aconteça o que aconteceu com a UFG e vai dar tudo certo.”

Nota do Instituto Verbena

"O Instituto Verbena/UFG esclarece que, antes da aplicação das provas, o candidato recebeu orientação sobre os procedimentos necessários para solicitar a condição especial para uso de bomba de insulina, inclusive quanto à indicação dessa necessidade no sistema e ao envio do laudo médico.

O Instituto esclarece que a solicitação de condição especial não estava condicionada ao pagamento de nova taxa de inscrição.

Diante da informação de que havia dificuldade para anexar o laudo médico, o Instituto solicitou o envio de uma captura de tela da mensagem de erro ou da tela apresentada, para que pudesse verificar a situação e adotar as providências necessárias. Esse registro não foi encaminhado ao Instituto e não foi identificada falha no sistema que impedisse o envio da documentação.

O Edital nº 16/2026, em seu item 5.12.1, estabelece que o candidato que utiliza bomba de insulina deve comunicar previamente a situação à Comissão Organizadora, pelo e-mail indicado no edital, e apresentar a documentação exigida, no prazo de até 3 (três) dias úteis antes da prova.

Embora tenha recebido orientação antes da aplicação, o candidato não formalizou a solicitação com a documentação exigida dentro do prazo previsto no edital. A situação foi apresentada novamente à coordenação somente no dia da prova, quando já não era possível realizar a análise prévia e adotar os procedimentos necessários.

Quanto à reaplicação da prova, o edital (Item 5.8) não prevê nova oportunidade para situações decorrentes da ausência de solicitação prévia da condição especial ou do descumprimento dos procedimentos e prazos estabelecidos.

O Instituto Verbena/UFG reafirma que prestou as orientações cabíveis antes da prova e que o cumprimento das regras previstas no edital busca garantir isonomia entre os candidatos, segurança e regularidade do processo seletivo.

Instituto Verbena/UFG"

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