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Tia falou sobre fé em entrevista momentos antes de saber da morte de Rick: ‘entrego nas mãos do Senhor’

Familiares do cantor Rick lamentam o desaparecimento do sertanejo Minutos antes de receber a confirmação da morte de Rick, dona Maria das Mercês, tia materna do artista, comentou sobre sua fé em Deus. Moradores de Monte do Carmo (TO), a família se apegou em todos os momentos de incerteza após o desaparecimento do helicóptero em que estavam o cantor e mais quatro pessoas. "No momento, minha querida

Por Redação Publicado em 22 de setembro de 2026 às 13:40 7 min de leitura

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Tia falou sobre fé em entrevista momentos antes de saber da morte de Rick: ‘entrego nas mãos do Senhor’
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Familiares do cantor Rick lamentam o desaparecimento do sertanejo

Minutos antes de receber a confirmação da morte de Rick, dona Maria das Mercês, tia materna do artista, comentou sobre sua fé em Deus. Moradores de Monte do Carmo (TO), a família se apegou em todos os momentos de incerteza após o desaparecimento do helicóptero em que estavam o cantor e mais quatro pessoas.

"No momento, minha querida, eu só vivo com o meu sentido ligado em Deus, para me dar força pra nesse momento difícil, força para os parentes, amigos e fãs dele [...] Mas tô com o meu coração muito apertado, não sei se ele ainda tá neste lugar difícil, ou se já tá na presença de Deus, mas tudo entrego nas mãos do Senhor", disse em entrevista à TV Anhanguera.

A aeronave desapareceu na região serrana de Santa Catarina na segunda-feira (21) com o cantor, o empresário Bruno Avelar, o videomaker, o piloto e o copiloto. Não houve sobreviventes. Os destroços do helicóptero foram encontrados nesta terça-feira (22) na região de Santa Bárbara, no interior de Urubici.

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Nascido em Monte do Carmo, região central do Tocantins — na época, território goiano — o cantor e compositor Rick tinha 59 anos e faria 60 anos em dezembro (conheça mais da sua trajetória abaixo).

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A operação de buscas contou com uma aeronave, que encontrou os destroços, aproximadamente 40 bombeiros, dois cães farejadores, mais de 10 viaturas, e drones com capacidade de identificação térmica. Agora, a equipe se concentra em resgatar os corpos.

A trajetória do cantor Rick

Muito antes de multidões cantarem versos de clássicos como "Ela É Demais", "Muleca" e "Filha", o homem que o Brasil se acostumou a chamar de Rick era conhecido como Geraldo Antônio de Carvalho. Nascido em 5 de dezembro de 1966, em Monte do Carmo, região central do Tocantins — na época, território goiano — o cantor e compositor carregava em sua essência a simplicidade da vida no campo e as tradições populares.

Casado com Geralda Carvalho e pai de Mônica e Victor Henrique, Rick sempre buscou manter suas raízes vivas, mesmo após se consolidar como uma das referências do cancioneiro sertanejo nacional.

A infância de Geraldo esteve distante de qualquer glamour. Criado em meio à natureza até os dez anos de idade, o cantor guarda lembranças vívidas de um tempo em que as parteiras faziam os partos e a cultura regional ditava o ritmo dos dias.

"Na verdade, eu falo que nasci em Monte do Carmo porque era o município, né? Mas, se meu pai ver essa entrevista aqui ele vai falar: 'eu falei pra você não falar isso, por que quem nasce no mato é arroz e feijão'. Mas eu nasci na roça, no meio do mato mesmo. Naquela coisa de parteira... e eu fiquei no mato até os 10 anos de idade, que foi quando eu tive a oportunidade de ir pra cidade.

Passei por ali, fui pra Porto Nacional e aí mudei pra Brasília. Mas eu vivi um período da minha vida literalmente na roça", relembrou Rick em entrevista ao Fantástico em 2017.

Nesse ambiente rústico, o folclore tocantinense e o rádio da mãe foram os primeiros professores musicais dele enquanto garoto.

