'Ainda há tempo de a esquerda dominar as redes sociais', diz deputada mineira Ana Elisa
'A urna deu o recado do cansaço da velha política', diz Ana Elisa A deputada federal eleita por Minas Gerais Ana Elisa (PT), de 21 anos, afirmou nesta quinta-feira (8) que ainda há tempo de a esquerda "dominar as redes sociais". Em entrevista ao Estúdio i, na GloboNews, Ana Elisa, que foi a mulher mais votada para deputada federal no estado, afirmou que a esquerda precisa modernizar sua comunicaçã
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'A urna deu o recado do cansaço da velha política', diz Ana Elisa
A deputada federal eleita por Minas Gerais Ana Elisa (PT), de 21 anos, afirmou nesta quinta-feira (8) que ainda há tempo de a esquerda "dominar as redes sociais". Em entrevista ao Estúdio i, na GloboNews, Ana Elisa, que foi a mulher mais votada para deputada federal no estado, afirmou que a esquerda precisa modernizar sua comunicação.
“Na minha avaliação, ficou provado para todos aqueles que achavam que rede social não elegia, que rede social elege, e o recado do cansaço, não das pessoas mais velhas, mas do jeito velho de fazer política”, disse.
A deputada também afirmou que a esquerda pode ampliar sua atuação nas plataformas digitais, espaço que, segundo ela, vem sendo explorado pela direita desde as eleições de 2018.
Após o primeiro turno, Ana Elisa esteve em Brasília para compartilhar sua experiência nas redes sociais com integrantes da campanha do presidente Lula (PT), que disputa a reeleição contra Flávio Bolsonaro (PL).
Segundo a deputada, ela e sua equipe participaram de uma reunião com os responsáveis pela comunicação de Lula, na terça-feira (6), que se estendeu até as 22h. Antes, Ana Elisa também se reuniu com o vice-presidente Geraldo Alckmin.
A parlamentar afirmou que as sugestões foram bem recebidas e que percebeu mudanças na atuação digital dos dois políticos após os encontros.
“Nós conversamos com a equipe de comunicação do presidente Lula, que levou adiante tudo o que eu e minha equipe passamos”, afirmou.
Para Ana Elisa, a campanha precisa dar mais atenção às plataformas digitais. “Obviamente que rede social não é tudo, mas rede social é muita coisa e eu costumo dizer que o único lugar que nós perdemos foi as redes”, disse.
'A direita foi engolida pelo bolsonarismo'
Ana Elisa também defendeu que a esquerda busque diálogo com eleitores de direita que não se identificam com o bolsonarismo.
Na avaliação da deputada, o crescimento do movimento liderado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro reduziu o espaço de outras correntes da direita na política brasileira.
“A direita foi engolida pelo bolsonarismo”, afirmou.
Ela citou os eleitores de Renan Santos, candidato à Presidência pelo Missão, e do deputado federal Kim Kataguiri como exemplos de um público com o qual o PT deveria buscar diálogo no segundo turno.
Ana Elisa disse acreditar que parte desses eleitores pode votar em Lula, mesmo sem declarar apoio público ao presidente. Ressaltou, porém, que essa é uma avaliação pessoal e que não chegou a discutir essa estratégia com a coordenação da campanha.
A deputada também afirmou que é preciso distinguir direita e bolsonarismo, que, em sua avaliação, representam posições políticas diferentes. “Mesmo que o meu aspecto político ideológico seja de esquerda, é democrático que se exista em sociedade direita, mas o bolsonarismo não”, afirmou.
Segundo ela, a aproximação com esses eleitores deve ocorrer por meio do diálogo, sem ataques a quem tem posições políticas diferentes.
Participação dos jovens na política
Aos 21 anos, Ana Elisa também defendeu maior participação dos jovens na política e afirmou que sua geração é frequentemente tratada como desinteressada pelos mais velhos.
“Quando eu comecei a atuar só nas redes sociais, eu percebi que a juventude gosta muito de aprender. Mas talvez gerações que não são as nossas têm preguiça de ensinar, porque entende-se que política não é coisa pra gente da nossa idade, e é coisa pra gente da nossa idade”, disse.
A deputada contou que seu envolvimento com a política começou ainda na infância, por influência da mãe, sindicalista, que a levava a manifestações e atividades de sindicatos.
Ela também afirmou que o PT precisa ampliar o espaço para novas lideranças. Segundo Ana Elisa, Lula já havia defendido, no início do ano, o rejuvenescimento do partido, mas essa orientação pode não ter sido incorporada da mesma forma por todos os seus integrantes.
Ao comentar os desafios de sua atuação no Congresso, Ana Elisa também falou sobre ameaças e episódios de violência política de gênero e raça.
“Eu vivo um dia de cada vez, porque eu sei que eu sou o sonho mais sonhado da minha ancestralidade”, afirmou.
A deputada disse que pretende usar o mandato para incentivar a entrada de mais mulheres negras e jovens na política.
“Eu quero que daqui quatro anos eu tenha conseguido formar um exército de mulheres pretas eleitas aos 21 anos na Câmara dos Deputados Federais”, afirmou.
'Ainda é tempo' de a esquerda dominar redes sociais, diz Ana Elisa
Ana Elisa Silva - deputada eleita mais jovem por Minas Gerais
Rafael Miranda/Divulgação