Ir para o conteúdo principal
quarta-feira, 14 de outubro de 2026
AGORA RIO
Cidades

Trabalhadores em condições análogas às de escravo no Paraná tinham mistura de farinha, água e sal como refeição

Trabalhadores são resgatados de condições análogas às de escravo no Paraná Farinha, água e sal eram misturados e se transformavam na refeição para 12 trabalhadores resgatados de condições análogas às de escravo em Paranacity, no Noroeste do Paraná. O g1 apurou que, sem salários, o grupo conseguia ter acesso a poucos alimentos ou nenhum. Quando a Auditoria-Fiscal do Trabalho (AFT) realizou o resgat

Por Redação Publicado em 14 de outubro de 2026 às 13:36 3 min de leitura

Conteúdo de G1 — ler no site de origem

Trabalhadores em condições análogas às de escravo no Paraná tinham mistura de farinha, água e sal como refeição
Publicado originalmente por [fonte]

Trabalhadores são resgatados de condições análogas às de escravo no Paraná

Farinha, água e sal eram misturados e se transformavam na refeição para 12 trabalhadores resgatados de condições análogas às de escravo em Paranacity, no Noroeste do Paraná. O g1 apurou que, sem salários, o grupo conseguia ter acesso a poucos alimentos ou nenhum. Quando a Auditoria-Fiscal do Trabalho (AFT) realizou o resgate em 30 de setembro, um dos trabalhadores chegou a relatar que não havia comido nada.

✅ Siga o g1 Londrina e região no WhatsApp

No depoimento, ele também explicou que ficou aproximadamente 20 dias sem água no alojamento. Em um período, dividiram a mistura dos três itens e um pacote de bolachas.

Trabalhadores comiam mistura de farinha, água e sal.

Auditoria-Fiscal do Trabalho (SIT/MTE)

Os dez adultos e dois adolescentes, de 16 e 15 anos, foram atraídos à cidade por meio de uma oferta de trabalho para colher mandioca, divulgada em uma rede social, e não receberam pagamento a partir da primeira semana. Sete deles, incluindo os jovens, são do Paraguai.

Os auditores constataram que o grupo estava dormindo em colchões no chão, que foram doados por vizinhos. O imóvel onde estavam abrigados não possuía condições básicas de higiene. Também não foram encontrados alimentos disponíveis aos trabalhadores. Veja no vídeo acima.

Trabalhadores estavam em condições análogas às de escravo, em Paranacity.

Auditoria-Fiscal do Trabalho (SIT/MTE)

Trabalhadores dormiam em colchões doados.

Auditoria-Fiscal do Trabalho (SIT/MTE)

"Em conjunto, as condições constatadas ultrapassavam irregularidades trabalhistas isoladas e, segundo a Inspeção do Trabalho, configuravam submissão dos trabalhadores a condições degradantes de trabalho, uma das modalidades de trabalho em condição análoga à de escravo previstas na legislação brasileira", diz o comunicado da AFT.

Nesta quarta-feira (14), o g1 confirmou que os trabalhadores voltaram em segurança às cidades e ao país de origem.

Trabalhadores eram comandados por intermediário

Imagem do anúncio que atraiu as vítimas.

Reprodução

A AFT informou que, depois que as pessoas demonstraram interesse na vaga divulgada na rede social, um intermediário entrou em contato com elas, apresentando-se como "Gato". No anúncio, dizia ser um pagamento semanal para que as pessoas que fizessem "a colheita acontecer". Veja acima.

Desde o fim de agosto, os trabalhadores colheram mandioca em diferentes propriedades da região, obedecendo a ordens desse intermediário. Um pagamento foi feito somente na primeira semana. Depois, permaneceram sem salário.

Os nomes dos dois empregadores não foram divulgados oficialmente. Por ter dois adolescentes entre as pessoas resgatadas, há possibilidade de aumento de metade da pena, conforme a AFT.

O caso permanece em investigação.

VÍDEOS: Mais assistidos g1 Paraná

Leia mais notícias da região em g1 Norte e Noroeste.

Leia mais