Quais os principais desafios que Otaviano Pivetta terá nos próximos 4 anos em MT
Otaviano Pivetta é reeleito governador em Mato Grosso Saúde, violência e infraestrutura estão entre os principais desafios de Otaviano Pivetta (Republicanos), reeleito governador de Mato Grosso neste domingo (4), com 60,77% dos votos válidos, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). As três áreas foram os principais problemas do estado apontados na última pesquisa Quaest. As demandas vão desde
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Otaviano Pivetta é reeleito governador em Mato Grosso
Saúde, violência e infraestrutura estão entre os principais desafios de Otaviano Pivetta (Republicanos), reeleito governador de Mato Grosso neste domingo (4), com 60,77% dos votos válidos, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). As três áreas foram os principais problemas do estado apontados na última pesquisa Quaest. As demandas vão desde a dificuldade de conseguir consultas e cirurgias no interior até o enfrentamento às facções criminosas e a entrega do BRT em Cuiabá e Várzea Grande.
Pivetta assumiu o governo após a renúncia de Mauro Mendes (União), de quem foi vice-governador por dois mandatos. Empresário e agropecuarista, ele também foi deputado estadual e prefeito de Lucas do Rio Verde. Esta foi a primeira vez que disputou o Governo de Mato Grosso como candidato ao cargo.
Otaviano Pivetta (Republicanos), votou em Lucas do Rio Verde (MT)
Reprodução
Saúde
Na saúde, o principal desafio é ampliar o acesso aos serviços especializados, sobretudo para quem vive longe dos maiores centros. Segundo a Secretaria de Estado de Saúde (SES), a macrorregião Centro-Norte concentra cerca de 40% dos leitos de Mato Grosso.
A concentração de serviços de média e alta complexidade em cidades-polo obriga pacientes do interior a viajar para conseguir atendimento. Essa necessidade também alcança gestantes de municípios pequenos, que precisam se deslocar para partos e acompanhamento obstétrico.
As filas por consultas, exames e cirurgias incluem especialidades como ortopedia, oncologia, cardiologia e neurocirurgia. Além da espera, há dificuldades na regulação, processo que organiza o encaminhamento dos pacientes e o acesso às vagas entre os municípios.
Esse cenário pressiona os hospitais de referência de Cuiabá e de outros polos regionais. Para o próximo mandato, a demanda envolve ampliar a oferta de especialistas e reduzir a desigualdade no acesso, para que o local onde o paciente mora não seja um obstáculo ao tratamento.
Violência
A violência contra as mulheres está entre os principais desafios da segurança pública. Mato Grosso teve a terceira maior taxa de feminicídios do Brasil em 2025, segundo o 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).
O estado registrou 54 vítimas e uma taxa de 2,7 feminicídios para cada 100 mil mulheres, atrás apenas do Acre, com 3,2, e de Rondônia, com 2,9.
O levantamento também aponta que sete mulheres assassinadas em Mato Grosso tinham medida protetiva de urgência ativa no momento da morte. O dado evidencia a necessidade de reforçar o acompanhamento de mulheres ameaçadas e a resposta às situações de risco.
De janeiro a setembro de 2026, o estado registrou 39 feminicídios, segundo o Observatório Caliandra, do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT).
Ampliar os serviços de proteção no interior será outra demanda. O Botão do Pânico, disponível no aplicativo SOS Mulher MT, funciona somente em Cuiabá, Várzea Grande, Cáceres e Rondonópolis, municípios que têm Centro Integrado de Operações em Segurança Pública (Ciosp).
Nas demais cidades, segundo o governo, mulheres com medida protetiva podem acionar o atendimento pelo telefone 190 e solicitar acompanhamento da Patrulha Maria da Penha.
Enfrentamento às facções criminosas
Além do tráfico: facções expandem atuação e chegam até a garimpo ilegal em terra indígena
O avanço das facções também exige atenção. A atuação desses grupos alcança a economia, por meio da lavagem de dinheiro, e chega a influenciar eleições locais.
Entre as atividades exploradas pelas organizações está o garimpo ilegal. Em Mato Grosso, a presença de facções na Terra Indígena Sararé é abordada no documentário do Globoplay “Territórios — Sob o Domínio do Crime”, que retrata a expansão desses grupos no Brasil.
O desafio envolve enfrentar tanto os crimes cometidos pelas organizações quanto as atividades que sustentam sua atuação financeira.
