Iraniana grávida de 9 meses e família aguardam refúgio há 6 dias no Aeroporto Internacional de SP, em Guarulhos
Estrangeiros aguardando processamento de pedido de refúgio em área restrita no aeroporto em 2024 Arquivo Pessoal Um casal irariano afirma que está retido, com os três filhos, desde 8 de outubro na área restrita do Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, à espera de refúgio. Segundo Raed Aldaqqa, corretor de imóveis que auxiliava o casal na busca por um imóvel no Brasil, o irariano Ahma
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Estrangeiros aguardando processamento de pedido de refúgio em área restrita no aeroporto em 2024
Arquivo Pessoal
Um casal irariano afirma que está retido, com os três filhos, desde 8 de outubro na área restrita do Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, à espera de refúgio. Segundo Raed Aldaqqa, corretor de imóveis que auxiliava o casal na busca por um imóvel no Brasil, o irariano Ahmad Ebrahem Ebrahemi contou que trabalhava no Catar, mas ficou com medo de ser expulso do país após seus documentos de residência não serem renovados. Com isso, ele decidiu buscar proteção no Brasil com pedido de refúgio, já que, devido à guerra, teme retornar ao Irã com a esposa Sareh Berekat Seddighi, grávida de 9 meses, e os três filhos, de 6, 8 e 12 anos. "Há um ano ele deseja comprar imóvel no Brasil por segurança, pois o Oriente Médio é um vulcão de guerras intermináveis e o Irã não é um lugar seguro. Além disso, o Catar, onde ele trabalha, começou a expulsar irarianos por causa da guerra e está endurecendo os procedimentos contra a nacionalidade irariana. Portanto, ele considerou comprar um imóvel e morar aqui antes que fossem despejados", afirmou ao g1.
🔍 A agência de notícias oficial iraniana Irna afirmou no fim de setembro que não há negociações previstas entre o Irã e os Estados Unidos, apesar de Donald Trump ter sugerido que poderiam ser retomadas rapidamente. Os Estados Unidos mantêm um bloqueio econômico contra o Irã e pressionam Teerã a interromper os ataques contra embarcações que cruzam o Estreito de Ormuz. Raed disse que a família chegou em um voo da Qatar Airways, com destino final para Venezuela. Eles foram recebidos por agentes da Polícia Federal (PF) e entregaram documentos para preenchimento e assinatura do pedido de refúgio. LEIA TAMBÉM:
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Em seguida, foram orientados a fazer o registro em um site e teriam afirmado de que eles seriam aceitos devido à situação de guerra no Irã. Contudo, até esta quarta-feira (14) ainda permaneciam na área restrita. De acordo com a Lei nº 9.474/1997, o reconhecimento da condição de refugiado depende do enquadramento nos critérios previstos na legislação, que incluem o temor de perseguição por motivos específicos e situações de grave e generalizada violação de direitos humanos. A solicitação pode ser feita em postos de fronteira, inclusive em aeroportos, e deve ser analisada pelas autoridades brasileiras.
Ainda conforme Raed, os passaportes e as bagagens da família foram retidos. Além disso, eles ficaram quatro dias sem acesso às malas, incluindo roupas e medicamentos. Após negociações, parte dos pertences teria sido liberada, mas duas malas continuavam retidas.
"A situação preocupa também devido à saúde de Sareh, que está no 9º mês de gestação e faz uso de medicamentos. Ela ainda sofreu uma queda no banheiro e passou a reclamar de dores. A equipe médica teria informado que ela estava bem, mas não foram realizados exames para verificar as condições do bebê", disse. Família relata abordagem durante a noite
O casal afirma que, na noite desta terça-feira (13), três pessoas bateram com força à porta do quarto e disseram que eram da Polícia Federal. Os homens teriam informado que a família tinha até quinta-feira (15) para deixar o país. Caso contrário, seria escoltada até um avião. Eles também teriam questionado se havia provas da gravidez de Sareh e afirmado que, sem providências de um advogado ou juiz, a família não teria autorização para permanecer no hotel.
Raed afirmou que a abordagem deixou os familiares e as crianças aterrorizados e abalados psicologicamente. O que dizem as autoridades
Procurada pelo g1, a Polícia Federal informou, em nota, que não se manifesta nem fornece informações sobre processos ou solicitações individuais.
O Ministério da Justiça também não comentou sobre o caso e disse, em nota, que as informações eram diretamente com a Polícia Federal. Agora no g1