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Lula chama Haddad de 'joia' e diz que quem 'perde' com derrota de petista é o povo de SP

O presidente Lula fala em SP após o resultado das eleições João de Mari/g1 O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lamentou neste domingo (4) a derrota de Fernando Haddad (PT) à disputa do governo do estado de São Paulo. O petista discursou em um hotel na regiao da Avenida Paulista após o resultado das eleições. Lula e Flávio Bolsonaro (PL) se enfrentarão no segundo turno no dia 25 de outubro.

Por Redação Publicado em 4 de outubro de 2026 às 22:21 8 min de leitura

Conteúdo de G1 — ler no site de origem

Lula chama Haddad de 'joia' e diz que quem 'perde' com derrota de petista é o povo de SP
Publicado originalmente por [fonte]

O presidente Lula fala em SP após o resultado das eleições

João de Mari/g1

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lamentou neste domingo (4) a derrota de Fernando Haddad (PT) à disputa do governo do estado de São Paulo. O petista discursou em um hotel na regiao da Avenida Paulista após o resultado das eleições. Lula e Flávio Bolsonaro (PL) se enfrentarão no segundo turno no dia 25 de outubro.

No discurso, Lula disse que o estado perdeu, pela terceira vez, a oportunidade de eleger Haddad. Pediu que o correligionário não desanime e afirmou que ele ainda terá a chance de mostrar sua capacidade de governar o estado ou o país.

"O Haddad é uma daquelas joias que o estado de São Paulo produziu. Haddad, não foi você que perdeu a eleição, foi o povo de São Paulo", disse.

O presidente também fez uma autocrítica sobre a estratégia política de seu grupo. Questionou se as decisões tomadas foram corretas e disse ser necessário repensar a forma como estão atuando.

Lula lamentou ainda as derrotas de Marina Silva e Simone Tebet na disputa pelo Senado em São Paulo. Destacou a atuação de Marina na agenda climática e a ligação de Tebet com o agronegócio e com pautas sociais. Segundo Lula, as duas poderiam contribuir para temas como meio ambiente, inclusão social e distribuição de renda.

Lula encerrou reconhecendo que derrotas fazem parte da democracia e voltou à autocrítica: “Será que nós estamos errados? A história vai provar.”

Discurso de Haddad

Após a derrota para Tarcísio de Freitas (Republicanos) na disputa pelo governo de São Paulo, Fernando Haddad (PT) afirmou neste domingo (4) que fez um “embate de alto nível” durante a campanha e desejou “o melhor” para o estado. O petista disse ainda que pretende atuar como oposição “da maneira mais construtiva possível” para melhorar as condições de vida da população.

Após a confirmação da vitória de Tarcísio, Haddad contou que ligou para o governador reeleito, às 19h11, para cumprimentá-lo e desejar boa sorte. Esta foi a segunda vez que Haddad disputou o governo de São Paulo. Em 2022, ele chegou ao segundo turno contra Tarcísio, mas terminou derrotado. Fernando Haddad discursa para apoiadores após derrota, pela segunda vez, ao cargo de governador de São Paulo.

João de Mari/g1

“Eu liguei para o governador Tarcísio, cumprimentando, desejando boa sorte, reiterando que as críticas que eu fiz foram críticas programáticas, de um povo que pensa diferente, mas que quer o bem do estado”, afirmou.

Segundo Haddad, as críticas feitas durante a campanha foram baseadas em estudos e propostas e tinham como objetivo defender o que ele considera melhor para São Paulo.

"Críticas que foram estudadas com consistência, com coerência, com aquilo que a gente pensa que é o melhor para a sociedade paulista, o melhor para a sociedade brasileira", disse.

Haddad acompanhou a apuração no Hotel Meliá Paulista, na Avenida Paulista, na capital. Durante a apuração, o clima entre os apoiadores no hotel era de tensão. Os presentes acompanhavam a contagem dos votos pelo telão montado no local e demonstravam preocupação à medida que a vantagem de Tarcísio aumentava.

O petista afirmou ainda que pretende atuar como oposição de forma construtiva durante o próximo mandato de Tarcísio.

"Desejar o melhor para o nosso estado, nos colocar, enquanto oposição, da maneira mais construtiva possível para melhorar as condições de vida da nossa gente".

"Penso que nós fizemos um embate de alto nível, um embate digno do povo paulista".

Às 20h35, com 95,45% das urnas apuradas, Tarcísio tinha 62,71% dos votos válidos, contra 36,37% de Haddad. O presidente estadual do PT em São Paulo, Kiko Celeguim, falou antes de Haddad e disse que o foco agora do diretório do partido no estado será acompanhar a campanha do presidente e candidato à reeleição Lula (PT) para o segundo turno. A candidata ao Senado Marina Silva (Rede), que não foi eleita, também participou da cerimônia após a confirmação do resultado.

