Tarcísio diz que saúde e segurança serão prioridades e promete antecipar a entrega da nova sede do governo para 2030
O governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas, durante entrevista coletiva Rafael Peixoto/g1 Eleito com 62,65% dos votos válidos, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) afirmou, após o discurso de vitória na noite deste domingo (4), que saúde e segurança pública serão as prioridades de seu segundo mandato. Ele também prometeu entregar em 2030 a nova sede do governo paulista no C
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O governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas, durante entrevista coletiva
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Eleito com 62,65% dos votos válidos, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) afirmou, após o discurso de vitória na noite deste domingo (4), que saúde e segurança pública serão as prioridades de seu segundo mandato. Ele também prometeu entregar em 2030 a nova sede do governo paulista no Centro da capital, um ano antes do prazo previsto em contrato.
Tarcísio acompanhou a apuração dos votos no espaço Villaggio JK, na Vila Olímpia, Zona Sul da capital, ao lado dos companheiros de chapa André do Prado (PL) e Guilherme Derrite (PP) — eleitos para o Senado.
Segundo o governador, os próximos dias serão dedicados à campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL) antes do início da estruturação do novo governo estadual.
"Primeiro vamos nos dedicar nos próximos dias à eleição nacional. A partir daí, vamos estruturar a governança do nosso plano de governo. É a primeira coisa que vamos fazer ainda antes da virada do ano, antes da posse. Para a gente entregar aquilo que está no nosso plano", afirmou em coletiva de imprensa, após o discurso de vitória.
O governador também disse que a gestão pretende ampliar o uso de tecnologia para aproximar os serviços públicos da população, especialmente nas áreas da saúde e da segurança.
"A gente vai olhar muito saúde e segurança pública. São duas áreas. A gente vai trazer muita tecnologia para tornar saúde e segurança pública mais próxima do cidadão, mais digital. O estado vai ser mais dinâmico", declarou.
Tarcísio de Freitas comemora reeleição ao lado dos companheiros André do Prado e Guilherme Derrite.
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O governador também prometeu entregar em 2030, último ano do segundo mandato, o Centro Administrativo Campos Elíseos, nova sede do governo. Atualmente, o contrato das obras prevê conclusão em 2031.
"A gente vai começar as obras do Centro Administrativo. Tem um prazo contratual que vai até 2031, mas a gente pretende antecipar e entregar isso até 2030", disse.
Tarcísio classificou o projeto como "icônico" e afirmou que ele faz parte da estratégia de revitalização do Centro de São Paulo. Segundo o governador, a transferência de milhares de servidores para a região deve impulsionar a atividade econômica e reforçar a ocupação do centro da cidade.
"O centro administrativo vai ganhar um impulso porque estamos falando de servidores trabalhando lá, de restaurante, academia, hotel, do Boulevard da Cultura, do Parque do Moinho e da mobilidade urbana", afirmou.
Além da nova sede do governo, Tarcísio citou entre os projetos estratégicos do segundo mandato o túnel Santos-Guarujá, o Trem Intercidades entre São Paulo e Campinas e a expansão da malha metroferroviária.
Segundo ele, a gestão vai acompanhar de perto o cronograma das obras, incluindo, na Grande São Paulo, a ampliação da operação da Linha 17-Ouro, o avanço da Linha 6-Laranja até a estação São Joaquim, a expansão da Linha 2-Verde em direção a Guarulhos e a conclusão de novos trechos previstos para os próximos anos.
Discurso de vitória
O carioca Tarcísio de Freitas (Republicanos) transformou o discurso de vitória em uma celebração da reeleição, mas também em um aceno para a disputa presidencial. Tarcísio afirmou que vai trabalhar pela eleição de Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno e disse que o resultado em São Paulo mostrou "o que a gente é capaz".
A fala foi seguida por um movimento que deixou explícita a prioridade política do governador para a segunda etapa da eleição. Durante o discurso, Tarcísio fez duas ligações. A primeira foi para o deputado federal Nikolas Ferreira (PL), reeleito por Minas Gerais com mais de 3,1 milhões de votos.
Ao parabenizar Tarcísio, Nikolas afirmou: “São Paulo enterrou o PT”. A declaração foi ovacionada pelos apoiadores presentes no evento.
Na sequência, Tarcísio ligou para Flávio Bolsonaro. Antes, havia afirmado que vai trabalhar pela eleição do senador no segundo turno. Segundo o governador, amanhã ele já vai se encontrar com o aliado em Brasília para traçar as próximas estratégias.
O governador também agradeceu ao ex-presidente Jair Bolsonaro, preso por tentativa de golpe de Estado, a quem atribuiu parte de sua trajetória política.
“Quero agradecer Jair Bolsonaro, que me abriu as portas há muito tempo e passa por sofrimento hoje. O tempo da justiça vai chegar”, disse.
A referência ao ex-presidente veio acompanhada de uma declaração de continuidade da aliança política. Tarcísio também afirmou que pretende atuar na eleição presidencial depois de conquistar a própria reeleição em São Paulo.
O governador ainda agradeceu a Deus: “É um dia de gratidão a Deus, senhor de tudo, entrego todos os projetos nas mãos dele”.
