Feira de Santana através do tempo e as transformações que mudaram a paisagem da cidade
Centro comercial de Feira de Santana Jorge Magalhães Feira de Santana, a segunda maior cidade da Bahia, completa 193 anos nesta quinta-feira (18). Ao longo das décadas, espaços que faziam parte da rotina dos moradores passaram por modificações e, ganharam novas funções ou deram lugar a outras formas de ocupação. O resultado pode ser visto na paisagem da cidade e também nas lembranças de quem acomp
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Centro comercial de Feira de Santana
Jorge Magalhães
Feira de Santana, a segunda maior cidade da Bahia, completa 193 anos nesta quinta-feira (18). Ao longo das décadas, espaços que faziam parte da rotina dos moradores passaram por modificações e, ganharam novas funções ou deram lugar a outras formas de ocupação. O resultado pode ser visto na paisagem da cidade e também nas lembranças de quem acompanhou de perto as mudanças ocorridas ao longo dos anos.
O crescimento também aparece nos números. A população do município passou de cerca de 406 mil habitantes em 1991 para aproximadamente 616 mil em 2022 — um aumento de cerca de 210 mil pessoas, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Para o engenheiro civil e doutor e pós-doutor em transporte e planejamento urbano Allan Pimenta, "Feira de Santana mudou de escala e de forma".
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Ele explica que o aumento populacional foi acompanhado pela expansão territorial do município e por mudanças na maneira como moradia, trabalho, comércio, serviços e transporte passaram a se distribuir pela cidade.
Espaços que atravessaram as mudanças
Enquanto novos bairros e áreas de ocupação surgiram, espaços que fazem parte da história de Feira de Santana continuaram presentes na paisagem urbana. Alguns deles mudaram de função ao longo do tempo, mas mantiveram vínculos com a memória, a cultura e a identidade do município. Relembre alguns desses locais:
Mercado de Arte Popular (MAP)
Mercado de Arte Popular
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Um desses lugares é o Mercado de Arte Popular (MAP), cuja história começou ainda no antigo Mercado Municipal, construído no início do século XX para abrigar atividades comerciais. Com a transferência da feira para o Centro de Abastecimento, em 1977, o antigo mercado deixou de exercer sua função original e, em 1980, passou a ser chamado de Mercado de Arte Popular.
Nas décadas seguintes, o espaço incorporou atividades ligadas ao artesanato, comércio, gastronomia e manifestações culturais. A presença de comerciantes que permanecem no local há anos também contribuiu para transformar o MAP em um espaço de memória e convivência.
Para a geógrafa Nacelice Freitas, doutora em Geografia pela Universidade Federal de Sergipe (UFS) e mestre em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Federal da Bahia (Ufba), a preservação do MAP deve estar ligada também à participação dos próprios moradores de Feira de Santana, e não somente ao turismo.
Feiraguay
Feiraguay
CEDOC/TV SUBAÉ
Outro espaço que ganhou força ao longo das últimas décadas foi o Feiraguay. Consolidado a partir dos anos 1990, o espaço se tornou uma referência do comércio popular e passou a influenciar o fluxo de pessoas e atividades comerciais na região central.
O especialista em transporte e planejamento urbano Allan Pimenta ressalta que a trajetória do Feiraguay mostra uma característica histórica de Feira de Santana: a capacidade de conectar pessoas, mercadorias e oportunidades de negócio. O comércio popular também contribuiu para transformar os fluxos de pedestres e a dinâmica dos estabelecimentos localizados no entorno.
Paço Municipal
Paço municipal
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No coração da cidade, o Paço Municipal continua como uma das principais referências arquitetônicas de Feira de Santana. Inaugurado em 1926, o prédio abrigou diferentes instituições e concentrou funções administrativas importantes, como a prefeitura, a Câmara Municipal, o Fórum e o Posto de Higiene.
Centro Universitário de Cultura e Arte (Cuca)
CUCA - Centro Universitário de Cultura e Arte da UEFS
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A relação entre patrimônio, cultura e transformação também aparece no Centro Universitário de Cultura e Arte (Cuca). Criado em 1995, o espaço ocupa o antigo prédio da Escola Normal e manteve a ligação histórica com a educação, ao mesmo tempo em que passou a receber atividades de formação artística, apresentações e projetos culturais.
Ligado à Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs), o Cuca também reuniu equipamentos como o Museu Regional e o Seminário de Música. Para Nacelice, a recuperação e a manutenção de espaços como esse ajudam a preservar não apenas construções, mas também a memória cultural da cidade.
Casarão Olhos D’Água
Casarão Olhos D'água
CEDOC/TV SUBAÉ
O Casarão Olhos D’Água também ajuda a contar uma história que atravessa diferentes períodos de Feira de Santana. O imóvel passou por momentos de deterioração e intervenções até ser utilizado como espaço cultural.
De acordo com Nacelice Freitas, o casarão é importante para compreender as narrativas sobre a formação da cidade. A geógrafa ressalta que, apesar de uma ideia difundida de que o imóvel teria sido a primeira casa de Feira de Santana, a história da ocupação do município é mais complexa e envolve outras construções que existiam na região central.
A preservação desses lugares mostra que a transformação urbana não acontece apenas pela construção de novos prédios e pela abertura de novas áreas. Trata-se de um processo que envolve a permanência de referências que ajudam a contar como a cidade chegou à sua configuração atual.
Entre a memória e a transformação
Aos 102 anos, Eulália Lopes Araújo carrega na memória uma Feira de Santana diferente da atual. Ela chegou ao município em 1975 e acompanhou mudanças na paisagem urbana, especialmente na Avenida Getúlio Vargas, onde, segundo suas lembranças, predominavam casas e havia poucas das construções que hoje marcam a região.
"A cidade cresceu muito, demais! Com prédios grandes, condomínios, e asfalto que não tinha naquela época", lembra.
Pós-doutor em planejamento urbano, Allan Pimenta pontua que, mesmo com a expansão e as mudanças na organização do território, o município preservou uma característica que acompanha sua formação. "Ao longo desse processo, a cidade conseguiu manter sua identidade como lugar de comércio, circulação e encontro".
É nessa convivência entre passado e presente que Feira de Santana chega a mais um aniversário. Uma cidade que se transforma, incorpora novas paisagens e formas de ocupação, mas continua carregando, na memória de seus moradores e em seus espaços, as marcas de diferentes momentos de sua história.
*Estagiária sob supervisão da editora Ailma Teixeira
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