Campanha

Haddad chegou à campanha de 2026 como ex-ministro da Fazenda do governo Lula e voltou a disputar o governo paulista dois anos depois de ter sido derrotado por Tarcísio no segundo turno de 2022. O PT oficializou a candidatura em julho, em uma convenção em Campinas, com Márcio França (PSB) como candidato a vice-governador.

A campanha começou oficialmente em agosto, com Haddad ao lado de Lula em São Bernardo do Campo, cidade que é um dos principais símbolos da história do PT. Haddad voltou ao reduto petista na sexta-feira (2).

Desde os primeiros atos, o candidato buscou associar sua candidatura ao governo federal e apresentar a eleição estadual como uma disputa entre projetos diferentes para São Paulo.

As privatizações realizadas ou defendidas pelo governo Tarcísio estiveram entre os principais alvos de Haddad durante a campanha. O petista criticou a privatização da Sabesp e a concessão de serviços de transporte, além de explorar problemas registrados em serviços administrados por empresas privadas. Nos debates entre os dois, na Band, em agosto, e na TV Globo, em setembro, privatizações, economia, segurança pública e a relação com o governo federal estiveram entre os principais temas do confronto.

Haddad também concentrou parte da campanha em propostas econômicas. Entre elas, defendeu a reindustrialização de São Paulo, a criação de um banco de desenvolvimento estadual inspirado no BNDES e maior aproximação entre universidades, Fapesp e empresas. Na reta final, afirmou que a formação profissional e o Ensino Médio deveriam ser adaptados às novas demandas da indústria.

Saúde, educação e segurança foram outros eixos da candidatura. Nas entrevistas e debates, Haddad criticou políticas do governo Tarcísio e apresentou propostas como a criação de uma agência de combate às facções criminosas, além de defender mudanças na organização da rede de saúde e investimentos em educação.

A campanha também foi marcada pela diferença no tempo de propaganda eleitoral. Tarcísio teve 6 minutos e 20 segundos de propaganda na televisão, enquanto Haddad contou com 2 minutos e 40 segundos, segundo dados do TRE-SP citados pelo candidato. Dois dias antes da eleição, em uma agenda no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Haddad afirmou que sua campanha havia “cumprido o seu objetivo” apesar do pouco tempo de TV e das poucas oportunidades de confronto. Segundo ele, a candidatura havia levado ao eleitor suas críticas à situação do estado nas áreas de segurança, saúde e educação.

Haddad em coletiva após debate

Globo/Bob Paulino

Quem é Fernando Haddad

Fernando Haddad, de 63 anos, é advogado, professor e político do PT. Nascido em São Paulo, é filho de imigrantes libaneses e se formou em Direito pela Universidade de São Paulo (USP), onde também fez mestrado em Economia e doutorado em Filosofia. É professor do Departamento de Ciência Política da USP.

Sua trajetória no poder público começou na Prefeitura de São Paulo, onde foi subsecretário de Finanças durante a gestão de Marta Suplicy. No governo federal, trabalhou no Ministério do Planejamento e, em 2004, tornou-se secretário-executivo do Ministério da Educação. No ano seguinte, assumiu o comando da pasta, cargo que ocupou de 2005 a 2012, durante os governos Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff.

À frente do Ministério da Educação, Haddad participou da implementação e expansão de programas como o ProUni, o Sisu, o Enem e os institutos federais. Em 2012, deixou o governo federal para disputar a Prefeitura de São Paulo. Foi eleito no segundo turno e comandou a capital entre 2013 e 2016.

Na prefeitura, sua gestão teve como algumas de suas principais marcas políticas de mobilidade urbana, como a expansão das ciclovias e a revisão do Plano Diretor. Em 2016, tentou a reeleição, mas foi derrotado por João Doria (PSDB) no primeiro turno.

Dois anos depois, Haddad foi escolhido pelo PT para substituir Lula na disputa pela Presidência da República, depois que o Tribunal Superior Eleitoral barrou a candidatura do ex-presidente. Haddad chegou ao segundo turno, mas perdeu a eleição para Jair Bolsonaro.

Em 2022, voltou a disputar o governo de São Paulo. Chegou ao segundo turno contra Tarcísio de Freitas, mas terminou derrotado. Em 2023, assumiu o Ministério da Fazenda no terceiro governo Lula, onde permaneceu até março de 2026, quando deixou o cargo para disputar novamente o governo paulista.

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