Lula cita Trump e diz que, ‘se ele meter a mão’ na eleição brasileira, ‘vai perder’
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quinta-feira (24) que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, vai “perder” se tentar interferir nas eleições brasileiras. A declaração foi dada durante um comício em São Gonçalo, no Rio de Janeiro, a dez dias do primeiro turno da eleição. “[Este é] o país que eu tenho dito para [Donald] Trump que, nas eleições daqui, se ele meter a m
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quinta-feira (24) que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, vai “perder” se tentar interferir nas eleições brasileiras.
A declaração foi dada durante um comício em São Gonçalo, no Rio de Janeiro, a dez dias do primeiro turno da eleição.
“[Este é] o país que eu tenho dito para [Donald] Trump que, nas eleições daqui, se ele meter a mão, vai perder aqui as eleições. A gente não vai aceitar a ingerência de ninguém”, afirmou Lula.
A declaração retoma uma mensagem que Lula levou nesta semana à Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York.
Na terça-feira (22), o presidente usou o discurso de abertura do debate geral da ONU para defender a soberania brasileira e criticar interferências externas em eleições.
Sem citar Trump nominalmente naquele trecho, Lula afirmou que o Brasil “não cabe no quintal de ninguém” e que o país não permitirá que “inimigos da democracia, internos e externos” interfiram na vontade dos eleitores.
“Não permitiremos que os inimigos da democracia, internos e externos, atentem contra a vontade popular. A democracia brasileira pertence aos brasileiros. O Brasil continuará sendo um país soberano”, disse Lula na ONU.
Lula foi o primeiro chefe de Estado a discursar na abertura do debate da 81ª Assembleia Geral da ONU. Trump falou em seguida. O presidente brasileiro fez uma série de referências à relação do Brasil com outras potências e criticou o que chamou de “tentações hegemônicas” na América Latina.
Ao tratar diretamente das eleições brasileiras, Lula afirmou na ONU que o processo eleitoral será “transparente e competitivo” e que o Brasil tem um sistema “moderno e robusto”. Também disse que alguns candidatos abusam da liberdade de expressão para se associar a interesses estrangeiros contrários ao país.
A preocupação com uma eventual interferência de Trump na campanha brasileira, porém, já vinha sendo manifestada por Lula antes da Assembleia Geral.
No início de setembro, Lula afirmou ter dito diretamente ao presidente americano que o Brasil não aceitaria ingerência estrangeira nas eleições.
“Se tiver, vai perder. Eu disse para o Trump isso. Seguinte, nós não aceitamos ingerência de ninguém nas eleições. E se entrar, vai perder”, declarou Lula em entrevista em 4 de setembro.
Dias depois, em 11 de setembro, Lula voltou ao assunto e antecipou que levaria à ONU um recado semelhante. Disse que não interferia nas eleições americanas e que esperava o mesmo respeito de Trump.
Na ocasião, afirmou novamente que, se o presidente americano se metesse na eleição brasileira, “vai perder”.
Os dois presidentes conversaram por telefone no fim de agosto. Segundo o relato publicado pelo g1, Trump perguntou sobre as eleições de outubro e Lula respondeu que o processo eleitoral transcorria de maneira confiável. Interlocutores da diplomacia brasileira avaliaram que a abordagem de Trump foi casual e disseram que ele não fez questionamentos sobre as urnas eletrônicas.
Na Assembleia Geral desta semana, ao contrário do que ocorreu no ano passado, Lula e Trump não se encontraram nos bastidores durante a troca dos discursos, segundo informou o governo brasileiro. Lula assistiu ao pronunciamento do americano e depois deixou a sede das Nações Unidas para retornar ao Brasil.