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Quem é e qual crime cometeu Christa Pike, a primeira mulher que seria executada no Tennesse em 200 anos: 'Ela também é uma vítima'

Quem é Christa Pike Tennesse Department of Corrections/BBC Ashlee Sellars teve notícias de sua amiga Christa Pike pela última vez no início desta semana, quando Pike lhe enviou uma mensagem de texto de sua cela no corredor da morte, enquanto se preparava para ser executada, na quarta-feira (30/09), por injeção letal pelo Estado americano do Tennessee. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g

Por Redação Publicado em 1 de outubro de 2026 às 07:20 9 min de leitura

Conteúdo de G1 — ler no site de origem

Quem é e qual crime cometeu Christa Pike, a primeira mulher que seria executada no Tennesse em 200 anos: 'Ela também é uma vítima'
Publicado originalmente por [fonte]

Quem é Christa Pike

Tennesse Department of Corrections/BBC

Ashlee Sellars teve notícias de sua amiga Christa Pike pela última vez no início desta semana, quando Pike lhe enviou uma mensagem de texto de sua cela no corredor da morte, enquanto se preparava para ser executada, na quarta-feira (30/09), por injeção letal pelo Estado americano do Tennessee.

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Pike disse a Sellars que não quer que nenhum de seus entes queridos esteja presente no dia de sua execução. "Ela não quer que passemos por isso", diz Sellars.

O que Sellars não imaginaria, é que isso também garantiu que ela e outros entes queridos de Pike não testemunhassem a caótica tentativa de execução: a condenada à morte sobreviveu a duas injeções letais e foi levada a um hospital, onde médicos tentam salvar sua vida.

Sellars tem dificuldade em conciliar a imagem dessa mulher, que ela só conhecia como gentil e protetora, com a pessoa que cometeu um crime hediondo há 31 anos.

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Pike, agora com 50 anos, tinha 18 quando ela e seu namorado da época, Tadaryl Shipp, espancaram, torturaram e assassinaram Colleen Slemmer, uma jovem de 19 anos que conheceram em um acampamento de treinamento profissional para adolescentes problemáticos.

O assassinato causou um frenesim na mídia em Knoxville, Tennessee, em 1995, quando Colleen foi encontrada com um pentagrama, símbolo de ritual satânico, esculpido em seu peito.

Pike acusou Colleen de insultá-la e tentar roubar seu namorado. Dois outros membros do acampamento testemunharam posteriormente que Pike se gabou do assassinato antes e depois, e mostrou-lhes um pedaço do crânio de Colleen.

Um ano depois, ela foi condenada à morte, enquanto Shipp — que tinha 17 anos na época — recebeu uma sentença de prisão perpétua com possibilidade de liberdade condicional. Após anos de apelações sem sucesso, a execução de Pike foi marcada para quarta-feira (30/09), mas foi interrompida por decisão de juízes do Tribunal de Apelações do Sexto Circuito. Então, o procurador-geral do Tennessee apelou imediatamente à Suprema Corte dos EUA, que decidiu no mesmo dia que a execução de Pike poderia seguir em frente.

No entanto, Pike sobreviveu às duas injeções letais. Se tivesse morrido, Pike seria a primeira mulher executada no Tennessee em mais de 200 anos. Apenas 18 mulheres foram executadas nos EUA desde a década de 1970, em comparação com 1.663 homens.

A mãe de Colleen disse que deseja que a execução de Pike aconteça para que sua filha "finalmente possa descansar em paz".

A estudante Colleen Slemmer foi torturada e brutalmente assassinada em 1995.

Foto cedida pela família/BBC

Os advogados de Pike, que apresentaram um pedido de clemência de 226 páginas, vinham apostando em um adiamento de última hora, e especialistas em direitos humanos da ONU também pediram que a execução fosse suspensa.

Pike possui um histórico documentado de vítima de abuso sexual infantil, abandono e negligência. Seus advogados acreditam que, se ela fosse considerada culpada do mesmo crime hoje, como adolescente, não receberia a pena de morte.

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Nos anos que se seguiram à sua condenação, a sua equipe de defesa descobriu detalhes sobre a sua infância que, segundo eles, o júri nunca teve a oportunidade de considerar.

"É incompreensível que eles não tenham apresentado nenhum detalhe do histórico de abuso e estupro dela, mesmo sabendo disso", diz Sandra Babcock, especialista em questões de gênero e pena de morte da Faculdade de Direito de Cornell, que trabalhou na defesa de Pike.

"O caso dela é tão singularmente fascinante, não apenas por causa de seu histórico realmente incompreensível de violência sexual, mas pela combinação disso com sua juventude e sua doença mental."

Christa Pike sofreu negligência e abusos por parte dos pais

Foto cedida pela família

Em 1995, a psicóloga forense Diana McCoy foi contratada pela equipe de defesa de Pike e constatou que ela havia sido gravemente negligenciada por ambos os pais. O relatório de McCoy revelou que Pike sofreu abusos físicos e sexuais por parte de vários maridos e namorados de sua mãe, e foi estuprada diversas vezes, uma vez aos 11 anos e novamente aos 17. Posteriormente, descobriu-se que ela havia sido estuprada várias vezes quando criança pelo namorado de sua avó. McCoy afirmou que a mãe de Pike não acreditava que esses estupros tivessem ocorrido.

Mas o advogado de defesa de Pike não colocou McCoy no banco das testemunhas nem convocou muitas das pessoas que ela recomendou.

