Ir para o conteúdo principal
quarta-feira, 30 de setembro de 2026
AGORA RIO
Cidades

Peixe-boi é cercado por banhistas e vídeo mostra grupos tocando em animal na Praia do Cupe; conduta é ilegal, diz ICMBio

Banhistas interagem com peixe-boi em praia de Ipojuca; conduta é crime, diz ICMBio Grupos com mais de 10 pessoas foram filmados interagindo com um peixe-boi na Praia do Cupe, em Ipojuca, no Grande Recife. Nas imagens, gravadas no domingo (27), é possível ver os banhistas tocando e acariciando o animal enquanto nadavam junto dele (veja vídeo acima). A conduta é considerada crime pelo Instituto Chic

Por Redação Publicado em 30 de setembro de 2026 às 03:00 5 min de leitura

Conteúdo de G1 — ler no site de origem

Peixe-boi é cercado por banhistas e vídeo mostra grupos tocando em animal na Praia do Cupe; conduta é ilegal, diz ICMBio
Publicado originalmente por [fonte]

Banhistas interagem com peixe-boi em praia de Ipojuca; conduta é crime, diz ICMBio

Grupos com mais de 10 pessoas foram filmados interagindo com um peixe-boi na Praia do Cupe, em Ipojuca, no Grande Recife. Nas imagens, gravadas no domingo (27), é possível ver os banhistas tocando e acariciando o animal enquanto nadavam junto dele (veja vídeo acima). A conduta é considerada crime pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e quem praticar está sujeito a multa. Procurada, a Secretaria de Meio Ambiente de Ipojuca disse que, ao receber denúncias, uma equipe do Serviço de Salvamento Marítimo (Salvamar) conduziu o peixe-boi a um local seguro e afirmou que está apurando o caso (saiba mais abaixo).

✅ Receba as notícias do g1 PE no WhatsApp

O g1 procurou a empresa de turismo responsável pelo passeio, Pedro Mergulhos, mas não obteve resposta até a última atualização desta reportagem.

A bióloga especializada em fauna marinha Nájla Lemos encontrou as imagens da empresa nas redes sociais e decidiu gravar um vídeo para alertar as pessoas sobre os riscos de um contato tão próximo com um peixe-boi.

Em entrevista ao g1, ela explicou que o problema da interação com o animal não está na intenção dos banhistas, seja ela boa ou má, mas nas consequências ambientais que esse contato pode acarretar.

"Não precisa existir um ferimento, uma captura ou uma agressão para que uma interação com um animal silvestre tenha consequências negativas. No vídeo, o que me chama a atenção é justamente a quantidade de pessoas se aproximando, acompanhando, cercando e tocando o peixe-boi. Quando um animal está tentando se deslocar e as pessoas vão acompanhando esse deslocamento, ele pode acabar tendo seu comportamento natural alterado e seu espaço de fuga ou de deslocamento reduzido"

A especialista também esclareceu que uma situação de cercamento como essa pode desencadear respostas físicas de defesa do animal. O peixe-boi, por exemplo, se defende dando golpes com a cauda, que pode chegar a ter 300 kg. Essa movimentação pode gerar lesões graves nas pessoas que estiverem por perto. Para Nájla Lemos, outro fator agravante sobre interagir com o peixe-boi é a perda da distância natural necessária entre humanos e a fauna marinha.

"Isso pode fazer com que ele passe a procurar ou tolerar mais a aproximação de pessoas, ficando mais exposto a outros riscos. [...] Isso é especialmente preocupante no caso do peixe-boi-marinho (Trichechus manatus), que atualmente está classificado como Criticamente em Perigo (CR) na lista brasileira de espécies ameaçadas. A espécie já enfrenta diversas ameaças relacionadas à atividade humana, incluindo colisões com embarcações", disse a bióloga.

Peixe-boi foi cercado por banhistas na Praia do Cupe, no Litoral Sul de Pernambuco

Reprodução/Instagram

O que diz o ICMBio

De acordo com o órgão ambiental, a interação com o peixe-boi é considerada "molestamento" e tem infração prevista pelo Decreto 6.514/2008.

No Artigo 30, o documento prevê o pagamento de multa de R$ 2.500 àqueles que tentem "molestar de forma intencional qualquer espécie de cetáceo, pinípede ou sirênio em águas jurisdicionais brasileiras". O ICMBio também explicou que:

soube do caso pelas redes sociais e entrou em contato imediato com a Secretaria do Meio Ambiente de Ipojuca. as equipes do município foram instruídas a enquadrar os infratores --- a empresa e pessoas ligadas a ela ----, no Decreto 6.514/2008 e aplicar a multa; não atua na fiscalização de áreas que não são de conservação federal, mas monitora ocorrências de peixes-bois em todo o litoral de Pernambuco;

o peixe-boi mostrado no vídeo não foi identificado, mas deve ser uma fêmea solta na natureza há algum tempo, contando, possivelmente, com marcas de identificação ambiental e um chip para rastreio; apesar da situação de risco, o peixe-boi não foi resgatado, pois conseguiu se libertar naturalmente, sem a interferência humana;

em casos como esse, o órgão federal diz que avalia a necessidade de afastar as pessoas, informar que a conduta não é permitida e, em casos extremos, acionar as forças policiais. O que diz a prefeitura de Ipojuca

Por meio de nota, a prefeitura de Ipojuca informou que:

acompanha o episódio ocorrido na Praia do Cupe e, assim que foi informada da presença do peixe-boi, mobilizou agentes ambientais e a equipe do Salvamar, que acompanharam a situação e conduziram o animal a uma área considerada segura;

também recebeu denúncias e relatos do caso, que estão sendo apurados;

o mergulho livre na região deve respeitar a fauna e os recifes e a observação do peixe-boi deve ser feita a distância, sem tocá-lo, alimentá-lo, cercá-lo ou impedir seu deslocamento, conforme as orientações do ICMBio para a proteção desses animais;

a fauna silvestre também é protegida pela legislação ambiental;

está analisando as imagens para identificar os envolvidos e verificar as circunstâncias da ocorrência;

após a apuração, adotará as medidas administrativas cabíveis e, se necessário, encaminhará o caso aos órgãos competentes;

o município realiza o levantamento e cadastramento dos prestadores de serviços turísticos por área de atuação, mas ainda não concluiu a identificação das pessoas mostradas nas imagens.

⬆️ Voltar ao início desta reportagem.

VÍDEOS: mais vistos de Pernambuco nos últimos 7 dias

Leia mais