Fim da escala 6x1: como reclamação de balconista de farmácia nas redes virou pauta aprovada no Congresso; ouça 'O Assunto'
O desabafo de um balconista de farmácia nas redes sociais ajudou a transformar o fim da escala 6x1 em uma pautas importante do debate político brasileiro. A Proposta de Emenda à Constituição foi aprovada no Congresso nesta quarta-feira (14). LEIA TAMBÉM: Fim da escala 6x1 também afeta quem trabalha de segunda a sexta; veja o que muda Em 2023, Rick Azevedo publicou em 2023 um vídeo em que reclamava
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O desabafo de um balconista de farmácia nas redes sociais ajudou a transformar o fim da escala 6x1 em uma pautas importante do debate político brasileiro. A Proposta de Emenda à Constituição foi aprovada no Congresso nesta quarta-feira (14). LEIA TAMBÉM: Fim da escala 6x1 também afeta quem trabalha de segunda a sexta; veja o que muda
Em 2023, Rick Azevedo publicou em 2023 um vídeo em que reclamava da rotina de trabalhar seis dias para ter apenas um de descanso. A publicação viralizou, impulsionou um movimento nas redes sociais e, depois de ser encampada pela deputada Érika Hilton (PSOL-SP) e pelo governo Lula, a pauta avançou no Congresso.
Rick é vereador no Rio de Janeiro e foi eleito deputado federal na última eleição, a maior votação de um político de esquerda no estado do Rio de Janeiro. Azevedo é filiado ao PSOL, mesmo partido de Érika Hilton, que assumiu a proposta depois que o movimento ganhou força nas redes.
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No vídeo publicado em 2023, Rick dizia estar revoltado com a escala 6x1. Ele afirmava que, mesmo sem filhos e vivendo sozinho, não conseguia fazer outras coisas durante a semana. Também questionava como seria a rotina de quem precisa conciliar o trabalho com os cuidados com filhos, marido e casa.
A publicação ajudou a dar força ao movimento. Para Bernardo Melo Franco, jornalista entrevistado pelo podcast "O Assunto", este é um exemplo de uma nova forma de articulação política, que não nasceu nos partidos tradicionais nem nos sindicatos, mas a partir de uma iniciativa individual nas redes sociais.
"Essa é uma história interessante porque fala um pouco dessa nova política digital que a gente tá aprendendo a acompanhar", afirmou o jornalista.
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Caminho da proposta até o Congresso
A proposta de mudança na jornada chegou à Câmara dos Deputados em 2025. O texto combinava uma proposta apresentada em 2019 pelo deputado Reginaldo Lopes (PT-MG) com uma nova versão apresentada pela deputada Érika Hilton (PSOL). Com o avanço da mobilização, o governo federal passou a apoiar a pauta.
A proposta prevê duas folgas remuneradas por semana, que não precisam ser consecutivas, mas com preferência para que uma delas seja no domingo. Também reduz a jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, sem redução de salário.
O texto estabelece ainda um período de transição de 14 meses para as empresas. A nova regra começaria a valer dois meses depois da aprovação definitiva pelo Congresso.
Na Câmara, a PEC foi aprovada em primeiro turno por 472 votos a 22. No segundo turno, foram 461 votos favoráveis e 19 contrários. Depois, o texto seguiu para o Senado.
Por que a votação demorou?
A proposta ficou parada no Senado depois da aprovação na Câmara. Para Bernardo Melo Franco, houve dois fatores principais para a demora.
O primeiro foi o calendário eleitoral. Como os parlamentares estavam envolvidos nas campanhas em seus estados, houve poucas janelas de trabalho legislativo entre maio e outubro.
O segundo foi uma decisão do presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Segundo Franco, Alcolumbre teria guardado a proposta para colocá-la em votação depois do primeiro turno das eleições. A intenção seria evitar que os senadores votassem sob influência direta da disputa eleitoral.
Alcolumbre afirmou que havia assumido publicamente o compromisso de pautar a proposta depois das eleições. Ao anunciar a votação, disse que a mudança para cinco dias de trabalho e dois de descanso poderia parecer pequena, mas seria uma transformação significativa para trabalhadores que passam boa parte do dia no deslocamento e no emprego.
Por que o fim da 6x1 ganhou apoio?
A proposta tem apoio de cerca de sete em cada dez brasileiros, segundo pesquisa Datafolha. Para os defensores da mudança, o segundo dia de descanso permitiria ao trabalhador cuidar da casa, acompanhar os filhos, descansar e até buscar uma renda extra.
O professor de economia Pedro Fernando Neri, também ouvido pelo episódio, afirmou que experiências internacionais de redução da jornada não mostram, em geral, efeitos relevantes nem para o aumento nem para a redução do emprego. Segundo ele, alguns setores podem sofrer mais com a mudança, enquanto outros podem se beneficiar do aumento do tempo disponível para consumo.
Empresários contrários à proposta, por outro lado, argumentam que a redução da jornada aumentaria o custo da mão de obra, poderia reduzir a produtividade e levar a demissões. A Confederação Nacional do Comércio (CNC), segundo o episódio, afirma que empresas teriam de contratar mais trabalhadores, reorganizar horários ou pagar mais para manter o funcionamento.
O plenário do Senado votou e aprovou nesta quarta-feira (14) a PEC que limita a jornada semanal de trabalho a 40 horas e estabelece uma escala de dois dias de descanso remunerado para cinco dias trabalhados: foram 75 votos a favor e 1 contra nos dois turnos. O movimento contra a escala 6x1 ganhou força nas redes sociais em 2023, quando o então balconista Rick Azevedo (que depois seria eleito vereador no Rio de Janeiro e, agora, deputado federal pelo Psol) publicou um vídeo que viralizou. Em 2025, a PEC foi apresentada na Câmara, onde foi aprovada em maio deste ano e enviada ao Senado. A pauta já contava com o apoio do governo e era uma das bandeiras de campanha de Lula (PT). A oposição se posicionava contra o texto, mas, na terça-feira, Flávio Bolsonaro (PL) mudou de posição e declarou voto favorável à PEC. Neste episódio, Natuza Nery conversa com o jornalista Bernardo Mello Franco sobre a tramitação política da PEC e as negociações que levaram à sua aprovação. Bernardo analisa os potenciais impactos dessa pauta para os eleitores e para a economia. Convidado: Bernardo Mello Franco, colunista do jornal O Globo e da rádio CBN. O podcast O Assunto é produzido por: Luiz Felipe Silva, Carlos Catelan, Luiz Gabriel Franco, Juliene Moretti, Stéphanie Nascimento, Marco Antônio Martins e Thomé Granemann. Na apresentação: Natuza Nery.
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O Assunto é o podcast diário produzido pelo g1, disponível em todas as plataformas de áudio e no YouTube. Desde a estreia, em agosto de 2019, o podcast O Assunto soma mais de 168 milhões de downloads em todas as plataformas de áudio.
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Jonas Pereira/Agência Senado