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Jalser Renier é preso pela PF por compra de votos pela segunda vez em uma semana em Roraima

Jalser Renier é preso pela PF por suspeita de compra de votos em Roraima O candidato a deputado estadual Jalser Renier (PSDB) foi preso preventivamente por compra de votos na manhã desta quinta-feira (1º), em Boa Vista. Ele foi alvo da Polícia Federal durante a Operação Lemming. Esta é a segunda prisão dele por crime eleitoral em uma semana. Jalser foi preso na própria casa e levado à sede da PF e

Por Redação Publicado em 1 de outubro de 2026 às 18:28 8 min de leitura

Conteúdo de G1 — ler no site de origem

Jalser Renier é preso pela PF por compra de votos pela segunda vez em uma semana em Roraima
Publicado originalmente por [fonte]

Jalser Renier é preso pela PF por suspeita de compra de votos em Roraima

O candidato a deputado estadual Jalser Renier (PSDB) foi preso preventivamente por compra de votos na manhã desta quinta-feira (1º), em Boa Vista. Ele foi alvo da Polícia Federal durante a Operação Lemming. Esta é a segunda prisão dele por crime eleitoral em uma semana.

Jalser foi preso na própria casa e levado à sede da PF em Roraima por agentes de elite do Grupo de Pronta Intervenção (GPI). Veja no vídeo acima.

Em nota, a defesa do candidato informou que "está tomando as medidas legais para restabelecer a liberdade".

A PF suspeita que o candidato compraria votos de mais 12 mil eleitores e planejava gastar R$ 4 milhões com o crime eleitoral.

Agentes investigam suspeitas de corrupção eleitoral e associação criminosa nas eleições de 2026 em Roraima. A estrutura ilícita visava beneficiar a candidatura de Jalser e também da esposa dele e candidata a deputada federal, Tatyanne Aguillera Padilha, a Dra. Taty (PSDB).

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Além da prisão preventiva de Jalser, são cumpridos seis mandados de busca e apreensão em endereços de investigados em Boa Vista, no Cantá e em Caracaraí, por determinação da Justiça Eleitoral. A operação também determinou medidas cautelares contra eles.

Entre as medidas estão a proibição de contato entre os investigados, a vedação à realização de saques em espécie e o bloqueio de bens e valores, sendo R$ 2.449.300 referentes ao casal Jalser e Tatyanne e o restante dividido entre seis coordenadores, chegando ao limite de R$ 4.228.100. Também foram alvos:

Itelvina da Costa Padilha (Mãe de Jalser): Intermediadora de cotas do esquema. Ela foi alvo de busca e apreensão.

Rosilany Maria Marques Pereira Stefanello: Coordenadora de campanha de Jalser. Ela foi alvo de busca e apreensão e teve de R$ 313,8 mil bloqueados.

Marcio Jose Bergmann: Coordenador do esquema no Cantá. Ele foi alvo de busca e apreensão e teve R$ 180 mil bloqueados.

Daniel Cavalcante Rigo: Coordenador do esquema em Caracaraí. Ele foi alvo de busca e apreensão e teve R$ 250 mil bloqueados.

Rosineide Araujo Xavier: Coordenadora do esquema em Boa Vista. Ele foi alvo de busca e apreensão e teve R$ 94 mil bloqueados.

João dos Santos Moura: Coordenador do esquema em Boa Vista. Ele foi alvo de busca e apreensão e teve R$ 66 mil bloqueados.

A defesa da Dra. Taty, Rosilany e Rosineide informou que "aguarda a conclusão das diligencias para adotar as medidas".

A operação ocorre uma semana após Jalser ter sido preso em flagrante pela PF por suspeita de compra de votos. Ele passou uma noite no presídio, mas foi liberado após passar pela audiência de custódia e pagar fiança. Candidato a deputado estadual Jalser Renier (PSDB), sendo conduzido na sede da Polícia Federal em Roraima.

Andro Barros/Rede Amazônica

Planilhas apreendidas

A operação desta quinta é desdobramento dessa prisão em flagrante de Jalser na semana passada. Na ocasião, foram apreendidos documentos que passaram por análise dos investigadores.

A PF encontrou planilhas e R$ 19,1 mil em dinheiro durante a operação da semana passada. As planilhas mostravam pagamentos individuais previstos entre R$ 200 e R$ 500 por eleitor sob a sigla "BU" (Boca de Urna). As provas foram repassadas à Justiça Eleitoral. A partir desse material, a PF afirma ter identificado indícios da existência de uma estrutura voltada à cooptação ilícita de eleitores.

As medidas têm como objetivo preservar provas, impedir interferências na investigação e evitar a continuidade das condutas sob apuração.

Agente da PF em frente à casa da mãe do candidato a deputado estadual Jalser Renier (PSDB).

Marcelo Marques/Rede Amazônica

Relembre a última prisão Jalser foi preso nesta quinta-feira (24) pela Polícia Federal (PF), em Boa Vista, e passou a noite na Penitenciária Agrícola de Monte Cristo (Pamc). Agentes encontraram no escritório dele R$ 19 mil em dinheiro e planilhas relacionadas à campanha, o que levantou a suspeita de compra de votos.

