Ex-presidente suspeita de desvio milionário na Santa Casa escreve carta de renúncia da prisão: ‘Doente não é lucro’
Alir Terra. Divulgação. Alir Terra Lima renunciou ao cargo de presidente da Santa Casa de Campo Grande e deixou também a função de conselheira da instituição. A decisão foi comunicada pela defesa nesta quarta-feira (24), por meio de uma carta. Segundo o advogado Murilo Marques, a renúncia é irrevogável e foi tomada para permitir que a nova diretoria dê continuidade às ações iniciadas pela ex-presi
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Alir Terra.
Divulgação.
Alir Terra Lima renunciou ao cargo de presidente da Santa Casa de Campo Grande e deixou também a função de conselheira da instituição. A decisão foi comunicada pela defesa nesta quarta-feira (24), por meio de uma carta. Segundo o advogado Murilo Marques, a renúncia é irrevogável e foi tomada para permitir que a nova diretoria dê continuidade às ações iniciadas pela ex-presidente.
A agora, ex-presidente, ela está entre as pessoas presas no dia 11 de setembro, durante a Operação Antidotum. A ação investiga suspeitas de desvios e prejuízos de pelo menos R$ 4,9 milhões em contratos ligados à Santa Casa de Campo Grande.
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De acordo com o advogado, Alir decidiu deixar o cargo pensando na gestão do hospital e no atendimento aos pacientes.
“Ela tomou a decisão pensando no melhor para a gestão da Santa Casa e dos pacientes, para que a nova diretoria continue todas as ações que ela deu início, com a convicção de que ela não cometeu nenhum ilícito e que sempre deu seu melhor pela instituição”, afirmou a defesa.
Na carta, Alir afirma que a Santa Casa é uma instituição filantrópica que “salva vidas” e precisa continuar funcionando com uma gestão plena e sem entraves burocráticos. Ela também defende a continuidade das negociações e ações da instituição junto ao Ministério da Saúde.
No documento, Alir menciona os anos de trabalho dedicados à instituição e afirma que cumpriu sua missão à frente da Santa Casa. Ao final, diz que sua atuação teve como princípio evitar que o paciente fosse tratado como “objeto de lucro”.
A defesa confirmou que a carta é verdadeira e informou que a renúncia é irrevogável.
Carta de renuncia feita a mão pela diretora-presidente da Santa Casa, Alir Terra Lima
Arquivo pessoal
Afastamento da diretoria corporativa e do conselho de administração
A Justiça determinou nesta quinta-feira (24) o afastamento da diretoria corporativa, do Conselho de Administração da Santa Casa e de uma supervisora. A decisão ocorreu no âmbito da investigação que apura suspeitas de desvio de recursos do hospital.
Além do afastamento, a Justiça proibiu os integrantes da diretoria corporativa de voltar aos cargos em novas eleições. O hospital informou que não vai se manifestar sobre o caso.
Clique aqui e veja os nomes dos afastados.
Ministério Público em operação na Santa Casa de Campo Grande
Gabi Cenciarelli
Operação Antidotum
A Operação Antidotum, deflagrada pelo Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc) e pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), cumpriu seis mandados de prisão preventiva e 36 de busca e apreensão em Campo Grande e Dourados, em Mato Grosso do Sul, e em Goiânia, em Goiás.
A investigação começou a partir de suspeitas em um contrato da Associação Beneficente Santa Casa de Campo Grande para a digitalização de prontuários médicos. O acordo previa pagamento de R$ 1,8 milhão por ano durante três anos, totalizando R$ 5,4 milhões.
Segundo o MPMS, cerca de R$ 1,4 milhão teriam sido desviados somente no primeiro ano do contrato.
A investigação também identificou suspeitas em contratos da Operadora Santa Casa Saúde, controlada pela associação. Segundo o Ministério Público, os contratos foram firmados com empresas do mesmo grupo econômico. O proprietário dessas empresas teria ligação com integrantes da diretoria do hospital.
Além de Alir, também foram presos outros integrantes da administração do hospital:
Alessandro Dias Junqueira, diretor administrativo da Santa Casa;
Rinaldo Romano, diretor administrativo financeiro da Santa Casa;
Paulo Guilherme Gutierre Mariosa, diretor de Finanças Adjunto da Santa Casa;
Monique Gregório, supervisora do Serviço de Arquivo Médico e Estatística da Santa Casa;
Mauricio Aparecido Benites, empresário.
Santa Casa de Campo Grande é alvo de operação que apura desvios milionários no hospital
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