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Sucessão familiar mantém propriedade em movimento e aproxima gerações

Na propriedade da família Casagrande, em Barra do Tigre, interior de Concórdia (SC), o trabalho no campo faz parte da história de pelo menos três gerações. Sérgio Casagrande, 64 anos, nasceu na comunidade e começou a trabalhar com agricultura ainda na infância, acompanhando os pais e os dez irmãos. Hoje, ao lado da esposa, Rosa Maria, 55 anos, conduz uma propriedade que reúne produção de leite, gr

Por Redação Publicado em 18 de setembro de 2026 às 15:25 8 min de leitura

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Sucessão familiar mantém propriedade em movimento e aproxima gerações
Publicado originalmente por [fonte]


Na propriedade da família Casagrande, em Barra do Tigre, interior de Concórdia (SC), o trabalho no campo faz parte da história de pelo menos três gerações. Sérgio Casagrande, 64 anos, nasceu na comunidade e começou a trabalhar com agricultura ainda na infância, acompanhando os pais e os dez irmãos. Hoje, ao lado da esposa, Rosa Maria, 55 anos, conduz uma propriedade que reúne produção de leite, grãos e avicultura.

O próximo capítulo dessa história já está em andamento, com a participação do filho Mateus, de 28 anos.

Associado à Cresol Desenvolvimento desde 28 de outubro de 2003, Sérgio acompanhou as mudanças da atividade rural e viu a propriedade se transformar ao longo dos anos. A produção, que antes era mais concentrada em grãos, hoje tem o leite como uma das principais atividades, com a maior parte dos grãos destinada à alimentação dos animais.

A avicultura também integra a rotina da família, com lotes de aproximadamente 17 mil aves e uma média de seis lotes por ano, conforme os intervalos de produção.

A modernização trouxe equipamentos, novas formas de manejo e mais produtividade. Também aumentou o volume de trabalho. Para Sérgio, o crescimento precisa caminhar junto com a capacidade da família de manter a rotina da propriedade. “A gente vê que a propriedade teria que crescer ainda, que teria algumas coisas para agregar.

Só que a mão de obra hoje é o problema. Por enquanto, a gente vence, mas está no limite. Se crescer, vai ter que contratar”, explica.

Uma escolha construída desde a infância

Mateus cresceu acompanhando essa rotina. Desde pequeno, demonstrava interesse por máquinas, animais e lavoura. Sérgio lembra que, quando o filho ainda estava na escola, já preferia estar em casa, trabalhando com o trator. A vontade de permanecer no campo foi se formando antes mesmo de qualquer conversa mais estruturada sobre sucessão.

“Eu sempre gostei de maquinário e de roça”, conta Mateus. A possibilidade de deixar a propriedade nunca esteve completamente fora de seus pensamentos, mas o vínculo com a atividade permaneceu. Hoje, ele participa das decisões e da execução dos trabalhos, dividindo responsabilidades com os pais e com a esposa, Tainá.

A família tem três filhos, e Mateus é o sucessor que permanece na propriedade. A chegada de Yuri, filho do casal, há quatro meses, acrescentou uma nova geração à história. Para Sérgio, saber que o filho pretende continuar na atividade também influencia a forma como a família pensa os investimentos.

“Ninguém é eterno. Eu sempre digo isso. Se não vai ter sucessão, tu acaba não investindo. Quando a gente pensa em fazer alguma coisa, conversa: vamos fazer ou não vamos? E, sabendo que ele vai continuar, a gente pensa que vale a pena investir, porque ele vai seguir. A gente quer que eles aproveitem o que foi construído e tenham uma vida melhor aqui dentro”, afirma.

Crescer exige planejamento

As decisões de investimento são tomadas em conjunto pela família, considerando as necessidades da propriedade e as possibilidades de cada momento. A participação de todos também faz parte da rotina: Sérgio e Rosa, Mateus e Tainá dividem responsabilidades e acompanham as atividades que mantêm a produção em funcionamento.

Sérgio ainda enxerga espaço para ampliar a propriedade e agregar novas atividades. No entanto, a mão de obra é hoje uma das principais limitações. Parte dos serviços já é terceirizada, especialmente aqueles que exigem máquinas ou equipes específicas. Um novo crescimento, segundo ele, poderá exigir a contratação de profissionais de fora.

A sucessão, na prática, não representa apenas a permanência de um filho na propriedade. Envolve dividir responsabilidades, avaliar investimentos e construir, aos poucos, uma forma de trabalhar que faça sentido para quem está hoje e para quem seguirá depois.

