Pisa: MT tem 3ª pior posição em leitura e 4ª em matemática e ciências para nível socioeconômico; entenda
Pesquisadores do Iede adaptaram os dados do Pisa levando em conta o nível socioeconômico dos estudantes. Mayke Toscano| Secom-MT Mato Grosso ficou na 3ª pior posição em leitura e na 4ª pior em matemática e ciências entre os estados e o Distrito Federal no Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Alunos). Os estudantes do estado também tiveram desempenho abaixo do esperado quando considerado o
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Pesquisadores do Iede adaptaram os dados do Pisa levando em conta o nível socioeconômico dos estudantes.
Mayke Toscano| Secom-MT
Mato Grosso ficou na 3ª pior posição em leitura e na 4ª pior em matemática e ciências entre os estados e o Distrito Federal no Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Alunos). Os estudantes do estado também tiveram desempenho abaixo do esperado quando considerado o nível socioeconômico.
Em matemática, Mato Grosso ficou com 349,3 pontos, 36,6 pontos abaixo do resultado esperado. Em ciências, a nota foi de 375,8 pontos, 24,1 pontos abaixo do esperado.
Em leitura, Mato Grosso ficou na 25ª posição, com 376,2 pontos, 1 ponto abaixo do resultado esperado. A diferença, no entanto, foi menor do que a registrada em matemática e ciências. Entre as três áreas avaliadas, leitura teve a menor diferença negativa em Mato Grosso. Nesta área, apenas três estados ficaram abaixo do desempenho esperado: Roraima, Tocantins e Mato Grosso.
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📚 O que é o Pisa? O Pisa é uma avaliação internacional que mede o desempenho de estudantes de 15 anos em matemática, leitura e ciências. A prova é organizada pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) e aplicada a alunos de escolas públicas e particulares. Na edição mais recente, participaram estudantes de 91 países.
Por que adaptar os resultados?
PISA: Brasil estagnado em Leitura, Matemática e Ciências
Para chegar aos resultados esperados para cada estado, pesquisadores do Iede (Interdisciplinaridade e Evidências no Debate Educacional), a pedido do g1, adaptaram os dados do Pisa levando em conta o nível socioeconômico dos estudantes. A análise permite comparar o desempenho dos alunos considerando as condições sociais e econômicas em que vivem.
Para fazer essa adaptação, os pesquisadores consideraram fatores como:
escolaridade dos pais;
nível profissional mais alto da família; e
os recursos e bens disponíveis em casa, como livros e acesso à internet.
A ideia é levar em conta que as condições socioeconômicas podem influenciar as oportunidades de aprendizagem. Assim, o resultado de cada estado é comparado com o desempenho esperado para estudantes com aquele perfil.
Na escala utilizada pelos pesquisadores, o zero representa o perfil médio dos países da OCDE. Quanto maior a diferença em relação a esse ponto, maior é a distância entre o desempenho observado e o resultado esperado para aquele nível socioeconômico.
Em Mato Grosso, as notas foram:
Matemática: 349,3 pontos, 36,6 abaixo do esperado;
Leitura: 376,2 pontos, 1 ponto abaixo do esperado;
Ciências: 375,8 pontos, 24,1 abaixo do esperado.
A Secretaria de Estado de Educação de Mato Grosso (Seduc-MT) informou que acompanha os resultados do Pisa 2025 e considera os dados importantes para orientar o aperfeiçoamento das políticas educacionais.
Segundo a pasta, o desempenho dos estudantes é influenciado por diferentes fatores, como as condições socioeconômicas e a trajetória de aprendizagem. A secretaria defende que os resultados sejam analisados junto com outros indicadores educacionais e sociais. Entre as ações mantidas pela rede estadual, a Seduc-MT cita a recomposição das aprendizagens, as avaliações periódicas, o Sistema Estruturado de Ensino e o apoio pedagógico às escolas.
