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Golpe com IA: os sinais que você aprendeu a procurar já não funcionam tão bem; veja como se proteger

Operação contra fraude financeira Entre as fraudes que mais avançam está o roubo de contas. Dados do relatório da Unico em parceria com a Liminal estimam 6 milhões de vítimas em 2025, um aumento de 141% em relação a 2021. Também chama atenção a injeção de imagens e vídeos manipulados, que representa 45,8% dos casos classificados. O avanço da inteligência artificial está mudando o perfil dos frauda

Por Redação Publicado em 28 de setembro de 2026 às 04:00 8 min de leitura

Conteúdo de G1 — ler no site de origem

Golpe com IA: os sinais que você aprendeu a procurar já não funcionam tão bem; veja como se proteger
Publicado originalmente por [fonte]

Operação contra fraude financeira

Entre as fraudes que mais avançam está o roubo de contas. Dados do relatório da Unico em parceria com a Liminal estimam 6 milhões de vítimas em 2025, um aumento de 141% em relação a 2021. Também chama atenção a injeção de imagens e vídeos manipulados, que representa 45,8% dos casos classificados.

O avanço da inteligência artificial está mudando o perfil dos fraudadores. Golpes que, até pouco tempo, exigiam grupos criminosos especializados, equipamentos caros e conhecimento técnico passaram a poder ser executados de forma praticamente doméstica, com ferramentas disponíveis por cerca de US$ 30 (R$ 153) por mês. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1

Por isso mesmo, especialistas ouvidos pelos g1 orientam que mudar a forma como o consumidor identifica uma possível fraude pode ser crucial. Os sinais visuais que durante muito tempo ajudaram a perceber uma imagem falsa, como dedos deformados, ausência de piscadas ou um rosto com aparência artificial, não são mais eficazes. “A tecnologia evolui rapidamente e esses defeitos estão ficando mais raros. Os modelos evoluíram justamente para corrigir esses defeitos”, explica Rodolfo Avelino, professor no Insper e especialista em tecnologia.

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Ainda podem aparecer falhas, principalmente em determinadas situações. Segundo Avelino, uma pessoa pode levantar suspeitas quando vira o rosto de perfil ou pronuncia sons que exigem o fechamento dos lábios, por exemplo.

🔎 Imagens borradas e diferenças entre a voz e o movimento da boca também podem ser sinais de alerta.

Mas esses problemas, sozinhos, não são suficientes para confirmar uma fraude. Por isso, o leitor deve prestar atenção à situação e aos sinais:

Pedido inesperado de dinheiro; Urgência emocional; Pressão para agir sem pensar; e Tentativa de impedir a confirmação por outro canal são sinais mais importantes.

A orientação é adotar um procedimento simples: interromper a conversa e procurar a pessoa ou a instituição por um caminho independente. “A melhor defesa, neste sentido, não é tentar vencer a IA no olho, mas adotar um protocolo. Na prática, vale interromper a conversa, ligar para um número já conhecido e fazer uma pergunta que somente a pessoa real saberia responder”, afirma Avelino.

Em empresas, pedidos que fogem do padrão também devem ser confirmados diretamente com o responsável por um canal interno. Qual estado do Brasil tem mais crimes com IA?

No Brasil, São Paulo aparece isoladamente como o estado com maior participação nos alertas de fraude, com 22,06% das ocorrências. Segundo o relatório, essa concentração acompanha os polos de maior atividade digital do país.

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Luis Felipe Monteiro, CEO da Unico para a América Latina, afirma que esse avanço da IA amplia significativamente o número de pessoas capazes de tentar uma fraude. "O criminoso é alguém que está 24 horas por dia, os 7 dias da semana, tentando encontrar uma brecha no sistema", explica. "O mercado sempre vai estar atrás do fraudador".

A IA se tornou um combustível

Segundo o especialista, a IA reduziu as barreiras para a prática desses crimes e transformou operações que antes eram complexas em atividades que podem ser realizadas por um único fraudador.

O custo para executar ataques sofisticados já foi 100 vezes maior, enquanto os casos de injeção de imagens e vídeos manipulados cresceram nove vezes só entre junho de 2025 e abril de 2026.

Os ataques mais avançados, que incluem deepfakes e manipulações físicas, representam 23,3% dos casos no mundo, mas chegam a quase metade das ocorrências na América Latina.

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O risco que você está correndo e não sabe

Para o CEO, o principal risco hoje é justamente o deepfake — quando a inteligência artificial cria ou altera um rosto, uma voz ou um vídeo para fazer uma pessoa parecer ser quem não é. “Hoje o deepfake é a principal ameaça do ambiente digital como um todo, gerado por plataformas de IA”, diz.