Durante o discurso de vitória, Tarcísio também agradeceu ao trabalho do prefeito Ricardo Nunes ao longo da corrida eleitoral: “É um grande companheiro que faz a diferença”. Tarcísio de Freitas (Republicanos) abraça esposa antes do discurso da vitória
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Disputa com cara de 2° turno
Em 2026, os dois repetiram a disputa de 2022, mas em uma configuração diferente. Se há quatro anos Tarcísio e Haddad precisaram avançar ao segundo turno para decidir a eleição, desta vez os dois chegaram à reta final do primeiro turno como os principais nomes da corrida. O resultado foi uma campanha de primeiro turno com características de segundo turno. A diferença entre os dois também foi diferente de quatro anos atrás. Em 2022, Tarcísio venceu Haddad no segundo turno por 55,27% a 44,73% dos votos válidos, uma diferença de 10,54 pontos percentuais. Antes da pré-campanha, Haddad resistiu em disputar o comando do Palácio dos Bandeirantes pela segunda vez contra Tarcísio, mas acabou convencido pelo presidente Lula a deixar o Ministério da Fazenda e entrar na corrida.
Ao longo da disputa, as pesquisas mostraram Tarcísio largamente à frente durante praticamente toda a campanha: ele saiu da casa dos 40% e chegou a 50% dos votos totais, enquanto Haddad ficou por muito tempo em torno de 20% e só avançou para a casa dos 30% no fim.
Com poucos candidatos competitivos, a campanha estadual perdeu espaço para as eleições presidenciais e para o Senado. A possibilidade do candidato do Republicanos vencer no primeiro turno também reduziu o interesse pela corrida.
Campanha
A campanha de 2026 foi marcada pela tentativa de Tarcísio de apresentar os resultados de sua primeira gestão e, ao mesmo tempo, manter a associação política com o campo bolsonarista. Do outro lado, Haddad procurou explorar problemas da administração estadual e nacionalizar a disputa, principalmente ao relacionar o governador ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
A segurança pública esteve entre os principais temas. A campanha de Haddad questionou a atuação do governo estadual diante da presença de facções criminosas e explorou relações políticas de aliados de Tarcísio com pessoas suspeitas de ligação com o PCC. Os candidatos Fernando Haddad (PT) e Tarcísio de Freitas (Republicanos) no estúdio da TV Globo para participar do debate entre candidatos ao governo de São Paulo
Bob Paulino/Globo
No último debate, realizado pela Globo, Haddad falou sobre a entrada do Comando Vermelho no interior e acusou a facção de se infiltrar em instituições públicas e privadas, como o transporte público da capital. Tarcísio rebateu destacando a redução de indicadores criminais durante sua gestão e atacou relações de políticos ligados ao PT com pessoas investigadas.
A disputa também foi marcada pela nacionalização. Haddad associou Tarcísio ao governo Bolsonaro e criticou a condução da pandemia durante a gestão do ex-presidente. Tarcísio, por sua vez, levou para o debate críticas ao governo Lula e à atuação de Haddad como ministro da Fazenda.
Outro dos principais pontos de confronto foi a privatização da Sabesp. Haddad transformou a companhia em uma das principais bandeiras de sua candidatura, criticou a privatização realizada durante o governo Tarcísio e defendeu rever a medida. O petista também explorou questões relacionadas a tarifas, abastecimento e episódios recentes envolvendo a prestação do serviço.
Tarcísio, por outro lado, defendeu os resultados da empresa e argumentou que a privatização ampliou sua capacidade de investimento. No último debate, Haddad citou problemas recentes de abastecimento e uma orientação da Sabesp relacionada ao consumo de água na Baixada Santista. O governador respondeu que não havia problema de potabilidade e atribuiu a situação à turbidez provocada pelas chuvas.
Saúde e educação também estiveram entre os temas explorados pelos candidatos. Haddad criticou filas e problemas no atendimento e apresentou propostas para ampliar a oferta de serviços, enquanto Tarcísio destacou investimentos em saúde digital e telemedicina. Na educação, o petista atacou a situação de crianças atípicas nas escolas, e o governador respondeu destacando resultados da política educacional e o chamado selo ouro concedido pelo Ministério da Educação a São Paulo.
Eleitor de Tarcísio de Freitas durante festa de comemoração em SP
Rafael Peixoto/g1
O candidato à reeleição ao governo do Estado de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) fez caminhada na região central de São Paulo, nesta sexta-feira (2), acompanhado do prefeito da cidade, Ricardo Nunes e do candidato ao Senado, André do Prado (PL).
ALOISIO MAURICIO/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO
Quem é Tarcísio
Engenheiro e ex-ministro da Infraestrutura do governo Jair Bolsonaro, Tarcísio de Freitas entrou na política eleitoral em 2022, quando foi escolhido por Bolsonaro para disputar o governo de São Paulo pelo Republicanos. Naquele ano, ao disputar sua primeira eleição, venceu Haddad no segundo turno e se tornou o primeiro governador do estado eleito pelo partido.
No governo paulista, manteve proximidade política com Bolsonaro e consolidou uma posição de liderança no campo da direita em São Paulo. Ao longo do primeiro mandato, sua gestão teve como uma das principais marcas a agenda de concessões e privatizações, incluindo a Sabesp, além de investimentos em infraestrutura.
Na campanha de 2026, Tarcísio procurou equilibrar a associação com o bolsonarismo com a defesa de seu próprio governo. O governador também buscou ampliar sua presença na Grande São Paulo. A campanha foi aberta em Osasco, quinto maior colégio eleitoral do estado, numa estratégia para avançar sobre uma região em que Haddad havia tido desempenho melhor em 2022.
A segurança pública ganhou espaço no programa de governo para o segundo mandato, aparecendo como o primeiro dos dez eixos apresentados pela campanha, à frente de saúde e educação.