A operação da PF investigava lavagem de dinheiro. O g1 apurou que documentos apreendidos continham anotações com a sigla “BU”, o que pode indicar uma possível compra de votos.

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Jalser Renier é preso pela PF por suspeita de crime eleitoral em Boa Vista

Entenda como aconteceu a prisão

Renier foi levado à sede da PF, onde prestou depoimento. Em entrevista ao g1, o advogado dele, Carlos Vilareal, disse que entre os documentos apreendidos, havia planilhas com nomes de cabos eleitorais, apoiadores remunerados e voluntários. "O delegado entendeu que, inicialmente, isso poderia configurar, uma hipótese, havia indícios de crime de captação ilícita de sufrágio, a compra de votos. Nessa situação ele arbitrou uma fiança no valor de 100 salários mínimos, o que equivale a mais de R$ 160 mil", disse o advogado.

Durante o procedimento, a defesa considerou o valor da fiança "absurdo" e pediu ao delegado que baixasse. No entanto, após a conversa, o delegado federal revogou a fiança e acrescentou o enquadramento por associação criminosa ao caso, crime que não permite fiança. Com isso, o candidato permaneceu preso e deve passar por audiência de custódia.

A esposa de Jalser, a médica Tatyanne Aguillera, conhecida como Dra. Taty, candidata a deputada federal, chegou à sede da PF por volta das 17h40, mas não falou com a imprensa. Enquanto isso, apoiadores do candidato erguem bandeiras, gritam "injustiça" e o nome dele em frente ao prédio da PF.

"Nós lamentamos a decisão da autoridade policial e acreditamos que amanhã um juiz do plantão eleitoral deverá analisar os autos com toda a técnica. O Ministério Público Federal será ouvido, assim como os representantes legais da defesa. Acreditamos que, no primeiro momento em que houver uma análise judicial, esse erro da Polícia Federal deverá ser corrigido pela Justiça Eleitoral", afirmou o advogado de Jalser.

Esposa de candidato e apoiadores oram pelo Jalser Renier

Nalu Cardoso/g1RR

Operação de lavagem de dinheiro

A operação que investiga Jalser por lavagem de dinheiro foi deflagrada nesta quinta pela PF e cumpriu dois mandados de buscas e apreensões na casa e no escritório do candidato. Foi nessa operação que agentes encontraram os indícios de crime eleitoral.

Batizada de Operação Filargíria, o trabalho desta quinta é desdobramento de uma investigação que prendeu um homem com R$ 305 mil em espécie em outubro de 2025. "As apurações revelaram indícios de atuação reiterada na entrega de dinheiro em espécie a terceiros, além da utilização de contas de passagem para a movimentação de valores supostamente provenientes de recursos públicos", informou a PF.

A ideia da PF com a Operação Filargíria é ter acesso a novos elementos de prova que esclareçam a origem e a destinação dos recursos movimentados, além de identificar outros envolvidos ou beneficiários das operações financeiras investigadas.

O escritório alvo das buscas foi o mesmo em que Jalser foi preso em 2021 por mandar torturar e sequestrar o jornalista Romano do Anjos (entenda abaixo).

Agentes usaram duas viaturas descaracterizadas na operação. Os veículos ficaram estacionados em cada uma das entradas do escritório, que fica numa esquina. Além disso, parte da rua foi interditada.

Os mandados da operação foram cumpridos pelo Grupo de Pronta Intervenção (GPI), unidade especializada da PF que atua em situações de crise e em operações de médio e alto risco.

Na frente da sede da PF, a Dra. Taty, esposa e candidata a deputada federal por Roraima, junto com apoiadores oram pós a prisão do candidato. O grupo orou e cantou os hinos "Aquilo que parecia impossível" e "Não há ferrolhos, nem portas" no local.

Histórico de Jalser Renier

Candidato a deputado estadual Jalser Renier em Roraima nas eleições 2026

Reprodução/Instagram

Jalser Renier Padilha é um dos políticos mais conhecidos de Roraima. Ele foi deputado por 27 anos, mas teve o mandato cassado pela Assembleia Legislativa de Roraima (ALE-RR) em 2022, por quebra de decoro. A cassação ocorreu após ele ser acusado de ser o mandante do sequestro e da tortura do jornalista Romano dos Anjos, em 2020. PF faz operação no escritório do ex-deputado Jalser Renier em Boa Vista

No processo penal sobre o caso do jornalista, ele é réu por sete crimes: sequestro qualificado, tortura qualificada, constituição de milícia privada, dano qualificado, roubo majorado, cárcere privado e violação de domicílio qualificada.

A cassação também havia deixado Jalser inelegível até 2030. No entanto, em agosto, o ministro Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), concedeu uma liminar que suspendeu parcialmente os efeitos da cassação. Com isso, ele ficou autorizado a participar da convenção e dos demais atos necessários para disputar as eleições deste ano.

Agentes da Polícia Federal na porta do escritório do ex-deputado e candidato, Jalser Renier, em Boa Vista (RR).

João Gabriel Leitão/g1 RR

Viaturas da PF paradas na frente do escritório de Jalser Renier, em Boa Vista

João Gabriel Leitão/g1 RR

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