Gal Leite (UP) propõe reestatização de serviços e contratação local para habitação no Pará
Veja íntegra da entrevista com Gal Leite, candidata ao governo do Pará pela UP A candidata ao governo do Pará pelo partido Unidade Popular (UP), Gal Leite, defendeu nesta quinta-feira (17) a reestatização dos serviços de água e energia elétrica no estado. Ela também defendeu o uso de mão de obra local para baratear a construção de moradias populares. As declarações foram dadas durante entrevista
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Veja íntegra da entrevista com Gal Leite, candidata ao governo do Pará pela UP
A candidata ao governo do Pará pelo partido Unidade Popular (UP), Gal Leite, defendeu nesta quinta-feira (17) a reestatização dos serviços de água e energia elétrica no estado.
Ela também defendeu o uso de mão de obra local para baratear a construção de moradias populares. As declarações foram dadas durante entrevista ao vivo no Jornal Liberal 1ª Ed. nesta quinta-feira (17).
"O estado não pode abrir mão da água, que é um direito humano, privatizar e ver as coisas acontecerem e não tentar puxar as rédeas de volta", afirmou a candidata.
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Candidata ao governo do Pará Gal Leite
Reprodução
A entrevista faz parte de uma série de sabatinas realizadas pela TV Liberal com os candidatos ao governo do Pará. O objetivo é apresentar em detalhes as propostas dos concorrentes ao cargo de chefe do Executivo estadual.
As entrevistas têm 10 minutos e são realizadas pelo Jornal Liberal 1ª Edição, de 14 a 21 de setembro. A ordem das entrevistas é inversa à pontuação na última pesquisa Quaest. Foram convidados os seguintes candidatos (na ordem de entrevista):
Ruth Reis (DEMOCRATA) - segunda-feira, 14
Araceli (PSOL) - terça-feira, 15
Well Macedo (PSTU) - quarta-feira, 16
Gal Leite (UP) - quinta-feira, 17
Hana Ghassan (MDB) - sexta-feira, 18
Dr. Daniel (PODE) - segunda-feira, 21
Habitação com mão de obra local e parcerias federais
Questionada sobre como pretende viabilizar a ampliação do orçamento para a habitação popular, que prevê construção, reforma e regularização de moradias, Gal Leite explicou que buscará convênios com o governo federal, utilizando recursos do programa Minha Casa, Minha Vida, além de aportes de impostos estaduais.
A candidata descartou a necessidade de remanejar verbas de outras áreas do orçamento. Segundo ela, a estratégia para reduzir custos e gerar emprego será a contratação direta de moradores das próprias comunidades para trabalharem nas obras, dispensando a terceirização por meio de grandes construtoras.
"A gente pretendia fazer a contratação emergencial de pessoas do próprio bairro ou da cidade onde se vai construir, onde se vai planejar esse bairro urbanizado, e com isso a gente economizaria muito, porque a gente não precisaria terceirizar", explicou a candidata, garantindo que os municípios paraenses possuem os insumos e a mão de obra necessários para a execução dos projetos.
Reestatização da água e energia elétrica
Outro ponto de destaque no plano de governo da UP é a reestatização dos serviços de saneamento básico e energia elétrica. Gal Leite criticou o modelo de concessão privada e defendeu o fortalecimento de empresas públicas, citando como exemplo a atuação de estatais estrangeiras na própria Amazônia.
"Você vê, por exemplo, a Hydro, que é uma empresa norueguesa, é uma estatal, e ela consegue fazer convênios aqui, trabalhar na Amazônia com retirada de alumínio e produzir recursos financeiros para o país dela. E por que a Cosanpa (...) a gente não deveria investir?", questionou.
Para tornar a gestão estatal eficiente, a candidata propôs a valorização do conhecimento técnico local e parcerias com instituições de ensino superior do estado. Ela citou, como exemplo de inovação, filtros desenvolvidos pela Universidade Federal do Pará (UFPA) à base de caroço de açaí. Gal Leite também afirmou que os contratos atuais de concessão de água devem ser revistos devido a falhas frequentes no abastecimento em diversas regiões do estado.
Preservação ambiental e oposição ao modelo predatório
Em pergunta enviada pela TV Tapajós sobre como conciliar grandes projetos de mineração, portos e hidrovias no oeste do Pará com a conservação da floresta, a candidata posicionou-se a favor do desmatamento zero. Para ela, a infraestrutura do estado não depende da derrubada de novas áreas verdes.
"Como está a Amazônia, não se precisa desmatar mais nada para a gente conseguir construir qualquer coisa", declarou.
Gal Leite defendeu a necessidade de debater o desenvolvimento da região diretamente com as populações tradicionais, garantindo a permanência de ribeirinhos em seus territórios e combatendo o êxodo rural. De acordo com a candidata, o modelo exploratório atual gera conflitos no campo e não reverte em melhoria real na qualidade de vida dos moradores locais.
Combate ao crime organizado e foco na corrupção
Na área de segurança pública, a candidata detalhou sua proposta de asfixia financeira das facções criminosas por meio de uma ação conjunta entre as polícias estadual e federal. Segundo Gal Leite, a primeira medida concreta de sua gestão seria o combate rigoroso à corrupção interna e à lavagem de dinheiro que financia crimes ambientais.
"A primeira medida é combater a corrupção. (...) Para isso, a gente tem que enfrentar o tráfico, por exemplo, o tráfico de animais, quem é que financia? O tráfico de madeira, quem financia? A gente vê no nosso estado grandes empresas e pessoas praticando crimes", afirmou.