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Presidente do PT quer negociar aliança com a 'direita que valoriza a democracia' no 2º turno

Edinho Silva, presidente nacional do PT, fala a jornalistas em São Paulo nesta sexta-feira (1). Letícia Brito Silva O presidente nacional do PT, Edinho Silva, afirmou nesta sexta-feira (2) que o PT está aberto para ouvir e agregar propostas de candidatos de outras forças políticas em um eventual segundo turno na disputa pelo Palácio do Planalto. “Mesmo candidaturas à direita valorizam a democracia

Por Redação Publicado em 2 de outubro de 2026 às 13:23 6 min de leitura

Conteúdo de G1 — ler no site de origem

Presidente do PT quer negociar aliança com a 'direita que valoriza a democracia' no 2º turno
Publicado originalmente por [fonte]

Edinho Silva, presidente nacional do PT, fala a jornalistas em São Paulo nesta sexta-feira (1).

Letícia Brito Silva

O presidente nacional do PT, Edinho Silva, afirmou nesta sexta-feira (2) que o PT está aberto para ouvir e agregar propostas de candidatos de outras forças políticas em um eventual segundo turno na disputa pelo Palácio do Planalto. “Mesmo candidaturas à direita valorizam a democracia e querem um Brasil democrático. Temos que abrir esse diálogo — ou nós vamos cair como país da intolerância”, disse Edinho.

Quem são os candidatos para votar nas eleições de 2026?

O dirigente, que é coordenador da campanha de Lula, confirmou que o presidente vai participar dos debates no segundo turno. No primeiro turno, o petista não foi a nenhum debate com os demais candidatos à Presidência. De acordo com Edinho, Lula quer um confronto direto com o adversário Flávio Bolsonaro (PL). “Ele quer que o povo enxergue a diferença entre o Brasil que o Flávio defende e o Brasil que ele representa”, disse o presidente do PT. Edinho concedeu entrevista em um hotel em São Paulo, ao lado de integrantes da campanha e de Éden Valadares, secretário nacional de Comunicação do PT.

Sentimento de mudança como adversário

O coordenador da campanha de Lula reconheceu o sentimento de mudança na população e afirmou que o único capaz de realizar reformas estruturantes é o candidato do PT. “Não estamos disputando com o Flávio, mas com esse sentimento de mudança. Tanto que, quando você tira o Flávio e põe o Caiado, Cury, todos crescem, porque nosso adversário é esse sentimento. Por isso que temos que debater que o único capaz de fazer mudanças é o Lula”, disse Edinho Silva.

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Estratégias de campanha e palanques regionais

O presidente nacional do PT se disse otimista com a campanha de Lula em um possível 2º turno. Edinho Silva afirmou que, desde 2025, o partido tem se organizado nos estados para viabilizar alianças e palanques regionais para buscar a reeleição do presidente.

“Nós vamos ter uma estrutura muito forte de campanha no segundo turno com aliados e outras alianças que poderemos ampliar, mas com estruturas mais montadas no 1º turno. Estou muito confiante de que, em termos de estrutura de campanha, o presidente Lula sai muito na frente em relação ao adversário [Flávio Bolsonaro]”.

O coordenador da campanha do petista também previu cenários para os governos nos estados em que o PT possui candidaturas próprias ou que declarou apoio. Para Edinho, a polarização faz com que a chance dos pleitos serem definidos no 1º turno seja grande.

Com candidaturas do PT, a expectativa de Edinho é que o partido tenha chances de ir para 2º turno no Rio Grande do Norte, Minas Gerais, e de vencer a disputa no 1º turno no Piauí. Com os aliados, Edinho espera que as candidaturas avancem no Rio de Janeiro, no Rio Grande do Sul, Amazonas, Paraná, e de vencer no 1º turno com aliados em Sergipe e no Pará.

Edinho Silva também comentou sobre a campanha do PT em São Paulo, em que Fernando Haddad (PT) aparece atrás de Tarcísio de Freitas (Republicanos) nas pesquisas de intenção de voto. O presidente do PT afirmou que Haddad tem feito uma “campanha brilhante” e que conta com o voto útil para movimentar o cenário eleitoral. “Se eu fosse o Tarcísio, eu respeitaria muito o Haddad nessa reta final de campanha. Porque a polarização vai se dar. Pode ter uma movimentação importante do eleitoral de São Paulo”, afirmou.

Projeção para o Congresso Nacional

A dois dias das eleições, o presidente nacional do PT também fez projeções em relação ao que espera da votação para deputados federais e senadores. Edinho Silva acredita que a bancada do PT na Câmara dos Deputados cresça de 69 deputados para pelo menos 80. No Senado, a expectativa do coordenador da campanha de Lula é que o "campo democrático" forme maioria. “Podemos ser o partido que mais cresce ou estarmos entre os que mais crescem na Câmara dos Deputados. Com a federação, podemos crescer uns outros 20 parlamentares. Para enfrentar essa quadra histórica no Senado, temos que fazer alianças com o campo democrático para impedir o crescimento dessa direita de inspiração fascista”, declarou.

Crítica a Trump e ao fechamento de consulados dos EUA no Brasil

Durante a entrevista coletiva, o presidente do PT também mencionou as suspeitas de interferência estrangeira no Brasil. Edinho Silva criticou o presidente dos EUA, Donald Trump, a quem chamou de “o maior líder fascista do século XXI”. Ele ainda afirmou que, se confirmadas as suspeitas de interferência, os envolvidos devem ser punidos, inclusive com o envio do caso a organismos internacionais.

“O Brasil vai ficar passivo? Se fizéssemos isso lá [nos EUA], certamente a CIA já estaria operando, a Interpol estaria operando para nos investigar. O mundo tem que enfrentar essa concepção que o Trump tem disseminado. Ele tem interferido em eleições na Europa, na América Latina. O Brasil é a maior democracia direta do mundo, e eu acho que tem que ser respeitado como tal”, afirmou.

Edinho Silva comentou sobre o fechamento dos trabalhos consulares e da Embaixada dos EUA no Brasil na última quinta (1) por supostas “questões de segurança”.

“Fechar os consulados é inédito, não tem o menor sentido, é uma das formas que o Trump tem para disputar a opinião pública no Brasil”, declarou.

Debate religioso e fim das Bets

O presidente nacional do PT ainda comentou sobre a decisão de Lula de restringir as apostas online no Brasil. Segundo Edinho Silva, a medida teria vindo de uma decisão pessoal do presidente.

“Muita gente interpretou como uma medida de campanha, mas Lula se incomoda com as bets desde a regulamentação. Com a falta de regulação, as bets se tornaram um grande instrumento de lavagem de dinheiro. Lula regulamentou, mas muito incomodado. Na vida pessoal, Lula conhece muita gente que se perdeu com jogatina”, argumentou.

Edinho Silva ainda se disse preocupado com o debate religioso no país, em meio ao caso envolvendo Nossa Senhora Aparecida. Na coletiva de imprensa, o presidente nacional do PT afirmou que a intolerância religiosa é algo “perigoso”.

“Temos que tomar medidas para baixar a temperatura desse debate no Brasil, porque pode virar um problema que o Brasil nunca teve e que pode passar a ter. É difícil saber a origem dessa polêmica, mas toma essa proporção porque já tinha precedentes. Devemos fazer desse episódio para fazermos uma reflexão para ver onde o Brasil está indo e o que queremos construir”, concluiu.

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