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O que esperar da primeira onda de calor na primavera do El Niño no Brasil?

Um homem se refresca com uma mangueira na rua em meio a uma onda de calor no Rio de Janeiro em fevereiro de 2025 AFP via Getty Images A primeira onda de calor da primavera de 2026 deve chegar neste sábado (26/09) e atingir partes das regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul do Brasil. A estação, que começou oficialmente na última terça-feira (22/09), promete ser influenciada pelo El Niño, que modifica

Por Redação Publicado em 25 de setembro de 2026 às 10:16 6 min de leitura

Conteúdo de G1 — ler no site de origem

O que esperar da primeira onda de calor na primavera do El Niño no Brasil?
Publicado originalmente por [fonte]


Um homem se refresca com uma mangueira na rua em meio a uma onda de calor no Rio de Janeiro em fevereiro de 2025

AFP via Getty Images

A primeira onda de calor da primavera de 2026 deve chegar neste sábado (26/09) e atingir partes das regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul do Brasil.

A estação, que começou oficialmente na última terça-feira (22/09), promete ser influenciada pelo El Niño, que modifica os padrões de circulação atmosférica e pode alterar a distribuição das áreas de chuva sobre o Brasil, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).

A previsão dos meteorologistas é de que o período, que vai até 21 de dezembro, seja marcado pela transição entre períodos secos e chuvosos, especialmente no região central do Brasil, com aumento gradual da umidade e retorno das chuvas em diferentes áreas do país.

El Niño pode causar 450 mil mortes no mundo

Diante da primeira onda de calor da primavera, o Inmet emitiu aviso vermelho, em uma escala que mede o potencial de perigo da temperatura e vai do amarelo ao laranja e ao vermelho.

O alerta é válido de sábado até quarta-feira (30/09) e abrange seis Estados: Mato Grosso do Sul, Paraná e São Paulo, em todo o território; além de partes de Mato Grosso, Rio de Janeiro e Minas Gerais.

As temperaturas máximas poderão chegar a 41°C em Cuiabá (MT) já neste domingo (27) e na segunda-feira (28), e a 40°C em Campo Grande (MS), na segunda.

Em São Paulo (SP), a máxima poderá atingir 32°C no domingo.

O que explica o aumento das temperaturas?

Área sob aviso vermelho para onda de calor, vigente para os últimos dias de setembro, entre sábado (26) e quarta-feira (30)

INMET

Segundo o Inmet, um dos sistemas que contribuem para essa configuração é uma área de baixa pressão que deverá se intensificar entre o norte da Argentina e o oeste do Paraguai ao longo dos próximos dias.

O fortalecimento da baixa pressão favorece o transporte de ar quente em direção ao sul do Brasil, ao Paraguai e à Argentina, o que contribui para a elevação rápida das temperaturas, que depois tendem a permanecer altas com a manutenção do padrão atmosférico.

Os meteorologistas apontam ainda que, a vários quilômetros de altitude, deverá se formar uma área de alta pressão sobre partes do Centro-Oeste, Sudeste e Sul.

Esse sistema faz com que o ar desça em direção à superfície. Ao descer, ele é comprimido e se aquece ainda mais, ajudando a elevar e manter as temperaturas, especialmente quando já há a chegada de ar quente próximo ao solo.

Essa situação está associada ao chamado "domo de calor". Na prática, é como se uma espécie de "tampa" na atmosfera ajudasse a manter o ar quente sobre uma mesma região por mais tempo, dificultando sua dispersão e a chegada de massas de ar mais frescas.

O que esperar da primavera?

Segundo a climatologia, a estação se posiciona no período de transição entre as estações seca e chuvosa, especialmente na região central do Brasil.

Durante esses meses, a atmosfera intensifica o fluxo de umidade vinda da Amazônia. Esse fluxo alimenta o período chuvoso nas regiões Centro-Oeste e Sudeste, além de parte do centro-sul da Região Norte.

O Inmet alerta para a ocorrência de chuvas fortes, rajadas de vento, descargas atmosféricas e eventual granizo na Região Sul.

Bairro em Porto Alegre após as fortes chuvas de 2024

Getty Images

Em contrapartida, o norte da Região Nordeste, principalmente o norte do Piauí e o noroeste do Ceará, deve registrar mais secas.

Em relação à temperatura, a previsão dos meteorologistas para a primavera é de médias acima de 28ºC nas regiões Norte e Nordeste, além de pontos isolados do interior do Brasil.

Esse aquecimento progressivo favorece, segundo o Inmet, a intensificação de ondas de calor e maior desconforto térmico para a população, a alteração da umidade do solo e a formação rápida de tempestades severas.

Impactos do 'super El Niño' no Brasil

Segundo as previsões mais recentes do CPC/NOAA, agência meteorológica norte-americana, divulgadas no início de agosto, há mais de 90% de probabilidade de que os meses de setembro, outubro e novembro registrem um El Niño muito forte.

O termo "super El Niño" é usado quando a anomalia de temperatura da superfície do mar ultrapassa os 2°C acima da média histórica — um patamar registrado apenas quatro vezes em cerca de 150 anos, em 1877-78, 1982-83, 1997-98 e 2015-16. Os modelos climáticos atuais indicam que 2026 pode se tornar o quinto episódio dessa magnitude.

Historicamente, eventos de El Niño mais intensos não significam automaticamente impactos mais severos, mas aumentam a probabilidade de que eles ocorram, alertam pesquisadores da NOAA.

Mas um boletim produzido em conjunto pelo Inmet, Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC)/Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e pela Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) traçou um retrato de como o fenômeno pode impactar no país.

O Sul, especialmente o Rio Grande do Sul, além de partes de São Paulo e Mato Grosso do Sul, deve ter chuva acima da média. Já o Norte, o Nordeste e áreas do Centro-Oeste e Sudeste devem enfrentar um período mais seco que o normal, diz a previsão.

Ao mesmo tempo, as temperaturas devem ficar acima da média em quase todo o país, apesar da possibilidade de episódios de frio em setembro. Na Amazônia Legal e no Pantanal, o El Niño pode atrasar a chegada das chuvas da primavera, prolongando a estiagem.

A combinação de calor e falta de chuva aumenta o risco de queimadas, já que mantém o solo e a vegetação secos por mais tempo, aponta ainda o boletim.

Meteorologistas ouvidos pela BBC News Brasil no início de setembro reforçam essa perspectiva.

"É cientificamente comprovado o efeito do El Niño no Brasil durante a primavera. Espera-se efeito forte", resume a pesquisadora Ana Ávila, do Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura (Cepagri), ligado à Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

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