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Trump rejeita plano de paz e reabertura de Ormuz do Irã e quer retomar bombardeios após eleições de novembro, diz jornal

O Ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, discursa durante uma reunião com embaixadores estrangeiros em Teerã, Irã, em 16 de junho de 2026 Ministério das Relações Exteriores do Irã/WANA (Agência de Notícias da Ásia Ocidental)/Divulgação via REUTERS O presidente dos EUA, Donald Trump, deve rejeitar o plano apresentado pelo Irã para colocar um fim à guerra entre os dois países e plan

Por Redação Publicado em 25 de setembro de 2026 às 22:07 6 min de leitura

Conteúdo de G1 — ler no site de origem

Trump rejeita plano de paz e reabertura de Ormuz do Irã e quer retomar bombardeios após eleições de novembro, diz jornal
Publicado originalmente por [fonte]

O Ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, discursa durante uma reunião com embaixadores estrangeiros em Teerã, Irã, em 16 de junho de 2026

Ministério das Relações Exteriores do Irã/WANA (Agência de Notícias da Ásia Ocidental)/Divulgação via REUTERS

O presidente dos EUA, Donald Trump, deve rejeitar o plano apresentado pelo Irã para colocar um fim à guerra entre os dois países e planeja retomar os bombardeios após as eleições de meio de mandato nos EUA, em novembro.

As informações foram publicadas nesta sexta-feira (25) pelo jornal "The Wall Street Journal".

"Em conversas privadas, Trump mostra-se cético quanto à possibilidade de o Irã atender às suas exigências e disse à sua equipe que considera provável uma nova campanha de bombardeios, segundo as autoridades", afirma a reportagem do "WSJ".

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, anunciou, nesta sexta, que seu país apresentou aos Estados Unidos um plano para reabrir o Estreito de Ormuz à navegação marítima em um prazo de sete dias.

"O Irã transmitiu aos Estados Unidos, por meio do Catar, um plano concreto de sete dias. Se as condições necessárias forem cumpridas, o estreito poderá ser reaberto e o trânsito marítimo habitual restabelecido em sete dias", declarou na sede da ONU em Nova York.

"A decisão agora cabe aos Estados Unidos. O Irã não admite coerção, ameaças ou intimidação. O Irã não abrirá mão de seus direitos soberanos por pressões", enfatizou.

Na última quinta-feira (25), o presidente do país, Masoud Pezeshkian, afirmou que os EUA devem decidir se querem encerrar a guerra e disse que seu país não deseja a continuidade do conflito. A declaração foi dada à emissora americana Fox News.

Pezeshkian adotou um tom desafiador em seu discurso na Assembleia Geral da ONU na quarta-feira (24), quando afirmou que o Irã não vai se "ajoelhar" diante dos Estados Unidos. A declaração ocorreu após o presidente americano, Donald Trump, reconhecer que Washington mantém conversas com Teerã.

"Quando as coisas podem ser resolvidas por meio do diálogo, não deveríamos nos matar. Mas, instigados por Israel, impuseram essa guerra a nós. Mas não queremos continuar. São os Estados Unidos que devem decidir se querem acabar com isso", disse Pezeshkian, segundo tradução da Fox News.

O presidente iraniano afirmou ainda que seu país está disposto a chegar a um acordo com Trump para encerrar o conflito. Ao mencionar um cessar-fogo, questionou por que um acordo teria sido rompido apenas duas semanas após sua assinatura.

"Por que, apenas duas semanas após a assinatura de um acordo, eles decidiram implodi-lo?", disse.

Presidente dos EUA, Donald Trump, e presidente do Irã, Masoud Pezeshkian

Evelyn Hockstein/Reuters e Angelina Katsanis/AP Photo

Pezeshkian também afirmou que o Irã estaria disposto a negociar com o governo americano dentro das normas internacionais.

"Se o atual governo americano, dentro das estruturas jurídicas internacionais, quiser chegar a um acordo, perfeito. Caso contrário, antes ou depois das eleições legislativas americanas, que diferença faz para nós?", afirmou.

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Proposta para reabrir o Estreito de Ormuz

O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian

IRIB/via Reuters TV/Divulgação via REUTERS

Araghchi, que viajou a Nova York para participar da Assembleia Geral da ONU, apresentou as condições do Irã para a reabertura do estreito ao enviado americano Steve Witkoff na terça-feira (23). O tráfego marítimo na região enfrenta restrições desde o início da guerra.

"Se certas condições forem atendidas, o estreito será aberto dentro de sete dias e as negociações começarão", disse Araghchi, segundo relatos publicados por veículos como The New York Times e The Guardian.

A agência japonesa Kyodo foi a primeira a noticiar a proposta, na terça-feira, citando uma autoridade iraniana. A imprensa iraniana, no entanto, negou a informação. Até o momento, não havia sido divulgada uma declaração oficial de Teerã para esclarecer a posição do governo.

Segundo Araghchi, o Irã apresentou sete condições para o fim da guerra e a reabertura do Estreito de Ormuz. Entre elas estão:

uma cessação de sete dias de todas as hostilidades no Oriente Médio, incluindo no Líbano;

o desbloqueio de ativos iranianos congelados, estimados em pelo menos US$ 12 bilhões (cerca de R$ 62,1 bilhões);

o levantamento das sanções sobre o petróleo iraniano;

o fim do bloqueio naval dos Estados Unidos contra o Irã.

Segundo a proposta, no sétimo dia de cessação das hostilidades, o Irã reabriria o Estreito de Ormuz.

Araghchi afirmou que aguarda uma resposta de Washington e disse que a China apoia a proposta. O país asiático tem relações comerciais e diplomáticas com o Irã.

Em entrevista à AFP na terça-feira, o porta-voz da Guarda Revolucionária iraniana, Hossein Mohebi, também citou o fim das hostilidades no Iêmen entre as condições apresentadas por Teerã.

Acordo e retomada das hostilidades

Trump e Pezeshkian assinaram em junho um acordo com o objetivo de encerrar a guerra, reabrir o Estreito de Ormuz e, posteriormente, iniciar negociações sobre o programa nuclear iraniano.

O acordo, porém, foi interpretado de maneiras diferentes pelos dois lados, segundo autoridades dos governos envolvidos. As divergências foram seguidas pela retomada das hostilidades na região do Estreito de Ormuz.

O Irã exige que navios que pretendem atravessar o estreito obtenham autorização do país, alegando razões de segurança e soberania. Em meio ao conflito, embarcações que não cumprem a exigência são atacadas, enquanto os Estados Unidos realizam ataques contra alvos na costa iraniana.

Houthis

O presidente iraniano também negou que os houthis, grupo rebelde que atua no Iêmen e é apoiado pelo Irã, recebam ordens de Teerã.

"Eles são responsáveis por seus próprios atos", declarou Pezeshkian. "Temos contato com eles. Não há uma relação sistemática."

O movimento houthi assumiu neste mês o controle do Estreito de Bab el-Mandeb, segundo Pezeshkian, em combates que deixaram centenas de mortos. O grupo também realizou ataques contra alvos na Arábia Saudita, incluindo a capital, Riad, pela primeira vez em anos.

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