Ir para o conteúdo principal
quarta-feira, 16 de setembro de 2026
AGORA RIO
Cidades

Lixo do Rio vira combustível para caminhões que levam resíduos ao Aterro de Seropédica

Lixo do Rio vira combustível para caminhões que levam resíduos ao Aterro de Seropédica O lixo produzido diariamente no Rio de Janeiro pode deixar de ser apenas um problema ambiental para também virar combustível. No Aterro Sanitário de Seropédica, na Região Metropolitana, o gás gerado pela decomposição dos resíduos é captado, tratado e transformado em biometano, que já abastece veículos e indústri

Por Redação Publicado em 16 de setembro de 2026 às 04:00 4 min de leitura

Conteúdo de G1ler no site de origem

Lixo do Rio vira combustível para caminhões que levam resíduos ao Aterro de Seropédica
Publicado originalmente por [fonte]


Lixo do Rio vira combustível para caminhões que levam resíduos ao Aterro de Seropédica

O lixo produzido diariamente no Rio de Janeiro pode deixar de ser apenas um problema ambiental para também virar combustível. No Aterro Sanitário de Seropédica, na Região Metropolitana, o gás gerado pela decomposição dos resíduos é captado, tratado e transformado em biometano, que já abastece veículos e indústrias no estado.

O aterro recebe cerca de 10 mil toneladas de resíduos por dia, a maior parte de material orgânico, como restos de alimentos. Com a decomposição, esse material produz biogás, rico em metano — um gás de efeito estufa que pode ser aproveitado como fonte de energia.

O Centro de Tratamento de Resíduos (CTR) Rio, em Seropédica, produz atualmente o maior volume de gás de aterro do país. O gás é captado por uma rede de tubulações instalada na montanha de resíduos e levado para uma unidade de tratamento.

Aterro de Seropédica

Reprodução/TV Globo

Depois de filtrado, o biometano é armazenado em cilindros e transportado para abastecer sete indústrias no estado do Rio. O combustível também é comercializado para 26 postos de gasolina.

A produção permite que o próprio resíduo gere energia para atividades relacionadas ao transporte do lixo.

“A gente consegue trazer a economia circular do próprio resíduo, abastecendo os caminhões que transportam o próprio resíduo”, explica Rafael Botelho Silveira, diretor operacional do CTR Rio.

Carretas de lixo passam a usar biometano

Lixo do Rio vira combustível para caminhões que levam resíduos ao Aterro de Seropédica

Reprodução/TV Globo

Uma das aplicações mais recentes é justamente na frota responsável por levar os resíduos do Rio até o Aterro de Seropédica.

Atualmente, 10% das carretas já são movidas exclusivamente a biometano. A previsão é que, até o fim do ano, as 60 carretas da frota estejam adaptadas para utilizar o combustível.

Com a substituição do diesel, a estimativa é deixar de queimar 615 mil litros de óleo diesel por mês.

Além de reduzir a emissão de poluentes, a mudança diminui a presença de fumaça preta e fuligem liberadas pelos veículos movidos a diesel.

O motorista carreteiro Salvador Vicente conta que inicialmente desconfiou do desempenho do caminhão movido a biometano.

“Falei: ‘Não pode ser esse mesmo rendimento como dizem’. Eu falei: ‘Só acredito vendo’. E realmente não perde nada, potência 100%, confiável”, contou.

O biometano é armazenado em cilindros

Reprodução/TV Globo

A tecnologia também chegou aos caminhões que fazem a coleta de lixo nas ruas do Rio.

Segundo o CTR Rio, 100 caminhões da Comlurb que realizam a coleta domiciliar já são movidos a biometano.

O combustível pode ser utilizado em veículos originalmente preparados para o GNV, com a devida adaptação, e também tem aplicação industrial.

“Tanto na indústria, como no comércio, ou como também nos carros movidos, hoje movidos a GNV, podem ser movidos também a biometano. Então é um combustível com larga utilização e que é ambientalmente correto”, afirma Rafael.

🟩O g1 Rio está no GloboPop, o novo aplicativo de vídeos curtos verticais da Globo, disponível gratuitamente no seu celular. Lá no app, você pode seguir o palco do g1 Rio para não perder nenhum episódio. Baixe o GloboPop.

Como o lixo vira combustível

O processo começa ainda dentro do aterro. Os resíduos são depositados, compactados e cobertos com camadas de argila. Conforme a matéria orgânica se decompõe, ocorre a produção do biogás.

Tubulações instaladas no aterro captam o gás e o levam até a unidade de tratamento. Ali, o metano é separado de outros componentes e transformado em biometano, que pode ser utilizado como combustível.

A montanha de resíduos do CTR Rio chega a 90 metros de altura, após 15 anos de operação.

Segundo o diretor operacional do aterro, a produção de biogás — e, consequentemente, de biometano — ainda deve aumentar nos próximos anos.

“Essa operação ainda vai continuar por vários e longos anos e nossa produção de biogás e consequentemente de biometano também vai estar crescendo. Isso é muito importante para as indústrias, assim como para nós, nesse caminho da troca da frota movida a diesel por uma frota movida a biometano”, afirmou.

Leia mais