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Tarcísio diz que túnel do Anhangabaú deveria ter sido fechado antes de enchente: 'Houve alerta'

Tarcísio anuncia operação El Niño Walace Lara/Globo O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou nesta quinta-feira (15) que o Túnel do Vale do Anhangabaú, no Centro da capital, deveria ter sido fechado antes da enchente que deixou 26 carros e dois ônibus submersos na tarde de quarta-feira (14). “Ontem houve alerta, mas o túnel do Anhangabaú não foi fechado. Tinha que ter

Por Redação Publicado em 15 de outubro de 2026 às 17:52 8 min de leitura

Conteúdo de G1 — ler no site de origem

Tarcísio diz que túnel do Anhangabaú deveria ter sido fechado antes de enchente: 'Houve alerta'
Publicado originalmente por [fonte]

Tarcísio anuncia operação El Niño

Walace Lara/Globo

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou nesta quinta-feira (15) que o Túnel do Vale do Anhangabaú, no Centro da capital, deveria ter sido fechado antes da enchente que deixou 26 carros e dois ônibus submersos na tarde de quarta-feira (14).

“Ontem houve alerta, mas o túnel do Anhangabaú não foi fechado. Tinha que ter sido. Chega uma hora que mesmo que você tenha um sistema de bombeamento, etc, a sua capacidade de suportar é inferior a quantidade de água que está chegando”, declarou o governador durante um evento com agentes da Defesa Civil no Palácio dos Bandeirantes, na Zona Sul da cidade. A cerimônia marca o lançamento da Operação "El Nino", que pretende frear os impactos climáticos. A declaração ocorre um dia após o alagamento do túnel durante o temporal que atingiu a capital paulista. Na quarta, motoristas ficaram presos dentro da passagem subterrânea, onde a água subiu rapidamente e chegou a cobrir veículos. Pessoas precisaram ser resgatadas depois que o nível da água baixou. O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), não estava presente no evento desta quinta. Mais cedo, ele declarou a jornalistas que o protocolo de reação ao alagamento "funcionou bem", atribuindo a enchente ao grande volume de chuva em um curto período de tempo.

A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) afirmou nesta quinta que começou a interditar o túnel às 15h48, quando bloqueou duas das quatro faixas no sentido Aeroporto, mesmo sem chuva no local. Naquele momento, havia uma pequena lâmina de água no piso.

Anhangabaú registrou enchente em 1999, quando 160 veículos ficaram submersos; protocolo da CET prevê bloqueio preventivo do túnel

Tarcísio participou de cerimônia que marca lançamento da Operação "El Nino", que pretende frear os impactos climáticos.

Reprodução/TV Globo

Segundo a companhia, às 16h as outras duas faixas foram bloqueadas, levando ao fechamento total da via. A entrada mais intensa de água ocorreu entre 16h07 e 16h10, quando o nível chegou a cerca de um metro.

Segundo a empresa, os agentes permaneceram no local durante a ocorrência e, às 16h18, começaram a orientar motoristas a sair pela contramão. A companhia afirmou que diversos veículos conseguiram deixar a passagem sem sofrer danos.

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Arquivo Pessoal

Água subiu 1 metro em 3 minutos

Também nesta quinta-feira, Ricardo Nunes afirmou que a água subiu mais de um metro em apenas três minutos e avaliou que o protocolo de resposta ao alagamento funcionou bem diante do volume de chuva.

“[O alagamento] começou às 16h07, e às 16h10, exatamente três minutos depois, você já tinha mais de um metro de lâmina d'água”, disse o prefeito durante entrevista coletiva.

Segundo a administração municipal, choveu 42 milímetros na região do Anhangabaú em cerca de 40 minutos, volume equivalente a 37% da média prevista para todo o mês de outubro na capital.

Nunes afirmou que não foi possível impedir a entrada de veículos no túnel antes da chuva mais intensa porque os carros já estavam na passagem durante o horário de pico.

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“Infelizmente a gente não conseguiu se antecipar e fazer o bloqueio dos veículos para dentro do túnel, porque os carros já estavam lá quando o volume de água caiu”, declarou.

