Novo laudo diz ser impossível que PM Gisele tenha atirado na própria cabeça; tenente-coronel será interrogado na segunda
A PM Gisele Alves Santana, que foi encontrada morta no apartamento onde vivia com o tenente-coronel Geraldo Neto e a filha de 7 anos.Ele foi preso preventivamente por feminicídio e fraude processual. Reprodução/TV Globo Um novo laudo produzido pelo Instituto de Criminalística e anexado ao processo que apura a morte da policial militar Gisele Alves Santana, de 32 anos, reforçou a conclusão de que e
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A PM Gisele Alves Santana, que foi encontrada morta no apartamento onde vivia com o tenente-coronel Geraldo Neto e a filha de 7 anos.Ele foi preso preventivamente por feminicídio e fraude processual.
Reprodução/TV Globo
Um novo laudo produzido pelo Instituto de Criminalística e anexado ao processo que apura a morte da policial militar Gisele Alves Santana, de 32 anos, reforçou a conclusão de que ela não cometeu suicídio. O documento foi juntado aos autos na sexta-feira (2), três dias antes do interrogatório do réu, o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto. Ele é acusado de feminicídio e fraude processual por ter forjado a cena de suicídio depois de matar a esposa no apartamento em que moravam, na Zona Leste de São Paulo.
Assinado pela perita criminal Amanda Rodrigues Marinone, o laudo foi elaborado para responder questionamentos feitos pela defesa do oficial. O documento manteve integralmente as conclusões anteriores da perícia e descartou de forma categórica a hipótese de suicídio, considerada impossível diante das circunstâncias verificadas.
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A perita afirmou que Gisele não poderia ter dado o tiro na própria cabeça e terminado na posição em que seu corpo foi encontrado, o que indica o envolvimento de uma segunda pessoa na dinâmica da morte. Segundo ela, essa conclusão não depende de interpretação pessoal dos vestígios, mas de testes práticos que podem ser repetidos por qualquer outro especialista e chegar ao mesmo resultado.
Para sustentar a conclusão, a perita citou testes e simulações que confrontam a versão do tenente-coronel. Os peritos verificaram, por exemplo, que a arma do crime ficava sobre um guarda-roupa com cerca de 2 metros de altura, fora do alcance de Gisele, que tinha 1,65 metro. Também analisaram a visibilidade a partir do banheiro e concluíram que, diferentemente do que alegou Geraldo, ele não tinha como ver a esposa caída de dentro do box onde supostamente estaria tomando banho.
Além disso, o sentido do escorrimento de sangue no corpo da vítima contraria a hipótese de suicídio. Segundo registrou a perita, "reexecutados, esses experimentos produzem o mesmo resultado".
Tenente-coronel Geraldo Neto
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O novo parecer foi produzido após a defesa de Geraldo Leite Rosa Neto considerar insuficientes esclarecimentos prestados anteriormente pelos peritos. Na resposta, Amanda Rodrigues Marinone afirma que os questionamentos não revelaram qualquer elemento capaz de alterar, complementar ou revisar as conclusões já alcançadas.
O interrogatório do tenente-coronel pela Justiça comum está marcado para a próxima segunda-feira (5), às 13h, no Fórum Criminal da Barra Funda, na Zona Oeste da capital paulista. Esta é a última etapa da instrução criminal antes da decisão que definirá se o réu será submetido a júri popular. O oficial nega o crime.
Após o interrogatório, o Ministério Público, o assistente de acusação – que representa a família de Gisele – e a defesa do policial deverão apresentar suas manifestações finais nos autos.
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Na sequência, a juíza responsável pelo caso decidirá se Geraldo Leite Rosa Neto será pronunciado, ou seja, submetido a julgamento pelo Tribunal do Júri, ou se será absolvido sumariamente.
Caso a magistrada determine que o processo siga para júri popular, a defesa ainda poderá recorrer da decisão. Se ela for mantida, será marcada a data do julgamento.
Preso preventivamente desde março, Geraldo Leite Rosa Neto também responde a um processo administrativo que pode expulsá-lo dos quadros da Polícia Militar mesmo sem condenação criminal.
O procedimento chamado Conselho de Justificação é conduzido por três coronéis, que estão analisando provas e ouvindo testemunhas para avaliar se o tenente-coronel mantém condições morais de permanecer na corporação. Ao final, o caso é remetido à Justiça Militar, que pode determinar a perda do posto e da patente.
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Relembre o caso
A soldado da PM Gisele Alves Santana foi encontrada com um tiro na cabeça em 18 de fevereiro deste ano no apartamento onde vivia com o marido, na região do Brás, Zona Leste de São Paulo. Levada em estado grave ao Hospital das Clínicas, ela não resistiu aos ferimentos. Desde o início, Geraldo Leite Rosa Neto sustentou que a mulher havia cometido suicídio enquanto ele tomava banho.
Nos primeiros dias da investigação, porém, peritos e policiais passaram a identificar inconsistências na versão apresentada pelo oficial. Entre os elementos apontados estavam a posição em que o corpo foi encontrado, a forma como a arma aparecia apoiada na mão da vítima, vestígios de sangue, marcas de lesões no pescoço e os resultados da reprodução simulada realizada pela Polícia Científica.
Gisele Alves Santana era policial militar e deixou uma filha de sete anos.
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Em março, a Polícia Civil concluiu o inquérito apontando que o tenente-coronel matou a esposa e alterou a cena para simular um suicídio. Com base nas provas reunidas pela investigação, a Justiça decretou sua prisão preventiva e posteriormente aceitou a denúncia apresentada pelo Ministério Público, tornando-o réu por feminicídio e fraude processual.
As apurações também indicaram que o relacionamento passava por uma crise e que Gisele pretendia se separar. Segundo a acusação, o oficial não aceitava o fim do casamento. Mensagens encontradas nos celulares do casal mostraram cobranças e comportamentos de controle por parte do tenente-coronel, que se referia a si mesmo como "macho alfa" e exigia que a esposa fosse uma "fêmea beta obediente e submissa". Em depoimento, ele afirmou que as expressões faziam parte de uma brincadeira do casal.