Experiência que abre caminho para o futuro

Ao olhar para a trajetória da família, Sérgio e Rosa destacam o quanto a atividade rural mudou. O trabalho que antes exigia esforço físico intenso e estruturas mais simples hoje conta com equipamentos, tecnologia e melhores condições de manejo. Para eles, parte do orgulho está justamente em ver os filhos trabalhando com mais comodidade do que a geração anterior teve.

“Nós sempre falamos que não queremos que eles façam o que nós tivemos que fazer. Nós somos do tempo de tirar pedra da roça, trabalhar com boi, fazer tudo de um jeito bem mais difícil. Então, o nosso orgulho é ver que eles estão seguindo, que estão crescendo junto com a gente e que não precisam passar pelo mesmo trabalho que nós passamos lá atrás.

A gente quer que eles valorizem o que foi feito para eles terem a comodidade que têm hoje”, relata Rosa.

A parceria com a Cresol também integra essa trajetória. Sérgio conta que, nos últimos anos, passou a concentrar na cooperativa as operações de crédito da propriedade. Para ele, a relação é marcada pela proximidade, pelo atendimento e pela possibilidade de conversar sobre os investimentos antes de tomar decisões.

“É um jeito diferente de trabalhar. Tem mais abertura, mais proximidade, as pessoas conhecem a gente. Trouxe agilidade, trouxe crédito, trouxe bom atendimento. E, de certa maneira, também tem uma assistência para ajudar a pensar de que maneira é melhor fazer as coisas, porque não adianta liberar crédito se a pessoa não souber usar”, afirma.

A renovação que mantém o campo em movimento

A história da família Casagrande acompanha uma questão que está presente em muitas propriedades rurais brasileiras: como garantir a continuidade do trabalho entre gerações. Segundo o Anuário Estatístico da Agricultura Familiar 2024, o Brasil possui aproximadamente 3,9 milhões de estabelecimentos da agricultura familiar, que respondem por 10,1 milhões de ocupações no campo.

Na prática, o número representa as pessoas que trabalham nessas propriedades, o equivalente a 67% das ocupações rurais. Ao mesmo tempo, o envelhecimento da população rural reforça a importância de preparar os próximos responsáveis pela atividade. Entre 2012 e 2023, o número de pessoas com 60 anos ou mais vivendo no campo passou de 3,42 milhões para 4,33 milhões, enquanto a população rural de 14 a 17 anos diminuiu 31%.

Nesse cenário, a sucessão familiar envolve decisões sobre trabalho, investimentos, renda e qualidade de vida. Anuário Estatístico da Agricultura Familiar 2024, publicada em 2025, identificou que 99% dos jovens participantes consideram a família e suas relações fundamentais para a decisão de permanecer ou não na propriedade ou na atividade rural.

O estudo também aponta que o desejo de ser sucessor ou gestor da propriedade e a possibilidade de ter emprego e renda no meio rural estão entre os principais fatores de permanência.

Uma história que continua

Mateus ainda não sabe exatamente como estará a propriedade daqui a dez anos. O que sabe é que pretende continuar no campo. A sucessão, para ele, é um processo que se constrói no dia a dia, com a experiência dos pais, a participação da família e as escolhas feitas para manter a atividade viável.

“Eu vejo a sucessão como meu pai me via, no caso, para seguir a propriedade. É difícil falar como vou viver daqui a dez anos, mas sempre me vejo aqui. A gente vai seguindo, melhorando e fazendo o que precisa ser feito”, diz Mateus.

Agora, com Yuri ainda bebê, a família começa a olhar para uma nova geração. Mateus espera que o filho também desenvolva o mesmo gosto pela vida rural. Não como uma obrigação, mas como uma possibilidade que nasce do contato com a terra, os animais e a rotina da propriedade.

Na família Casagrande, a sucessão não tem uma data marcada. Ela acontece enquanto a produção segue, os investimentos são discutidos e as gerações aprendem umas com as outras. É assim que a história continua sendo escrita, entre o trabalho de hoje e os planos para o futuro.

Sobre a Cresol

Com 31 anos de história, mais de 1,2 milhão de cooperados e 1.060 agências de relacionamento, a Cresol é uma das principais instituições financeiras cooperativas do Brasil. Com foco no atendimento personalizado, fornece soluções financeiras para pessoas físicas, empresas e empreendimentos rurais.

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