Confira os dados por estado:
Para a pedagoga educacional Karla Fernandes do Carmo os resultados do Pisa em Mato Grosso refletem dificuldades que vão além do desempenho em sala de aula. Na avaliação dela, a frequência dos estudantes e a continuidade do processo de aprendizagem estão entre os principais pontos que precisam ser enfrentados.
“Um dos entraves que enfrentamos é a infrequência dos estudantes, devido à instabilidade financeira dos pais, que mudam de bairro constantemente. O aluno fica inseguro, não se sente confiante e, quando a criança está se acostumando com o ambiente escolar, mudam a criança de escola. Essa infrequência atrapalha o desenvolvimento das habilidades necessárias para a aprendizagem dos estudantes, pois o ensino é um processo contínuo.
Quando existem essas rupturas, o trabalho docente não flui. Sem o aluno na escola, não tem como acontecer o ensino e a aprendizagem".
A pedagoga também destaca a diversidade dos estudantes de Mato Grosso, que vivem em diferentes contextos sociais e territoriais e têm formas variadas de aprender e se relacionar com o conhecimento.
“O aluno mato-grossense é um estudante marcado pela diversidade étnico-racial, está inserido em realidades territoriais muito diferentes, está cada vez mais conectado às tecnologias e às diferentes linguagens e apresenta necessidades de aprendizagem bastante heterogêneas. Todos esses fatores devem ser levados em consideração ao planejar o currículo oferecido para esses estudantes".
Desafios da educação mato-grossense
Para Karla, os desafios da educação no estado envolvem tanto a permanência dos estudantes quanto as condições oferecidas pelas escolas e aos profissionais.
“O desafio é garantir a permanência das crianças na escola, proporcionar ensino interdisciplinar, contextualizado, com sentido, melhorar a infraestrutura das unidades educacionais, fortalecer a equidade e a diversidade na educação e valorizar os profissionais docentes com salários dignos que acompanhem a economia".
Cada uma das áreas avaliadas pelo Pisa apresenta dificuldades específicas, segundo a pedagoga. Na leitura, ela destaca a necessidade de avançar na compreensão dos textos, enquanto em matemática aponta a importância de desenvolver habilidades que vão além da aplicação de fórmulas e procedimentos.
“Os desafios na linguagem são desenvolver a compreensão além da decodificação, localizar informações, fazer inferências, interpretar diferentes gêneros e ampliar o repertório leitor com práticas frequentes de leitura, mediação docente, discussão dos textos e estratégias de compreensão. Na matemática, o desafio é superar a aprendizagem para além dos procedimentos, desenvolver resolução de problemas, raciocínio e argumentação e relacionar a matemática ao cotidiano".
Em ciências, Karla defende que os conteúdos sejam trabalhados de forma mais próxima da realidade dos estudantes.
“Em ciências, o desafio é conseguir aproximar conceitos científicos da realidade dos estudantes, desenvolvendo observação, investigação, interpretação de dados e argumentação nas práticas docentes".
Segundo Karla, as dificuldades também aparecem na construção de conhecimentos básicos que servem de base para etapas posteriores da aprendizagem.
“Na matemática, percebemos que as crianças demoram para construir conceitos fundamentais, que vêm sendo elaborados desde a educação infantil, como noção espacial, noção de tempo, de intensidade e de quantidade. Eles precisam estar consolidados para o desenvolvimento das habilidades básicas. Se esses conceitos não são construídos, não tem como prosseguir nos entendimentos e compreensões necessários para o aprendizado".
Na leitura, a especialista aponta que os efeitos das dificuldades podem alcançar outras disciplinas e etapas da formação escolar.
“Na leitura, as dificuldades de alfabetizar os alunos no tempo certo, o ideal seria nos dois primeiros anos do ensino fundamental, reverberam nas demais áreas do conhecimento, na ciência, na história, pois é através da leitura que os estudantes compreendem comandos, estabelecem relações, inferem informações e interpretam diferentes linguagens. Esses dados ainda ressoam os impactos da pandemia".