Cleitinho defende negociar parcelas do Propag, propõe revisar isenções fiscais e promete dialogar com oposição em eventual governo
Cleitinho Azevedo (Republicanos) em entrevista ao MG1 TV Globo/ Reprodução O candidato do Republicanos ao governo de Minas, Cleitinho Azevedo, defendeu, em entrevista ao MG1 desta sexta-feira (18), a renegociação das parcelas da dívida com a União por meio do Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag). Ele disse também que pretende revisar as isenções fiscais concedidas pelo estad
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Cleitinho Azevedo (Republicanos) em entrevista ao MG1
TV Globo/ Reprodução
O candidato do Republicanos ao governo de Minas, Cleitinho Azevedo, defendeu, em entrevista ao MG1 desta sexta-feira (18), a renegociação das parcelas da dívida com a União por meio do Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag). Ele disse também que pretende revisar as isenções fiscais concedidas pelo estado.
Cleitinho ainda se comprometeu a manter diálogo com o presidente da República, independentemente de quem for eleito.
O candidato foi o quinto a participar da série de sabatinas do MG1, que seguirá até o próximo sábado (19). A Globo convidou os seis nomes mais bem colocados na pesquisa de intenção de voto divulgada pelo Instituto Datafolha em 11 de setembro.
Compromisso com a candidatura
Questionado sobre declarações em que afirmou que deixaria a política por oportunidades em outras áreas, Cleitinho Azevedo disse que sua trajetória demonstra comprometimento com a vida pública. O candidato afirmou que entrou para a política sem planejar uma carreira, mas que, ao assumir o primeiro mandato, passou a compreender a importância da atividade para a população.
Segundo ele, a sequência de eleições em que foi escolhido para cargos de maior alcance demonstra reconhecimento do eleitorado ao seu trabalho como vereador, deputado estadual e senador.
"O eleitor que me conhece sabe que eu sou totalmente comprometido, verdadeiro e transparente. [...] A partir do momento que eu entrei na política, eu tive o comprometimento de entender a importância que tem a política na vida das pessoas."
Cleitinho afirmou que nunca escondeu que não pretendia construir uma carreira política de longo prazo, mas disse que decidiu disputar o governo de Minas após liderar pesquisas de intenção de voto e interpretar esse resultado como um desejo da população mineira.
"Eu realmente não quero fazer uma carreira política. [...] Eu deixei o povo escolher. Cada mês eu liderava a pesquisa. Eu falei que, chegando perto da eleição, eu ia entender se a população mineira me queria como candidato."
O candidato também afirmou que poderia permanecer no Senado até o fim do mandato, mas optou por disputar o governo por acreditar que está preparado para a função.
Cleitinho critica condições do Propag e defende nova negociação da dívida de Minas
Questionado sobre as críticas que tem feito ao Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag), apesar de ter participado da tramitação do projeto no Senado, Cleitinho Azevedo afirmou que as emendas que apresentou não foram incorporadas ao texto final por motivos políticos. O candidato citou o então presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, e alegou que o tema foi influenciado pela disputa eleitoral em Minas Gerais.
"O presidente do Senado tinha interesse de ser candidato a governador de Minas Gerais. Cheguei a conversar com eles várias vezes. [...] Ele que incorporou a questão do Popag para poder ter relevância. Todas as emendas, eles não acataram minhas emendas, nenhuma, simplesmente porque eu também poderia disputar essa eleição, como eu estou disputando."
O candidato voltou a classificar o programa como um "mal necessário" e afirmou que, se eleito, pretende abrir negociações com o governo federal para alterar as condições atuais de pagamento da dívida mineira.
Cleitinho disse que o principal ponto de preocupação são as parcelas que serão pagas ao longo das próximas décadas e defendeu que parte desses recursos permaneça em Minas Gerais para investimentos em áreas como infraestrutura e saúde.
Ao ser questionado sobre a viabilidade de uma nova negociação com a União, Cleitinho afirmou que acredita no diálogo com o governo federal, independentemente de quem esteja na Presidência da República. Segundo ele, eventuais mudanças dependeriam de conversas e acordos políticos entre os entes federativos.
"Por que não? É diálogo, é conversa. Eu acho que o político é isso. O líder político é pra fazer isso, poder dialogar, conversar, e eu deixei isso bem claro, independente de quem seja o presidente da República. Inclusive o Lula teve aqui em Minas Gerais ontem, né? Que seja o Lula, que seja o Flávio Bolsonaro, que seja o Renan, que seja o Cury. Vamos conversar e vamos dialogar. Tem possibilidade sim. Se o governo quer refazer, ele faz."
