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Estudo da Fiocruz detecta cocaína em rios do RJ e alerta para impactos ambientais

Estudo da Fiocruz detecta cocaína em rios do RJ Um estudo do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) detectou a presença de cocaína e de benzoilecgonina, principal metabólito da droga, em rios e canais da Região Metropolitana do Rio. Segundo os pesquisadores, a alta concentração dessas substâncias pode provocar impactos na fauna aquática e reforça o alerta sobre a poluição e a falta de tratamento ade

Por Redação Publicado em 9 de outubro de 2026 às 12:35 4 min de leitura

Conteúdo de G1 — ler no site de origem

Estudo da Fiocruz detecta cocaína em rios do RJ e alerta para impactos ambientais
Publicado originalmente por [fonte]

Estudo da Fiocruz detecta cocaína em rios do RJ

Um estudo do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) detectou a presença de cocaína e de benzoilecgonina, principal metabólito da droga, em rios e canais da Região Metropolitana do Rio. Segundo os pesquisadores, a alta concentração dessas substâncias pode provocar impactos na fauna aquática e reforça o alerta sobre a poluição e a falta de tratamento adequado de esgoto.

A pesquisa analisou amostras coletadas entre julho de 2022 e junho de 2023 nos rios Irajá, Carioca e Meriti, além dos canais do Mangue e do Cunha. Apenas uma das amostras não apresentou cocaína. Já a benzoilecgonina foi identificada em todas as coletas realizadas.

✅Clique aqui para seguir o canal do g1 RJ no WhatsApp A benzoilecgonina é uma substância produzida pelo organismo após o consumo da droga e eliminada principalmente pela urina. Por isso, ela é considerada um importante indicador da presença de cocaína em ambientes contaminados por esgoto.

"Foi uma grande surpresa encontrar em todas as amostras e o nível, que foi bem elevado em comparação com outros estudos", afirmou o coordenador do estudo, Enrico Saggioro, do Instituto Oswaldo Cruz.

Pesquisadores do Instituto Oswaldo Cruz encontraram cocaína em rios e canais do RJ

Jorge Bonacchi/ TV Globo

Os pesquisadores também investigaram os possíveis efeitos dessas substâncias sobre organismos aquáticos. Para isso, utilizaram embriões de zebrafish, um pequeno peixe amplamente empregado em pesquisas científicas.

Segundo a Fiocruz, os testes apontaram aumento da mortalidade dos embriões, além de alterações neurológicas e deformações no desenvolvimento dos animais expostos às substâncias encontradas nas águas analisadas.

Os impactos só não chegam aos seres humanos pois as águas dos rios são tão sujas que não há como os peixes sobreviverem nelas

Os cientistas destacam que os rios estudados apresentam alto nível de degradação ambiental, mas alertam que todos eles deságuam na Baía de Guanabara, onde há diversas espécies marinhas.

"Todos esses rios desembocam na Baía de Guanabara, que tem vida. Tem golfinhos, raias e diversas espécies de peixes. A população precisa estar atenta ao contato com essas substâncias nesses rios impactados. E a parte governamental também deve se atentar ao saneamento e à circulação dessa droga no território", disse Saggioro.

Os pesquisadores afirmam que a presença da cocaína nas águas indica dois problemas principais: o elevado consumo da droga e a ausência de tratamento capaz de remover esse tipo de contaminante do esgoto antes do descarte nos cursos d'água.

"Uma vez que a droga está chegando aos rios, significa que ela está circulando muito e que não estamos tratando esse esgoto para remover essas substâncias. E, se tem cocaína, há muitas outras substâncias e microrganismos chegando nesse mesmo nível. O alerta é esse: é uma droga de abuso que não deveria estar ali e está", afirmou o pesquisador.

Instituto Oswaldo Cruz encontrou cocaína em água coletada em rios e canais do RJ

Jorge Bonacchi/ TV Globo

Não é a primeira vez que cientistas da Fiocruz encontram vestígios de cocaína em ambientes aquáticos do estado. Em 2024, outro estudo identificou resíduos da droga em tubarões capturados no mar da Praia do Recreio dos Bandeirantes, na Zona Oeste do Rio.

Em nota, a Secretaria de Estado do Ambiente e Sustentabilidade e o Instituto Estadual do Ambiente (Inea) informaram que vêm realizando intervenções para ampliar o saneamento básico nos municípios do entorno da Baía de Guanabara por meio do Programa de Saneamento Ambiental.

Já a concessionária Águas do Rio afirmou que a concessão foi estruturada para enfrentar o déficit histórico de abastecimento de água e coleta e tratamento de esgoto. A empresa acrescentou que a presença de elementos químicos nos rios também está relacionada a fatores como drenagem urbana e outras fontes de poluição.

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