Irã nega retomada das negociações com os Estados Unidos
Presidente do Irã rebate ameaças de Trump na ONU A agência de notícias oficial iraniana Irna afirmou, nesta segunda-feira (28), que não há negociações previstas entre o Irã e os Estados Unidos, apesar de Donald Trump ter sugerido que poderiam ser retomadas rapidamente. Neste domingo (27), um dia depois de rejeitar um plano apresentado por Teerã para reabrir em sete dias o Estreito de Ormuz, o pres
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Presidente do Irã rebate ameaças de Trump na ONU
A agência de notícias oficial iraniana Irna afirmou, nesta segunda-feira (28), que não há negociações previstas entre o Irã e os Estados Unidos, apesar de Donald Trump ter sugerido que poderiam ser retomadas rapidamente.
Neste domingo (27), um dia depois de rejeitar um plano apresentado por Teerã para reabrir em sete dias o Estreito de Ormuz, o presidente americano afirmou que esperava que as conversas com o Irã fossem retomadas em breve em entrevista ao site americano Axios.
No entanto, de acordo com a agência, o regime iraniano já deixou claras as sete condições que impõe para encerrar a guerra e a delegação do país que viajou aos EUA para a Assembleia Geral da ONU retornará nesta terça-feira (29).
"A delegação iraniana presente em Nova York (para a Assembleia Geral da ONU) não tem intenção de negociar com os Estados Unidos. Os pontos de vista e as posições da República Islâmica do Irã foram comunicados de forma clara e explícita à parte americana na terça-feira passada por um mediador do Catar", declarou uma fonte.
Ministro do Irã diz que ainda espera saída diplomática
O que está por trás do impasse entre Irã e EUA
Neste domingo, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, afirmou em uma rede social que o Irã ainda espera uma saída diplomática para o conflito com os Estados Unidos e Israel. "Nossas condições são claras, e qualquer medida para reabrir o Estreito de Ormuz depende do cumprimento dessas condições. Somente uma solução negociada pode tirar as partes desse impasse", escreveu.
Barcos no Estreito de Ormuz, vistos de Musandam, em Omã
REUTERS/Stringer
A proposta de paz que, segundo Teerã, foi encaminhada aos Estados Unidos por meio de mediadores do Catar foi apresentada no dia 19.
No sábado, Trump disse ter rejeitado o plano e afirmou que a pressão militar estaria levando os iranianos a buscar um acordo para a reabertura da importante rota marítima.
"Eles querem fechar um acordo para abrir o Estreito de Ormuz imediatamente porque estão perdendo feio", declarou Trump a jornalistas na Casa Branca.
Apesar das declarações públicas do presidente norte-americano, Araqchi afirmou que o Irã ainda não recebeu, pelos canais diplomáticos, uma resposta oficial dos Estados Unidos.
"Estamos aguardando que os mediadores nos transmitam as posições definitivas e tomaremos uma decisão com base nelas", escreveu o ministro.
Os Estados Unidos mantêm um bloqueio econômico contra o Irã e pressionam Teerã a interromper os ataques contra embarcações que cruzam o Estreito de Ormuz. Os confrontos reduziram significativamente o tráfego marítimo na região, apesar de Trump afirmar repetidamente que os EUA controlam a via navegável.
O comandante-chefe do Exército iraniano, Amir Hatam, afirmou que a guerra atravessa uma fase "crítica e decisiva" e reiterou que o país não aceitará uma situação em que seja impedido de comercializar seus produtos enquanto outras potências continuem utilizando as rotas estratégicas da região.
"Se o Irã não puder comercializar, se o Irã não puder viver, ninguém poderá comercializar ou viver", disse, segundo a mídia estatal iraniana.
Arábia Saudita também enfrenta pressão
As tentativas anteriores de negociação não conseguiram encerrar o conflito, iniciado em 28 de fevereiro com ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã.
Desde então, a guerra tem alternado períodos de trégua e novas ofensivas. O conflito já deixou milhares de mortos, enfraqueceu as forças convencionais iranianas e agravou os problemas da economia do país.
Em resposta, o Irã e seus aliados ampliaram a disputa para outras partes do Oriente Médio. Teerã realizou ataques com drones e mísseis contra aliados dos Estados Unidos na região do Golfo, enquanto os rebeldes houthis, apoiados pelos iranianos, atacaram alvos ligados à Arábia Saudita.
Neste mês, a Arábia Saudita passou a enfrentar maior pressão com o avanço dos houthis no Iêmen. Segundo relatos, os combatentes obtiveram vitórias contra forças do governo iemenita apoiado pelos sauditas e passaram a ameaçar rotas ligadas às exportações de petróleo pelo Mar Vermelho.
Em meio ao aumento das tensões, moradores de Riade relataram ter recebido comunicados de escolas informando que as aulas seriam realizadas remotamente ao longo da semana.
As mensagens não explicavam o motivo da medida. As autoridades sauditas também não comentaram o assunto imediatamente.
Enquanto isso, o Ministério da Saúde controlado pelos houthis informou que sete pessoas morreram e outras 40 ficaram feridas, incluindo crianças, em um ataque que atingiu estabelecimentos comerciais na região do cruzamento de Mawiya, na província de Taiz, no sudoeste do Iêmen.
Horas depois, o governo do Iêmen, reconhecido internacionalmente, afirmou que suas forças realizaram uma operação contra um acampamento militar houthi e veículos localizados na mesma área.