Cleitinho afirmou ainda que, caso uma renegociação não avance, pretende adotar medidas voltadas ao aumento da arrecadação estadual e à redução de despesas públicas. Entre as propostas citadas estão a revisão de incentivos fiscais, a busca por novos investimentos privados e uma reforma administrativa para reduzir gastos do governo.
"O plano B seria a gente poder aumentar a receita do Estado. Isso é extremamente importante também. A gente tem que aumentar a nossa produtividade. A gente tem que fazer o Estado não ser inimigo do empreendedor. Eu como governador, eu tenho que sair da Cidade Administrativa e buscar investimento no meu estado."
O candidato também disse que pretende revisar as isenções fiscais concedidas pelo estado e avaliar as contrapartidas oferecidas pelas empresas beneficiadas.
"Eu quero ver cada isenção porque estava em sigilo, qual que foi a contrapartida. Porque essas empresas que não estão em contrapartida, elas podem pagar e a gente e diminuir um pouco as isenções fiscais para que a gente possa aumentar a receita do Estado também com isso, pagar a dívida com o governo governo federal."
Emendas PIX
Questionado sobre o uso das chamadas "emendas PIX", apesar de ter feito críticas públicas ao mecanismo, Cleitinho afirmou que continua destinando os recursos aos municípios porque considera que as prefeituras precisam do apoio financeiro. O candidato disse que suas críticas são direcionadas à falta de transparência e ao uso irregular das emendas, e não ao repasse em si.
"Eu falo da forma como ela é feita, com corrupção. Agora, tem alguma investigação minha com emenda PIX? [...] Os prefeitos vão no meu gabinete, pedem os recursos, e eu envio para as prefeituras."
Cleitinho também afirmou que nunca condicionou a liberação de recursos a contrapartidas políticas e destacou que não é alvo de investigações relacionadas às emendas parlamentares.
Ao ser questionado sobre a possibilidade de incentivar práticas semelhantes na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), caso seja eleito governador, o candidato afirmou que pretende dialogar com os deputados sobre a destinação das emendas parlamentares.
Segundo ele, os recursos devem ser direcionados para áreas consideradas prioritárias, como saúde, educação, infraestrutura e atendimento a pessoas com deficiência.
"Eu quero muito conversar com os deputados para a gente ver uma forma de pegar essas emendas, que são legítimas, para que a gente possa aplicar diretamente onde precisa."
Doações de campanha e promessa de independência na gestão pública
Questionado sobre as doações recebidas durante a campanha de empresários que atuam em setores sujeitos a licenciamento ambiental concedido pelo Estado e sobre o risco de influência de interesses privados em um eventual governo, Cleitinho Azevedo afirmou que sua campanha é financiada por doações privadas e destacou não ter utilizado recursos públicos até o momento.
O candidato disse que os apoiadores são empresários que acreditam em seu projeto político e negou que as contribuições possam resultar em privilégios ou interferências futuras na administração estadual.
Cleitinho afirmou ainda que não tem relação direta com os empresários mencionados e que desconhece eventuais irregularidades envolvendo os doadores. Segundo ele, caso seja eleito, as decisões do governo serão orientadas pelo interesse público e não por interesses particulares.
"Eu quero deixar bem claro aqui que no meu governo... quem quiser me ajudar agora seja bem-vindo, na hora que eu governar, se eu tiver lá, ninguém vai ter autonomia, vai querer intrometer no meu governo em questão de interesse público."
Durante a entrevista, o candidato disse que não vê irregularidade nas doações recebidas e reforçou o compromisso com a transparência. "Tudo o que eu estiver dentro do governo do Estado é com o interesse público, é com transparência, então assim não tem nada de errado, não tem nada, não tô não tô entendendo essa essa questão que você está dizendo que de aeronave."
Ao ser questionado sobre o fato de os doadores atuarem em atividades que dependem de licenciamentos ambientais concedidos por órgãos subordinados ao governo estadual, Cleitinho afirmou que eventuais processos continuarão sujeitos à fiscalização dos órgãos de controle. O candidato disse que não permitirá favorecimentos em sua gestão.
Cleitinho também argumentou que não tem como controlar quem decide contribuir financeiramente com a campanha e afirmou que sua responsabilidade é garantir a correção de seus próprios atos como agente público.
"Tem gente que quer ajudar e ajuda de coração mesmo. Quando a gente faz uma vaquinha online, então essa essa situação não tem como eu controlar, não. Agora o que eu posso controlar sou eu, são as minhas atitudes, as minhas ações."
Reportagem em atualização
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