A preocupação é que o criminoso não precise mais invadir diretamente o sistema de um banco. Em vez disso, ele pode tentar entrar pela “porta da frente”, apresentando-se como um cliente legítimo. O avanço das tecnologias usadas nas fraudes chegou a um ponto em que identificar uma falsificação a olho nu se tornou extremamente difícil. É por isso que Rodolfo Avelino, professor no Insper, recomenda que a pessoa não tente descobrir, durante a própria chamada, se está diante de um conteúdo falso. Para ele, o procedimento mais seguro é desligar e procurar a pessoa ou a instituição por outro canal.

“A primeira regra é simples. Se o pedido envolve dinheiro, dados pessoais ou códigos de acesso, a verificação precisa acontecer fora do contato que trouxe o pedido”, afirma.

Ainda na seção de identidade, o relatório mostra que a América Latina apresenta uma concentração de fraudes de identidade sintética muito acima da média global. 🔎 A identidade sintética ocorre quando o criminoso combina informações verdadeiras com dados falsos para criar uma pessoa que, na prática, não existe. Por exemplo, utilizar o CPF de alguém com um nome inexistente.

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É um tipo de crime particularmente difícil de perceber porque não há necessariamente uma vítima real usando aquela identidade para denunciar o golpe. Essa categoria cresce oito vezes ao ano e 79% dos profissionais da área acreditam que ela vai acelerar mais rapidamente do que qualquer outro tipo de fraude.

Brasil virou terreno fértil para o avanço dos golpes

O país reúne algumas das condições que, na avaliação do executivo, aceleraram tanto a digitalização quanto a evolução das fraudes. São mais de 200 milhões de aparelhos celulares para uma população de aproximadamente 215 milhões de pessoas. O brasileiro também passa, em média, 52 anos da vida conectado online, por volta de nove horas por dia. “Nós somos usuários ativos de ambiente digital”, afirma Luis Felipe Monteiro, CEO da Unico para a AL.

A rápida migração de serviços para o ambiente digital criou, segundo ele, uma oportunidade para os criminosos. O movimento ocorreu de forma particularmente intensa no sistema financeiro, que passou a permitir que praticamente todas as operações fossem realizadas pelos canais digitais.

“Onde antes era um crime que exigia logística [...] se tornou muito mais simples e muito mais protegido do ponto de vista do fraudador ele fazer isso no ambiente digital”, diz Monteiro.

Outro achado do levantamento é que os criminosos distribuem suas tentativas entre diferentes métodos. Isso torna a defesa mais difícil porque não existe um único ponto que, uma vez protegido, resolva o problema. As empresas precisam lidar simultaneamente com diferentes formas de ataque.

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Um mesmo fraudador pode atacar 30 empresas

Outro aspecto que chama atenção é a escala da atuação dos criminosos. Dados da rede da Unico identificaram um único perfil associado a 949 documentos de identidade diferentes e ligado a tentativas de ataque contra 30 empresas distintas.

Isso significa que um criminoso identificado em uma empresa pode simplesmente tentar novamente em outra, caso as instituições não compartilhem sinais capazes de mostrar que aquele comportamento já foi identificado.

Mas o que fazer se, apesar dos cuidados, a pessoa cair no golpe?

“No primeiro momento, a prioridade é estancar o prejuízo, recuperar os acessos e preservar as provas”, afirma Avelino.

Se houve um PIX, a vítima deve contestar a transação imediatamente pelo aplicativo ou canal oficial do banco e pedir o acionamento do Mecanismo Especial de Devolução, conhecido como MED. Esse é o procedimento criado pelo Banco Central para que os bancos analisem a fraude e tentem bloquear e devolver o dinheiro que ainda estiver nas contas envolvidas. A devolução, porém, não é garantida.

Se senhas ou dados bancários foram informados, é preciso bloquear cartões, encerrar os acessos abertos e trocar as senhas. A prioridade deve ser o e-mail, porque normalmente é por ele que as outras contas são recuperadas. 🔎 Caso utilize a mesma senha para diversos serviços, também é preciso alterá-la nos outros sistemas.

Se houve envio de uma imagem íntima ou comprometedora, a orientação é não pagar, não negociar e não enviar mais conteúdo. A vítima deve guardar as mensagens, o perfil, o número utilizado e os links antes de denunciar a conta e pedir a remoção do material na plataforma.

Em todos os casos, é importante guardar comprovantes, conversas, horários e dados usados pelo golpista, além de registrar um boletim de ocorrência. Mas não se deve esperar pelo boletim para avisar o banco ou bloquear as contas.

“O teste mais simples e mais difícil de contornar continua sendo desligar e procurar a pessoa ou a instituição por um caminho independente”, afirma Avelino, do Insper. “Enquanto houver dúvida, nenhum dinheiro, dado ou código deve ser enviado.”

Fraudes.

Divulgação/Unico

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