A Prefeitura informou que as seis bombas instaladas no local funcionaram ininterruptamente, sem apresentar falhas, mas não conseguiram escoar a água na velocidade necessária diante do volume registrado. Caminhões equipados com bombas de sucção também foram enviados para reforçar a operação.

Segundo a administração municipal, a inundação foi eliminada em aproximadamente uma hora.

O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, durante entrevista coletiva sobre o alagamento no túnel do Anhangabaú

Reprodução/TV Globo

Bombas instaladas no túnel

As seis bombas instaladas no Túnel do Vale do Anhangabaú, no Centro de São Paulo, funcionaram ininterruptamente durante o temporal de quarta-feira (14), mas não foram suficientes para impedir o alagamento que deixou 26 carros e dois ônibus submersos.

Segundo a Prefeitura de São Paulo, os equipamentos não apresentaram falhas. No entanto, a capacidade de escoamento do sistema foi superada pelo volume de água que atingiu a região em um curto intervalo de tempo.

Em apenas 40 minutos, choveu no córrego do Anhangabaú o equivalente ao esperado para 11 dias de outubro. Foram registrados 42 milímetros de chuva, o correspondente a 37% dos 112 milímetros previstos para o mês inteiro na capital.

A força da água transformou o túnel em uma área completamente alagada. Imagens registradas por motoristas mostram veículos cobertos pela água até as janelas e pessoas tentando sair dos automóveis.

“Vimos a água entrando no túnel e em cinco minutos chegou a água na porta do carro. Com isso, tivemos que sair do veículo”, relatou um motorista que estava no local.

De acordo com a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), as interdições do túnel começaram às 15h38, após a adoção do protocolo de Estado de Atenção para dias de chuva.

A prefeitura informou que o sistema de drenagem é monitorado 24 horas por dia, por meio de sensores e câmeras. Apesar disso, a quantidade de água que chegou ao túnel superou a capacidade de vazão das bombas.

Um caminhão de bombeamento emergencial foi mobilizado para reforçar a drenagem. Equipes de limpeza urbana também foram acionadas para atuar nos trechos em que o nível da água já havia baixado.

Após o recuo da água, as pessoas que ficaram presas no túnel foram resgatadas. Inicialmente, o Corpo de Bombeiros informou a existência de pelo menos quatro vítimas, sem detalhar o estado de saúde delas.

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Histórico de alagamentos

O alagamento de quarta-feira não foi o primeiro a atingir o Túnel do Vale do Anhangabaú.

Em 2021, uma forte chuva também provocou o alagamento de uma das pistas no sentido Zona Sul. Em 1999, um episódio de grandes proporções deixou cerca de 160 veículos submersos na região, entre eles três ônibus.

Desde a década de 1980, diferentes intervenções urbanas e obras de drenagem foram realizadas ou anunciadas para tentar reduzir os alagamentos no entorno do vale.

Entre elas estão as obras de recuperação e ampliação das galerias do córrego Moringuinho, iniciadas em 2006, e a construção de novas galerias anunciada em 2007.

Mais recentemente, em maio de 2026, a Prefeitura de São Paulo divulgou uma proposta de intervenção no sistema de drenagem da região da Avenida Nove de Julho, com o objetivo de reduzir os alagamentos que atingem o Centro, incluindo o Vale do Anhangabaú.

Temporal provocou morte e transtornos na capital

A chuva de quarta-feira também provocou alagamentos em outras regiões da cidade. Na Brasilândia, na Zona Norte, uma moradora morreu após a casa ser atingida por um deslizamento de terra.

Segundo o Centro de Gerenciamento de Emergências Climáticas (CGE), a estação meteorológica da Sé registrou 48,5 milímetros de chuva, o maior acumulado entre as estações do órgão.

Na Rede Telemétrica do Alto Tietê, o córrego Sapateiro, no Parque Ibirapuera, registrou 67,8 milímetros. O Parque da Aclimação acumulou 64 milímetros.

O temporal também foi acompanhado por fortes rajadas de vento, que chegaram a 88,9 km/h no Aeroporto de Congonhas, às 16h44.

A previsão é de mais chuva nesta quinta-feira (15). A Defesa Civil do estado alerta para a possibilidade de acumulados de até 80 milímetros na Grande São Paulo ao longo do dia.

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