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Resultado de júri que afastou tentativa de feminicídio é 'chocante' e frustra comunidade de Cajuru, SP, diz advogado da vítima

Júri descarta tentativa de feminicídio e manda soltar réu em Cajuru, SP O advogado que representa a vítima no caso da mulher que caiu de um carro em movimento em Cajuru (SP) avaliou como chocante o resultado do júri popular que, na quinta-feira (17), afastou a acusação de tentativa de feminicídio contra o então namorado dela. Segundo ele, a decisão foi frustrante para a comunidade da cidade. Djalm

Por Redação Publicado em 18 de setembro de 2026 às 09:39 6 min de leitura

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Resultado de júri que afastou tentativa de feminicídio é 'chocante' e frustra comunidade de Cajuru, SP, diz advogado da vítima
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Júri descarta tentativa de feminicídio e manda soltar réu em Cajuru, SP

O advogado que representa a vítima no caso da mulher que caiu de um carro em movimento em Cajuru (SP) avaliou como chocante o resultado do júri popular que, na quinta-feira (17), afastou a acusação de tentativa de feminicídio contra o então namorado dela. Segundo ele, a decisão foi frustrante para a comunidade da cidade.

Djalma Fregnani Junior atua como assistente de acusação, ao lado do Ministério Público (MP), no processo contra Denis Cipriano de Carvalho Silva. Ele representa a comerciante Gabriele Carolina Gonçalves e deu a avaliação ao g1 nesta sexta-feira (18).

Os jurados entenderam que Denis não teve intenção de matar Gabriele. Com isso, o caso deixou de ser de competência do júri popular, que julga apenas crimes dolosos contra a vida, como homicídio e feminicídio, e a sentença passou ao juiz.

O juiz condenou Denis por lesão corporal grave, no âmbito de violência doméstica, e por descumprimento de medida protetiva, crime previsto na Lei Maria da Penha. As penas foram de 1 ano, 6 meses e 20 dias e de 2 anos de reclusão, respectivamente. Somadas, chegam a 3 anos, 6 meses e 20 dias, em regime aberto.

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Denis e Gabriele estavam juntos há seis meses em Cajuru, SP, quando crime aconteceu

Arquivo pessoal

Denis estava preso desde março de 2025. Segundo o assistente de acusação, a prisão ocorreu depois que ele descumpriu a medida protetiva pedida por Gabriele ao deixar o hospital. Após a sentença, a Justiça expediu um alvará de soltura. Cabe recurso.

O advogado de Denis, Mauricio Ferraz, afirmou na quinta-feira que a defesa recebeu a notícia "com enorme satisfação". No julgamento, ele sustentou que Gabriele pulou do carro e que o réu tentou socorrê-la.

Empurrada de carro em movimento

As agressões contra Gabriele ocorreram em janeiro de 2025, na Rua Capitão José Ferreira Diniz, no Centro de Cajuru.

Segundo o Ministério Público, as investigações apontaram que o casal havia discutido durante a "Festa de São Sebastião", um tradicional evento da cidade, e Gabriele decidiu ir embora a pé para casa, mas o namorado foi atrás dela até encontrá-la.

De acordo com a Promotoria, além de ter sido atingida com um soco no olho, a mulher foi puxada pelos cabelos e obrigada a entrar no carro dele, onde continuou sendo agredida.

A vítima relatou que, para tentar se livrar das agressões, tentou sair do veículo, mas percebeu que não conseguiria porque ele estava em movimento. Ela passou a gritar por socorro até chamar a atenção de pessoas na rua.

Segundo Gabriele, após várias tentativas, ela conseguiu abrir a porta do automóvel e acabou sendo jogada para fora pelo namorado.

A comerciante Gabriele Carolina Gonçalves foi vítima de tentativa de feminicídio em Cajuru, SP

Aurélio Sal/EPTV

“Eu não me joguei, eu tenho certeza absoluta que eu não me joguei. Eu me lembro exatamente de tudo o que ele me fez, dele me jogar para fora. Foi difícil. É um milagre estar andando, conversando novamente. Deus foi bom comigo por me deixar viva pra eu poder contar o que houve comigo”, disse a comerciante na época.

A Promotoria registrou na denúncia que, após ser arremessada do veículo em movimento, Gabriele chegou a ser arrastada por alguns metros pelo carro do agressor, porque o pé havia ficado preso no banco do automóvel.

Em seguida, segundo o MP, o suspeito parou o carro, desceu e segurou a namorada de modo agressivo.

Gabriele foi socorrida com a ajuda de testemunhas e levada inicialmente para a Santa Casa de Cajuru, de onde foi transferida para o Hospital das Clínicas (HC) de Ribeirão Preto devido à gravidade das lesões.

Imagens mostram queda de mulher de carro em movimento em Cajuru

Reprodução/Câmera de segurança

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O que diz a defesa

Durante o julgamento foram ouvidas dez testemunhas, sendo cinco de acusação e cinco de defesa, e o réu.

Advogado de Denis, Maurício Ferraz diz que Gabriele tentou criar uma narrativa falsa contra o companheiro para incriminá-lo. A defesa alegou que a comerciante já apresentava comportamento alterado em diversas situações.

“Ela queria sair do carro e ela se aproveitou de um determinado momento. Ela disse: “eu vou pular”. Ela abriu o carro, o carro estava com velocidade um pouquinho mais reduzida, e ela pulou. Ele falou que só viu o pé dela passando para cima e ela caindo. Imediatamente, ele para o carro e tenta socorrer, apavorado, desesperado, e segue na tentativa de socorro médico. Isso o abalou muito emocionalmente”, diz.

O que diz a acusação

Segundo o advogado de acusação Djalma Fregnani Junior, Denis acumula três medidas protetivas, o que comprova o histórico violento dele. Ele chegou a desrespeitar uma determinação para se manter distante de Gabriele após a tentativa de feminicídio, o que o levou à prisão em março de 2025.

Fregnani Junior também considerou uma carta escrita por uma ex-namorada de Denis. Na época, ela relatou ter vivido um relacionamento abusivo com ele de 2012 a 2016.

Segundo a mulher, que preferiu não ser identificada, Denis agiu para afastá-la dos amigos e de familiares. A mulher relatou diversas agressões físicas, inclusive em lugares públicos, como festas. De acordo com o relato, parentes dela também eram ameaçados por Denis.

O relato foi apresentado pela acusação no julgamento desta quinta-feira.

Gabriele Caroline Gonçalves teve graves ferimentos na cabeça após cair de carro em movimento em Cajuru, SP

Arquivo Pessoal

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