Infraestrutura
Obras BRT, Várzea Grande (MT)
Prefeitura de Várzea Grande (MT)
Na Grande Cuiabá, uma das principais cobranças é a entrega do BRT, sistema de transporte por ônibus com corredores exclusivos. O modal ainda está em implantação em Cuiabá e Várzea Grande e não tem data definida para começar a funcionar.
Segundo o governo, a previsão é concluir até dezembro de 2026 o corredor entre o Aeroporto Marechal Rondon e o Comando Geral da Polícia Militar, incluindo terminais e estações. O prazo informado se refere à conclusão dessa estrutura, enquanto o início da operação permanece sem data definida.
No interior, as demandas incluem a entrega de estradas e pontes e a manutenção das rodovias. A Pesquisa CNT de Rodovias identificou 95 pontos críticos em Mato Grosso em 2025, nos 7.156 quilômetros avaliados — uma média de 1,3 ponto crítico a cada 100 quilômetros.
São problemas graves, como buracos grandes, erosões, quedas de barreira e pontes danificadas, que prejudicam o tráfego e aumentam o risco de acidentes. Segundo a Confederação Nacional do Transporte (CNT), essas condições também elevam o consumo de combustível e os gastos com manutenção dos veículos.
Em Mato Grosso, onde o transporte rodoviário é essencial para o escoamento da produção agrícola e pecuária, os problemas nas estradas afetam diretamente a economia. Viagens mais demoradas e fretes mais caros se somam às dificuldades de deslocamento da população.
Entre as obras que ainda exigem conclusão estão a substituição de pontes de madeira na Transpantaneira e o Complexo do Rio Juruena. A duplicação da MT-251 também permanece pendente: segundo o governo, o projeto foi suspenso por decisão judicial e envolve licenciamento ambiental e desapropriações.
O que foi entregue e quais promessas ainda estão pendentes
Os desafios do próximo mandato também se conectam a compromissos assumidos na campanha de 2022. Após três anos e meio de gestão, Mauro Mendes e Otaviano Pivetta haviam cumprido 28 das 43 promessas, conforme levantamento do g1.
Na saúde, foram entregues o Hospital Central, inaugurado em dezembro de 2025, e o Hospital Estadual do Alto Tapajós, em Alta Floresta, em março de 2026. O governo também ampliou o Fila Zero na Cirurgia, que realizou mais de 700 mil procedimentos eletivos desde a implantação, em 2023, até 16 de junho de 2026. O total inclui procedimentos que podem ser agendados e não corresponde apenas a cirurgias.
Dados do Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde mostram que o estado passou de 2.431 leitos do Sistema Único de Saúde (SUS), em dezembro de 2022, para 2.978 em junho de 2026.
Ainda estavam em andamento, no levantamento, as obras dos hospitais de Juína, Confresa e Tangará da Serra. Segundo o governo, as previsões de conclusão eram dezembro de 2026 para Juína e fevereiro de 2027 para Confresa e Tangará da Serra.
O novo Hospital Universitário Júlio Müller estava com 94% das obras concluídas, com previsão de entrega do prédio à Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) até o fim de 2026.
Na segurança, a gestão implantou o programa de câmeras Vigia Mais MT e convocou 1.923 aprovados em concursos entre 2023 e julho de 2026, segundo levantamento do g1. A promessa de ampliar o Botão do Pânico para outras cidades, porém, não havia sido cumprida. O governo informou que a implantação em Sinop está prevista até o fim de 2026.
Na infraestrutura, foram cumpridas as metas de entregar 2,6 mil quilômetros de asfalto novo, restaurar 1,5 mil quilômetros e construir 120 pontes de concreto. Segundo o estado, foram pavimentados 3.692 quilômetros entre 2023 e dezembro de 2025, recuperados mais de 3,7 mil quilômetros até o início de 2026 e substituídas 261 pontes de madeira por estruturas de concreto desde o início do mandato.
Já as promessas de implantar o BRT e iniciar a duplicação da MT-251 não haviam sido cumpridas. A substituição de todas as pontes de madeira da Transpantaneira foi realizada apenas em parte: das 98 estruturas, 22 haviam sido substituídas entre 2019 e 2022 e outras 25 a partir de 2023.
No Complexo do Rio Juruena, cerca de 68% da obra havia sido executada, com previsão de conclusão em dezembro de 2026. O projeto inclui uma ponte de 1.360 metros, o asfaltamento de 59 quilômetros da MT-208 e outras três pontes de concreto.