Esses detalhes vieram à tona mais de uma década depois, em uma audiência judicial que revisava o caso, quando uma nova equipe de advogados alegou assistência jurídica ineficaz, alegação que foi negada pelo juiz.

Em 2021, Pike foi diagnosticada com transtorno bipolar na prisão e está medicada desde então.

Mais tarde, outra psicóloga forense que trabalhava na defesa de Pike, Bethany Brand, disse que o caso era extremamente raro porque ela foi abusada por muitas pessoas que deveriam tê-la protegido.

"Sua infância foi repleta de abusos físicos, sexuais e emocionais. Ela foi violentada sexualmente por vários homens, começando antes mesmo de entrar na escola", disse Brand, que avaliou Pike em 2023.

A psicóloga afirma que Pike tinha episódios maníacos ligados ao transtorno bipolar e ao transtorno de estresse pós-traumático não tratado. "A combinação desses dois fatores influenciou significativamente o nível de ameaça que ela sentiu pela garota que acabou matando e sua falta de controle emocional naquela situação."

Babcock acrescenta: "Se a deixarem ser executada, isso mostra que a pena de morte neste país é uma piada. Não é para os piores dos piores. É para as pessoas que recebem a pior representação legal e que são as mais vulneráveis e prejudicadas."

Pike, retratada na foto quando adolescente, matou Slemmer em janeiro de 1995 depois de dizer a uma amiga que 'simplesmente se sentia mal naquele dia'

Foto cedida pela família

'Ela deveria pagar por isso'

No ano passado, a Suprema Corte do Tennessee decidiu que Pike não havia demonstrado circunstâncias que justificassem a comutação de sua pena. Seu processo de apelação havia sido esgotado e uma data foi marcada para sua execução.

Um tribunal federal de apelações havia decidido anteriormente que o júri já tinha conhecimento de sua infância difícil durante os depoimentos de sua mãe, pai e tia durante o julgamento.

E que as novas evidências de transtorno bipolar, transtorno de estresse pós-traumático e danos cerebrais "repetiam em grande parte" o que o júri já havia ouvido e não teriam alterado o veredicto. A polêmica apresenta alguns paralelos com o caso de grande repercussão da assassina Lisa Montgomery, cujos advogados também argumentaram que ela era uma vítima de abuso com problemas mentais e que merecia clemência.

Os recursos legais de Montgomery não conseguiram comutar sua sentença, e ela foi executada por injeção letal em Indiana, em 2021.

O Supremo Tribunal do Tennessee também negou esta semana o pedido de Pike para suspender a execução. No dia de sua execução, Pike solicitou uma equipe composta exclusivamente por mulheres. Ela afirma que ser contida por um grupo de homens agravará seu trauma. O estado do Tennessee declarou que o objetivo é que guardas femininas transfiram Pike para a prisão onde ela será executada, mas não garantiu que isso ocorrerá.

A mãe de Colleen, May Martinez, apoia a execução de Pike.

"Ela cometeu o crime. Acho que ela deve pagar por isso", disse ela à emissora de TV WBIR de Knoxville em 2021.

Esta semana, Martinez confirmou que ainda mantém essa opinião.

Pike deveria sofrer antes de morrer, disse Martinez à WBIR. "Eu me sentiria melhor se ela sentisse a mesma dor que Colleen sentiu."

May Martinez, mãe de Colleen Slemmer, e um detetive aposentado do Departamento de Polícia de Knoxville do lado de fora de um tribunal para uma audiência pós-condenação em 2006.

J. Miles Carey/USA TODAY/Imagn Images via Reuters

"Meu coração se parte todos os dias porque continuo revivendo tudo isso sem parar, e não aguento mais. Quero que isso aconteça antes de eu morrer", acrescentou a mãe.

"Não passa um dia sem que eu pense na Colleen, em como ela morreu e em como foi difícil. Só quero que a Christa desapareça logo para que eu possa acabar com isso, aliviar minha filha, para que ela finalmente possa descansar."

A Justice Coalition, um grupo de defesa dos direitos das vítimas, arrecadou fundos para ajudar Martinez a viajar para o Tennessee para assistir à execução.

Ashlee Sellars se debate com duas crenças aparentemente conflitantes: a de que a mãe de Colleen tem o direito de sentir que a justiça foi feita e a de que todos, incluindo sua amiga Christa, merecem uma chance de redenção.

"Quando penso em conciliar a imagem que vemos na TV com a terrível tragédia que aconteceu com Colleen, a única coisa que faz sentido para mim é a saúde mental e o trauma, e a forma como as pessoas processam as coisas num momento em que não têm o que precisam", diz Sellars.

"Essas coisas horríveis acontecem na sua juventude e esses traumas se propagam através de você, em nossa comunidade, e você acaba causando danos a outras pessoas."

Sellars conheceu Pike na prisão enquanto cumpria uma sentença de 25 anos por seu envolvimento em um roubo seguido de homicídio. Elas conversavam através das portinholas de refeição nas portas de suas celas na unidade de segurança máxima. Agora, Sellars trabalha como defensora da reforma da justiça e das vítimas de crimes.

"As pessoas querem saber que a vida de todos importa, certo? Elas querem saber que a vida de Colleen importou", diz ela.

"Neste momento, acho que Christa está lutando muito mais para que sua vida tenha significado do que para realmente vivê-la."

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