Paulinho da Viola, Teresa Cristina, Zeca Pagodinho e Diogo Nogueira gravam o samba da Portela em tributo a Monarco
Teresa Cristina (à esquerda), Zeca Pagodinho, Paulinho da Viola, Mauro Diniz. Diogo Nogueira, João Diniz e Juliana Diniz posam na gravação do samba da Portela para o Carnaval 2027 Divulgação / Portela ♫ NOTÍCIA ♬ As escolas do samba do Rio de Janeiro estão reunindo torcedores ilustres na gravação dos sambas de enredo do Carnaval 2027. Se anteontem a Mangueira juntou em estúdio as cantoras Alcione,
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Teresa Cristina (à esquerda), Zeca Pagodinho, Paulinho da Viola, Mauro Diniz. Diogo Nogueira, João Diniz e Juliana Diniz posam na gravação do samba da Portela para o Carnaval 2027
Divulgação / Portela
♫ NOTÍCIA
♬ As escolas do samba do Rio de Janeiro estão reunindo torcedores ilustres na gravação dos sambas de enredo do Carnaval 2027. Se anteontem a Mangueira juntou em estúdio as cantoras Alcione, Daniela Mercury, Leci Brandão e Maria Bethânia para a gravação do samba “Oyá por nós”, a Portela reuniu grandes vozes do samba no estúdio Century – situado na Barra Olímpica, bairro da zona oeste da cidade do Rio de Janeiro (RJ) – na tarde de ontem, 30 de setembro, para registrar o samba da escola para o próximo Carnaval em tributo ao cantor e compositor Monarco. Paulinho da Viola, Zeca Pagodinho, Diogo Nogueira, Teresa Cristina, Marquinhos de Osvaldo Cruz, Mauro Diniz (filho de Monarco), João Diniz (neto de Monarco), Juliana Diniz (neta de Monarco) e integrantes da Velha Guarda Show participaram da gravação do samba, intitulado “Ao mestre, com carinho”.
Desenvolvido pelo carnavalesco Paulo Barros, o enredo do samba celebra e expo legado de Hildmar Diniz (17 de agosto de 1933 – 11 de dezembro de 2021), o Monarco, baluarte da agremiação azul e branca. Intérprete oficial da Portela, Bruno Ribas pôs a voz principal no samba composto por Wanderley Monteiro, Vinicius Ferreira, Jefferson Oliveira, Hélio Porto, Orlando Ambrosio, W. Correa e Rafael Gigante. Mas as vozes de Paulinho da Viola, Zeca Pagodinho, Diogo Nogueira, Teresa Cristina e cia. também serão ouvidas na gravação feita para o ainda inédito álbum “Rio Carnaval”, previsto para ser lançado neste último trimestre de 2026 com os sambas das 12 escolas do Grupo Especial do Carnaval carioca. “Este samba fala de Monarco e da Portela com respeito e naturalidade. Participar desta gravação é uma forma de celebrar tudo o que ele representa”, afirma Paulinho da Viola. “Monarco era mestre dentro e fora do samba. Cantar para ele, na Portela, é cantar uma parte da nossa própria história”, reforça Zeca Pagodinho. “Monarco faz parte da história da minha família, desde o meu pai, João Nogueira. Foi Monarco quem me levou para a ala de compositores da Portela. Tenho muita gratidão. A memória dele está viva quando a gente canta, vibra e desfila em homenagem a esse grande personagem do samba e da música brasileira”, entende Diogo Nogueira, um dos autores de outro dos 36 sambas inscritos na disputa para ser o samba da Portela no Carnaval de 2027. Teresa Cristina endossa o discurso de Diogo. “Quando falamos de Monarco, falamos do samba brasileiro. A Portela era a casa que ele amou e cantou, mas a importância de Monarco vai muito além da escola. É um nome que o mundo do samba nunca vai esquecer”, ressalta Teresa Cristina.
Paulinho da Viola diz que 'participar dessa gravação é celebrar tudo o que Monarco representa'
Divulgação / Portela
Saiba quem foi Monarco, enredo da Portela no Carnaval de 2027:
Monarco foi um guardião do passado de glória da escola de samba Portela, o último remanescente da formação clássica da Velha Guarda dessa agremiação, grupo agregado por Paulinho da Viola em 1970. Ao morrer há cinco anos, aos 88 anos, Monarco se eternizou como um dos símbolos mais nobres da escola, tendo sido Integrante da ala de compositores da Portela desde 1955, ano da criação do coletivo de autores da escola, na qual despontou em 1952 com o samba “O passado da Portela”.
No entanto, como ressaltam Diogo Nogueira e Teresa Cristina, Monarco deixou obra que extrapola o universo azul e branco da agremiação situada na fronteira entre os bairros cariocas de Madureira e Oswaldo Cruz, onde Monarco passou a residir aos dez anos de idade, vindo do munícipio fluminense de Nova Iguaçu (RJ). Monarco foi compositor talentoso, criador de letras líricas e melodista de estirpe nobre. A discografia solo do cantor e compositor compreende seis álbuns relevantes. O primeiro álbum solo, “Monarco”, foi lançado em 1976, no rastro do sucesso obtido por Martinho da Vila em 1973 pela gravação de “Tudo menos amor”, samba composto Monarco em parceria com Walter Rosa. O estouro de “Tudo menos amor” abriu as portas do mercado fonográfico para Monarco, que lançou em 1980 o segundo álbum, “Terreiro”, e na sequência gravou disco para o Japão com músicas inéditas. O derradeiro disco solo, “Monarco de todos os tempos”, saiu em 2018 com bela safra autoral de músicas inéditas. Parceiro de outros bambas do samba, Monarco deixou dois grandes sucessos compostos com Alcino Correia Ferreira (1948 – 2010), o Ratinho. Os sambas “Coração em desalinho” (1986) e “Vai vadiar” (1998) foram popularizados na voz de Zeca Pagodinho, admirador assumido de Monarco, compositor que Zeca sempre reverenciou como um mestre, assim como também fizeram Marisa Monte, Martinho da Vila e Paulinho da Viola. Baluarte do samba e cantor de notórios dotes, Monarco legou ao Brasil uma obra majestosa, pautada pela elegância e pela fidalguia, sem perda da coloquialidade.
Hildmar Diniz (1933 – 2021), o Monarco, legou obra relevante e majestosa, celebrada pela Portela no Carnaval de 2027
Divulgação / Marcos Hermes