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'Por que decidi gastar dinheiro em vez de deixá-lo de herança para meus filhos'

Aos 64 anos, Sarah Moorhouse aproveita a aposentadoria usando sua previdência privada "para viajar e fazer o que gosta quando tem vontade". Enquanto outros aposentados com uma renda mensal razoável talvez prefiram economizar e deixar uma herança para os filhos, ela e o marido, Geoff, preferem gastar o dinheiro aproveitando a vida ao máximo. "Adoramos viajar para a Escócia", diz Sarah, que trabalho

Por Redação Publicado em 24 de setembro de 2026 às 07:28 5 min de leitura

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'Por que decidi gastar dinheiro em vez de deixá-lo de herança para meus filhos'
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Aos 64 anos, Sarah Moorhouse aproveita a aposentadoria usando sua previdência privada "para viajar e fazer o que gosta quando tem vontade".

Enquanto outros aposentados com uma renda mensal razoável talvez prefiram economizar e deixar uma herança para os filhos, ela e o marido, Geoff, preferem gastar o dinheiro aproveitando a vida ao máximo.

"Adoramos viajar para a Escócia", diz Sarah, que trabalhou como administradora de uma escola.

"Estivemos em Cambridgeshire, que achamos lindo. Vamos com frequência para uma casa de campo no Lake District, e estamos planejando ir para Norfolk."

O casal viaja quatro ou cinco vezes por ano e gasta centenas de libras a cada viagem. Para Sarah, "só se vive uma vez".

Recentemente, eles venderam seu clássico conversível Sunbeam Alpine para trocá-lo por um Mazda MX-5, um modelo mais moderno, esportivo e de dois lugares.

"Cheguei a uma idade em que vou a funerais de amigos e conhecidos, e acho que é preciso viver a vida e aproveitá-la enquanto for possível, porque ela é um bem muito precioso", afirma.

Sarah e Geoff fazem parte de uma tendência que vem ganhando força em vários países: gastar o próprio dinheiro durante a aposentadoria, em vez de guardar patrimônio para deixar aos filhos.

Segundo um relatório divulgado em março pela empresa de previdência Standard Life, 15% dos pais britânicos com filhos de todas as idades planejam priorizar aproveitar o próprio dinheiro durante a aposentadoria em vez de deixar uma herança.

Nos Estados Unidos, caiu para 20% no ano passado o percentual de pessoas que esperavam receber uma herança dos pais, ante 25% que previam receber esse dinheiro em 2024, segundo um estudo da empresa de serviços financeiros Northwestern Mutual.

'É uma loucura esperar receber uma herança'

Sarah e Geoff têm duas filhas adultas. Uma delas, Poppy, disse à BBC que fica feliz que os pais saiam e aproveitem a vida.

Ela rejeita completamente a ideia de que ela e a irmã devam esperar receber uma herança.

"Para mim, isso é uma loucura. Nunca passou pela minha cabeça que eu receberia dinheiro quando meus pais morressem. Prefiro mil vezes que eles façam o que quiserem."

Mike Ambery, diretor de aposentadoria e poupança da Standard Life, acredita que o crescimento dessa tendência no Reino Unido está relacionado ao desaparecimento dos planos de aposentadoria baseados no salário final, que garantem pagamentos mensais durante toda a vida do aposentado.

Em vez disso, cada vez mais pessoas no Reino Unido contam com planos de contribuição definida, cujos recursos podem acabar.

Ambery acredita que é mais fácil deixar uma herança quando se sabe que a renda da aposentadoria vai durar até a morte.

Ele também diz que os aposentados querem simplesmente aproveitar a vida depois de anos de trabalho.

"É simplesmente se permitir alguns pequenos prazeres para aproveitar a vida. Sejamos realistas: a vida profissional pode ser muito dura para algumas pessoas."

É claro que nem todos os aposentados têm uma boa situação financeira.

No Reino Unido, 16% da população aposentada vive na pobreza, segundo a organização beneficente Joseph Rowntree Foundation.

Nos Estados Unidos, a taxa é de 15,4%, segundo dados divulgados recentemente.

Ao mesmo tempo, segundo o Institute for Fiscal Studies, um centro de estudos britânico, a renda disponível dos aposentados no Reino Unido — excluídos os gastos com moradia — aumentou mais nas últimas três décadas do que a das pessoas que ainda não estão aposentadas.

Segundo dados oficiais, cerca de 69% dos aposentados no Reino Unido têm uma previdência privada além da aposentadoria pública. Nos Estados Unidos, esse percentual é de 56%.

'Estou gastando tudo'

Karen Green, de 60 anos, diz que sempre foi muito sincera com os filhos.

"Fui bem clara ao dizer a eles que provavelmente não vou deixar uma herança, porque imagino que vou gastar tudo."

Natural de Berkshire, Karen vive em Provença, no sul da França, há 11 anos e gasta mais de US$ 13 mil (R$ 67 mil) por ano em viagens.

"Este ano vou fazer um retiro de ioga. Fiz um em março, no Marrocos", conta. "Depois, entre outubro e novembro, vou para o Vietnã e Laos fazer uma pequena viagem."

Ela se considera semiaposentada e complementa a aposentadoria privada com alguns trabalhos de consultoria empresarial — atividade que exercia em tempo integral.

Ela diz que sua renda mensal também é praticamente a mesma de quando trabalhava em período integral.

Além da aposentadoria e da renda dos trabalhos extras, 40% de seus recursos vêm do aluguel de um imóvel.

Karen diz que não se considera uma "gastadora", mas que gosta de "encontrar boas ofertas".

Assim como Sarah Moorhouse, ela só poderá receber a aposentadoria pública britânica aos 67 anos.

Atualmente, o benefício básico é de US$ 16,7 mil (R$ 86 mil) por ano para quem atingiu a idade de aposentadoria pública depois de abril de 2016, mas o valor deve aumentar no próximo ano.

Nos Estados Unidos, por outro lado, os aposentados recebem benefícios públicos conhecidos como Social Security.

O valor máximo anual para quem se aposenta aos 67 anos, considerada a idade de aposentadoria integral, é de US$ 49.824 (cerca de R$ 257 mil).

A partir dos 62 anos, porém, é possível optar por receber um benefício menor.

Matthew Loveless, vice-presidente da Northwestern Mutual, empresa sediada em Ohio, nos EUA, afirma que os aposentados precisam ser sinceros com os filhos adultos, já que alguns podem estar contando com uma herança da qual pretendem depender.

Sarah diz que, apesar dos gastos, pretende deixar alguma coisa para os filhos.

Enquanto isso, já está planejando as próximas férias. "Trabalhei duro a vida toda e acho que mereço ter um pouco de tempo livre e poder fazer coisas de que gosto."

Com informações de Miguel Roca-Terry.

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