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Por que endometriose dificulta a gravidez? Cirurgião explica

Mês após mês, o mesmo resultado: só um traço no teste. Depois de tentar engravidar por um longo tempo sem sucesso, muitas mulheres decidem procurar o médico, e é ali, no meio dos exames, que descobrem uma doença que nunca imaginaram ter: a endometriose. Isso acontece porque a maioria das pessoas só desconfia da endometriose quando sente dor forte. Mas ela nem sempre se manifesta com os mesmos sint

Por Redação Publicado em 2 de outubro de 2026 às 16:16 5 min de leitura

Conteúdo de G1 — ler no site de origem

Por que endometriose dificulta a gravidez? Cirurgião explica
Publicado originalmente por [fonte]

Mês após mês, o mesmo resultado: só um traço no teste. Depois de tentar engravidar por um longo tempo sem sucesso, muitas mulheres decidem procurar o médico, e é ali, no meio dos exames, que descobrem uma doença que nunca imaginaram ter: a endometriose.

Isso acontece porque a maioria das pessoas só desconfia da endometriose quando sente dor forte. Mas ela nem sempre se manifesta com os mesmos sintomas para todas as mulheres.

Segundo a Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA), cerca de 10% das pessoas em idade reprodutiva têm endometriose. Entre as mulheres que enfrentam dificuldade para engravidar, esse número sobe: até 50% delas convivem com a doença. Mas atenção: isso não quer dizer que toda mulher com a doença vai ter dificuldade para engravidar.

Como a endometriose atrapalha a gravidez

A endometriose acontece quando um tecido parecido com o que reveste o útero por dentro cresce em outros lugares do corpo. Esse tecido reage aos hormônios todo mês, do mesmo jeito que o do útero: só que, fora do lugar certo, ele causa inflamação ao redor.

Isso pode atrapalhar a gravidez de quatro jeitos:

Trompas e ovários mudam de lugar: a inflamação pode colar tecidos uns nos outros e bloquear o caminho que o óvulo precisa percorrer até encontrar o espermatozoide.

Os óvulos perdem qualidade: cistos nos ovários (chamados endometriomas) e a inflamação constante podem prejudicar os óvulos e diminuir a reserva que a mulher tem disponível.

A região da pelve fica hostil: o corpo libera substâncias que atrapalham o encontro entre óvulo e espermatozoide, e dificultam para o embrião se fixar no útero.

Os hormônios saem do equilíbrio: a doença pode desregular a produção hormonal, afetando a ovulação e a chance de o embrião se fixar no útero.

É importante lembrar: nem toda mulher com endometriose vai ter dificuldade para engravidar. O impacto na fertilidade varia de acordo com a gravidade da doença, a localização das lesões e outros fatores individuais.

A cirurgia pode ajudar a engravidar?

"Mulheres com endometriose podem ser gestantes? Sim! Mas a endometriose acaba atrapalhando em até 50% dos casos. O que a endometriose causa, na realidade, é um estado inflamatório crônico. Não se sabe ao certo todas as vias pelas quais a endometriose pode atrapalhar uma gestação, mas sabemos que, em mulheres sem nenhum problema documentado, a taxa de fecundidade gira em torno de 20% — ou seja, de cada 100 mulheres tentando, 20 engravidam naquele ciclo. Quando a endometriose entra como fator complicador, essa taxa cai para 2% a 10%", Tiago Castilho, cirurgião oncológico com atuação em cirurgia ginecológica e cirurgia de endometriose profunda.

Para casos em que a doença compromete a anatomia da pelve, como aderências que bloqueiam as trompas ou cistos que reduzem a reserva ovariana, a cirurgia pode ser parte do caminho para reverter esse cenário. Uma revisão publicada pela Sociedade Brasileira de Reprodução Humana, reunindo resultados de oito estudos, mostrou uma taxa de gravidez de 43,8% após a cirurgia para remoção de endometrioma. Ainda assim, a decisão de operar — ou não — depende de outros fatores, como idade, tempo de tentativa e reserva ovariana, e deve ser sempre avaliada caso a caso.

Quando não dói, mas a doença está lá

Um dos maiores desafios é que a endometriose nem sempre avisa com dor. Algumas mulheres têm um caso grave da doença e quase não sentem nada, ou quase nada.

Por isso, o diagnóstico certo depende de exames mais completos, como a ressonância magnética e o ultrassom transvaginal especializado. Eles conseguem enxergar focos da doença que não aparecem em exames simples, o mesmo tipo de investigação usada para entender o caminho até o exame certo no diagnóstico da endometriose de forma geral.

A definição do tratamento exige avaliação individualizada.

"Quando falamos de cirurgia de endometriose, uma das primeiras coisas que pergunto para a paciente é: qual o seu objetivo? Se ela falar de engravidar, o planejamento cirúrgico muda, passa a priorizar a preservação do futuro reprodutivo e a segurança em todas as decisões", explica o cirurgião.

Cirurgia de endometriose pode ser indicada em casos que comprometem a fertilidade.

Camila Requena Machado de Alcantara.

Investigação e cuidado especializado

Ter endometriose não significa necessariamente ser infértil, assim como receber o diagnóstico não significa que toda mulher deva ser operada. Sintomas, extensão da doença e planos reprodutivos precisam ser considerados individualmente.

Quando existe o desejo de engravidar agora ou no futuro, o acompanhamento de um médico especialista em reprodução humana pode ser importante ao longo de todo o tratamento da endometriose, mesmo quando a mulher não apresenta sintomas. Cirurgião e especialista em fertilidade podem atuar de forma complementar, avaliando fatores como idade, reserva ovariana, extensão da doença e momento reprodutivo para definir a estratégia mais adequada para cada mulher.

Há mais de 10 anos acompanhando e operando mulheres com endometriose, o médico cirurgião Tiago Castilho atua também na avaliação de casos complexos e, quando há indicação cirúrgica, utiliza técnicas minimamente invasivas, como videocirurgia e cirurgia robótica. O programa Cuidado 360º complementa essa abordagem organizando preparação e recuperação.

Está tentando engravidar e suspeita de endometriose? Agende uma avaliação com Tiago Castilho pelo telefone (44) 99169-8161 e entenda quais são os próximos passos no seu caso.

Tiago Castilho é Cirurgião Oncológico com atuação em Cirurgia Ginecológica e Cirurgia de Endometriose Profunda, mestre e doutor na área, com mais de 10 anos de experiência no tratamento cirúrgico da doença. CRM-PR 22590 | RQE 2911 | RQE 844.

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