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Planilhas no closet e 'BU' de R$ 500: como PF descobriu esquema de compra de votos de Jalser Renier

Jalser Renier é preso pela PF por suspeita de compra de votos em Roraima Planilhas escondidas em uma mochila no closet do candidato a deputado estadual Jalser Renier (PSDB) revelaram o esquema milionário que previa compra de votos de mais de 12 mil eleitores em Roraima. O material, apreendido pela Polícia Federal (PF), detalhou pagamentos de até R$ 500 a eleitores sob a sigla "BU", referência dire

Por Redação Publicado em 2 de outubro de 2026 às 09:00 6 min de leitura

Conteúdo de G1 — ler no site de origem

Planilhas no closet e 'BU' de R$ 500: como PF descobriu esquema de compra de votos de Jalser Renier
Publicado originalmente por [fonte]

Jalser Renier é preso pela PF por suspeita de compra de votos em Roraima

Planilhas escondidas em uma mochila no closet do candidato a deputado estadual Jalser Renier (PSDB) revelaram o esquema milionário que previa compra de votos de mais de 12 mil eleitores em Roraima. O material, apreendido pela Polícia Federal (PF), detalhou pagamentos de até R$ 500 a eleitores sob a sigla "BU", referência direta à "Boca de Urna".

Em nota, a defesa do candidato informou que "está tomando as medidas legais para restabelecer a liberdade".

Entenda🔎: As planilhas foram achadas pela PF durante buscas de outra operação, no dia 24 de setembro, e motivaram a prisão preventiva dele, nesta quinta-feira (1º), na Operação Lemming. Jalser é apontado como chefe de um esquema que planejava gastar mais de R$ 4,2 milhões com a compra de votos. É a segunda vez que ele é preso em uma semana.

A análise dos documentos revelou um sistema estruturado para pagar eleitores. As planilhas continham campos padronizados como "BU DEFINIDO", "QTD" e "TOTAL", e detalhavam valores de R$ 200, R$ 300, R$ 400 e R$ 500 por pessoa.

Ao todo, o sistema contabilizava 12.175 eleitores cadastrados e um orçamento de R$ 4.228.100 para bancar a compra de votos e pagar lideranças. Apenas para a reta final de setembro, o grupo reservou a quantia exata de R$ 2.449.300, registrada exclusivamente sob a sigla "BU".

A estrutura ilícita visava beneficiar tanto a candidatura de Jalser como a da esposa dele e candidata a deputada federal, Tatyanne Aguillera Padilha, a Dra. Taty (PSDB). O g1 procurou a defesa dos citados e aguarda retorno.

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Os documentos foram achados durante a Operação Filargíria, quando agentes da PF cumpriram um mandado de busca e apreensão na casa de Jalser, no bairro Canarinho, em Boa Vista. A ação era referente a outro processo, expedido pela Justiça estadual comum, que apurava suspeitas de lavagem de dinheiro e desvio de recursos públicos.

No entanto, durante buscas no quarto do candidato os policiais encontraram: Folhas de anotações e R$ 19,1 mil em dinheiro vivo, junto com documentos pessoais de Jalser Renier;

Planilhas com todo o mapeamento financeiro e territorial da campanha, abaixo da televisão.

Por isso, mesmo que a ação original não tenha sido motivada por compra de votos, os indícios de crimes eleitorais foram validados e repassadas à Justiça Eleitoral, resultando na operação desta quinta (1º).

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Renda incompatível e silêncio

Durante a prisão em flagrante na outra operação, Jalser assinou um documento onde declarou ser servidor público, com salário mensal de R$ 6.800 e sem outras fontes de renda. A quantia foi considerada incompatível com o orçamento milionário encontrado nos endereços ligados ao candidato.

Ao ser questionado na sede da PF sobre a finalidade das planilhas e do dinheiro, Jalser optou por permanecer em silêncio.

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Jalser Renier e mãe dele são alvos da PF por suspeita de compra de votos em Roraima

Quem é Jalser Renier, deputado alvo da PF em Roraima

Coordenadores e a mãe de Jalser também foram alvos

Candidato a deputado estadual Jalser Renier (PSDB) e a mãe dele, Itelvina Padilha, foram alvos da PF no dia 1º de outubro

Reprodução/Instagram

A PF identificou pelo menos 23 pessoas vinculadas às planilhas, mas concentrou as ações em seis coordenadores que gerenciavam as maiores fatias do eleitorado. Todos foram alvos de busca e apreensão e tiveram bens bloqueados na operação desta quinta-feira (1º).

Entre os alvos está Itelvina da Costa Padilha, mãe de Jalser. Ela aparecia nas planilhas como "referência" para intermediar cotas e estava vinculada R$ a 14 mil. Ela mora em um imóvel colado ao escritório político do filho, também no bairro Canarinho.

Os outros coordenadores mapeados e os valores que eles gerenciavam no esquema eram:

Rosilany Maria Marques Pereira Stefanello: Coordenadora de campanha de Jalser. Ela foi alvo de busca e apreensão e teve de R$ 313,8 mil bloqueados.

Marcio Jose Bergmann: Coordenador do esquema no Cantá. Ele foi alvo de busca e apreensão e teve R$ 180 mil bloqueados.

Daniel Cavalcante Rigo: Coordenador do esquema em Caracaraí. Ele foi alvo de busca e apreensão e teve R$ 250 mil bloqueados.

Rosineide Araujo Xavier: Coordenadora do esquema em Boa Vista. Ele foi alvo de busca e apreensão e teve R$ 94 mil bloqueados.

João dos Santos Moura: Coordenador do esquema em Boa Vista. Ele foi alvo de busca e apreensão e teve R$ 66 mil bloqueados.

A defesa da Dra. Taty, Rosilany e Rosineide informou que "aguarda a conclusão das diligencias para adotar as medidas".

Relembre a outra prisão

Jalser foi preso no dia 24 de setembro pela PF em Boa Vista, e passou a noite na Penitenciária Agrícola de Monte Cristo (Pamc), por conta dos indícios de compra de votos encontrados no escritório dele.

Renier foi levado à sede da PF, onde prestou depoimento. Em entrevista ao g1 na ocasião, o advogado dele, Carlos Vilareal, disse que entre os documentos apreendidos, havia planilhas com nomes de cabos eleitorais, "apoiadores remunerados" e "voluntários".

Esposa e apoiadores de Jalser Renier oram e cantam em frente à sede da PF em Boa Vista

Quem é Jalser Renier

Candidato a deputado estadual Jalser Renier em Roraima nas eleições 2026

Reprodução/Instagram

Jalser Renier Padilha é um dos políticos mais conhecidos de Roraima. Ele foi deputado por 27 anos, mas teve o mandato cassado pela Assembleia Legislativa de Roraima (ALE-RR) em 2022, por quebra de decoro. A cassação ocorreu após ele ser acusado de ser o mandante do sequestro e da tortura do jornalista Romano dos Anjos, em 2020.

No processo penal sobre o caso do jornalista, ele é réu por sete crimes: sequestro qualificado, tortura qualificada, constituição de milícia privada, dano qualificado, roubo majorado, cárcere privado e violação de domicílio qualificada.

A cassação também havia deixado Jalser inelegível até 2030. No entanto, em agosto, o ministro Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), concedeu uma liminar que suspendeu parcialmente os efeitos da cassação. Com isso, ele ficou autorizado a disputar as eleições deste ano.

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