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Márcio Chaer, morto aos 71 anos, foi pioneiro no jornalismo jurídico do Brasil

Jornalista Márcio Chaer, morto em São Paulo aos 71 anos Antônio Augusto/STF A morte do jornalista Márcio Chaer, aos 71 anos, neste sábado (3), encerra uma trajetória que ajudou a transformar a cobertura do Poder Judiciário no país. Fundador da revista eletrônica Consultor Jurídico (ConJur), ele foi um dos pioneiros do jornalismo jurídico brasileiro e construiu uma das publicações mais influentes d

Por Redação Publicado em 3 de outubro de 2026 às 19:43 6 min de leitura

Conteúdo de G1 — ler no site de origem

Márcio Chaer, morto aos 71 anos, foi pioneiro no jornalismo jurídico do Brasil
Publicado originalmente por [fonte]

Jornalista Márcio Chaer, morto em São Paulo aos 71 anos

Antônio Augusto/STF

A morte do jornalista Márcio Chaer, aos 71 anos, neste sábado (3), encerra uma trajetória que ajudou a transformar a cobertura do Poder Judiciário no país. Fundador da revista eletrônica Consultor Jurídico (ConJur), ele foi um dos pioneiros do jornalismo jurídico brasileiro e construiu uma das publicações mais influentes da área.

Chaer morreu após passar mal no Centro de São Paulo, enquanto perseguia um homem que havia acabado de roubar seu celular. A suspeita inicial é que ele tenha sofrido um infarto. As circunstâncias da morte ainda serão investigadas.

A repercussão do caso foi imediata entre autoridades, magistrados, advogados e jornalistas. Não apenas pelas circunstâncias da morte, mas pela relevância que Chaer alcançou ao longo de quase três décadas dedicadas à cobertura especializada da Justiça.

Jornalista morre após correr atrás de bandidos no Centro de SP

Fundada em 1997, o ConJur surgiu em um momento em que a internet ainda engatinhava no Brasil e o acompanhamento dos tribunais era feito de forma esporádica pela imprensa tradicional. Chaer apostou em um modelo de cobertura diária das decisões judiciais, da atividade dos tribunais e dos debates jurídicos, tornando o portal uma referência nacional para profissionais do Direito.

Em nota publicada neste sábado, a empresa afirmou que o jornalista passou por grandes redações antes de criar a publicação e destacou o pioneirismo do site.

Ao longo dos anos, a publicação ganhou relevância pela cobertura de tribunais superiores, escritórios de advocacia, Ministério Público e temas ligados à legislação e à jurisprudência. Também se notabilizou por publicar a íntegra de decisões judiciais e abrir espaço para artigos e opiniões de profissionais com diferentes visões sobre o Direito.

Fachada do Supremo Tribunal Federal (STF), em Brasília, com estátua da Justiça em destaque.

Divulgação/STF

Em 2007, Chaer ampliou o projeto editorial com a criação do Anuário da Justiça, publicação que reúne perfis de tribunais, magistrados e tendências da jurisprudência brasileira. O material se tornou uma das principais referências para advogados, juízes e pesquisadores do sistema de Justiça.

Em homenagem publicada pela ConJur, o jurista José Rogério Cruz e Tucci afirmou que Chaer foi responsável por formar gerações de jornalistas especializados na cobertura do Judiciário e contribuiu para aproximar o funcionamento dos tribunais do público em geral. Segundo ele, o legado do fundador da ConJur está associado à defesa de um jornalismo técnico, plural e independente.

Autoridades lamentam a morte

Diversas autoridades e integrantes do sistema de Justiça se manifestaram sobre a morte de Márcio Chaer.

O presidente Lula lamentou a morte e afirmou que Chaer era defensor inegociável do Estado Democrático de Direito.

"Recebo com imensa tristeza o trágico falecimento do jornalista Márcio Chaer, fundador da revista Conjur. Chaer foi pioneiro ao, em 1997, inaugurar um site dedicado ao jornalismo jurídico, tornando-se referência para aqueles assuntos que, até então, estavam distantes da sociedade.

Defensor inegociável do Estado Democrático de Direito, Chaer pautou sua atuação jornalística na coragem e no sentimento de justiça. No auge da Lava Jato, não hesitou em abrir espaço para críticas aos abusos e violações então cometidas. Aos familiares, amigos e colegas do Conjur, expresso meus sentimentos neste momento de dor."

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, destacou que Chaer deixou um legado duradouro para o jornalismo voltado à cobertura do Judiciário. O ministro ressaltou o papel pioneiro da ConJur na aproximação entre o Direito e a sociedade, a defesa do pluralismo de ideias promovida pela publicação e a criação do Anuário da Justiça, que classificou como um marco para a compreensão e o acompanhamento do Judiciário brasileiro.

Em nota, o ministro do STF Gilmar Mendes afirmou ter recebido "com profunda tristeza" a notícia da morte do jornalista e classificou o fundador da ConJur como "um dos pioneiros do jornalismo especializado em assuntos jurídicos no país". Segundo o magistrado, Chaer ajudou a democratizar o acesso às informações sobre o Judiciário, criou uma publicação que se tornou referência para os profissionais do Direito e teve atuação marcada pela independência, pela defesa das instituições democráticas e pelo compromisso com a informação de qualidade.

O ministro do STF Alexandre de Moraes afirmou que, em um momento marcado pela desinformação e pelos discursos de ódio, Chaer representava "o melhor do jornalismo". Para ele, o jornalista se tornou a principal referência da cobertura especializada do Poder Judiciário no país, destacando sua independência, competência e defesa do Estado Democrático de Direito.

Também integrante do Supremo, o ministro Dias Toffoli definiu Chaer como um defensor da democracia, das instituições jurídicas e da liberdade de comunicação. Segundo ele, a fundação da ConJur inaugurou um novo campo na imprensa brasileira ao consolidar o jornalismo especializado no sistema de Justiça, transformando a publicação em referência nacional.

O ministro do STF Cristiano Zanin afirmou que "não há como falar da história do Judiciário brasileiro" sem mencionar Márcio Chaer. Em nota, destacou que o jornalista foi um dos pioneiros da cobertura especializada da Justiça, transformou a ConJur em referência para quem acompanha tribunais e advocacia e manteve ao longo da carreira a defesa do Estado Democrático de Direito.

O advogado-geral da União, Jorge Messias, destacou a contribuição de Chaer para o debate jurídico nacional. Em publicação nas redes sociais, afirmou que o fundador da ConJur foi um "jornalista dedicado e importante difusor da cultura jurídica nacional" e deixou uma contribuição "inestimável" para a área, além de prestar solidariedade à família e aos amigos.

Em nome do Superior Tribunal de Justiça (STJ), o presidente da corte e do Conselho da Justiça Federal, Luis Felipe Salomão, afirmou que Chaer foi um dos principais jornalistas brasileiros e que sua atuação à frente da ConJur "revolucionou a cobertura do Poder Judiciário". Segundo o ministro, o exemplo de seriedade e comprometimento deixado pelo jornalista permanecerá na história do país.

A OAB-SP ressaltou que o jornalista teve papel fundamental na qualificação da cobertura sobre o sistema de Justiça e na ampliação do debate público sobre o Direito, as instituições e as garantias fundamentais, mantendo diálogo permanente com a advocacia e os demais atores do setor.

A Secretaria de Comunicação do Estado de São Paulo também divulgou nota de pesar, destacando a contribuição de Chaer para o jornalismo brasileiro e para a ampliação do acesso da população a informações sobre o Direito e o Poder Judiciário. A pasta manifestou solidariedade aos familiares, amigos e profissionais da ConJur.

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