"Toda a minha trajetória que se iniciava ali musicalmente falando tinha tudo a ver com o que eu vivia, que era meu habitat natural. Era a questão do folclore do Tocantins. Era o que chegava até mim através do meu pai e o rádio da minha mãe, que trazia músicas sertanejas de fora de Goiás. Minha musicalidade até com meu pai mesmo vem muito da cultura da região do Tocantins. Aquela coisa caipira mesmo", contou ainda em entrevista ao Fantástico.

'Sereno e Serenata'

A primeira experiência de palco de Rick aconteceu dentro de casa, ao lado da irmã. Aos dez anos, os dois formaram a dupla infantil "Sereno e Serenata", com uma dinâmica curiosa:

"Nós tínhamos uma dupla chamada Sereno e Serenata. E era uma coisa engraçada, que as pessoas não acreditam, mas é verdade: nessa época, apesar de eu ser o homem da dupla, eu fazia a primeira [voz] pra minha irmã. Ela fazia a segunda pra mim. Comecei a cantar com ela e aquela coisa toda."

Com a mudança da família para Brasília, o que era brincadeira começou a ganhar contornos de trabalho na noite da capital federal. Porém, a experiência durou pouco tempo:

"Quando a gente sai do Tocantins pra ir morar em Brasília, foi aí que a gente assumiu uma coisa mais profissional e a gente começou a trabalhar na noite. Mas a partir daí eu já tava com uns 12 ou 13 anos, com a voz mais grossa, já tava fazendo a segunda pra minha irmã. A gente foi fazendo esse trabalho na noite até meu pai dar uma 'tesourada', por não aceitar minha irmã frequentar os mesmos ambientes que eu frequentava."

O encontro por telefone

O destino deu uma reviravolta em 1986. Enquanto telefonava para uma casa noturna de Brasília com o objetivo de pedir equipamentos emprestados, Rick escutou uma voz cantando. Era Ivair dos Reis Gonçalves, o Renner. Encantado com o timbre do cantor, Rick buscou conhecê-lo e naquele mesmo ano, nascia a dupla Rick & Renner.

Os primeiros anos foram marcados por desafios e apresentações em bares de pequeno porte no Distrito Federal. A virada definitiva veio no início dos anos 1990, quando a dupla Zezé Di Camargo & Luciano descobriu o talento dos dois e decidiu apadrinhá-los.

Nas décadas seguintes, Rick brilhou como intérprete de hits como: "Nos Bares da Cidade", "Cara de Pau" e "Ela É Demais". Além disso, se tornou um dos compositores mais requisitados da música brasileira, assinando canções gravadas por Chitãozinho & Xororó, Daniel, Gian & Giovani e Gino & Geno.

Ao longo de mais de 25 anos, a trajetória de Rick & Renner também enfrentou momentos de desgaste e pausas. Em 2010, os cantores anunciaram a primeira separação, retomando o projeto em 2012.

Três anos mais tarde, em janeiro de 2015, após episódios delicados envolvendo Renner, Rick decidiu interromper a parceria novamente. Na ocasião, o cantor fez um desabafo público que evidenciou suas prioridades pessoais e o peso da maturidade:

"Tenho 48 anos de idade e não tenho mais tempo para construir castelos de areia. Vou ajudar o Renner em tudo que eu puder, que tiver ao meu alcance. Mas tenho filhos, tenho netos e uma vida passando depressa. Deus sabe o quanto lutei por Rick e Renner. Mas hoje afirmo com toda certeza que só vou até aqui", contou ao g1.

Durante a pausa, Rick formou o projeto "Dois Corações" com o cantor Giovani, que também enfrentava o momento de separação da dupla com Gian. Em agosto de 2018, impulsionados pela ligação artística e pelos pedidos do público, Rick e Renner selaram a volta definitiva.

Na época da reconciliação, ao postar uma foto ao lado do antigo parceiro, Rick resumiu em poucas palavras o sentimento que guia sua vida. "Em nome da música".

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Arte/g1

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