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Mais da metade das propostas dos candidatos à Presidência para a saúde já existem no SUS, aponta estudo

Lula, Flávio Bolsonaro, Augusto Cury, Ronaldo Caiado, Renan Santos e Romeu Zema Globo Duas organizações sem fins lucrativos que acompanham as políticas da rede pública de saúde divulgaram nesta quarta-feira (30) um levantamento em que analisam os programas de saúde dos seis candidatos com 2% ou mais de intenção de voto. O estudo é feito pelo Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (IEPS) e pe

Por Redação Publicado em 30 de setembro de 2026 às 12:00 5 min de leitura

Conteúdo de G1 — ler no site de origem

Mais da metade das propostas dos candidatos à Presidência para a saúde já existem no SUS, aponta estudo
Publicado originalmente por [fonte]

Lula, Flávio Bolsonaro, Augusto Cury, Ronaldo Caiado, Renan Santos e Romeu Zema

Globo

Duas organizações sem fins lucrativos que acompanham as políticas da rede pública de saúde divulgaram nesta quarta-feira (30) um levantamento em que analisam os programas de saúde dos seis candidatos com 2% ou mais de intenção de voto. O estudo é feito pelo Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (IEPS) e pela Umane. Ao todo, 95 propostas foram avaliadas.

“O orçamento para a Saúde já é insuficiente e o cenário pode ficar ainda mais complexo com propostas que demandam mais recursos. Nesse cenário, ainda existem candidatos que defendam o fim do piso da saúde ou discursam sobre o cortes para o setor”, afirma Julia Pereira, gerente de relações institucionais do IEPS.

O estudo concluiu que:

➡️95% dos projetos exigiriam recursos adicionais;

➡️56% correspondem a um programa que já existe, "ainda que boa parte dos planos as apresente como novidade", diz o boletim. “Existe proposta de usar o CPF como identificador no SUS, o que já está regulamentado desde 2025. Os planos demonstram um sério desconhecimento sobre as políticas de saúde já implementadas ou em curso”, explica a gerente do IEPS;

➡️83% das propostas dependem de coordenação com estados e municípios;

➡️47% das propostas não detalham como seriam executadas, "apresentando apenas uma intenção genérica", sem indicação de fonte de financiamento.

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Gargalos

Segundo o boletim, o gargalo dos planos é que trataram de maneira superficial ou não foram apresentadas soluções para enfrentar os impactos das bets, das mudanças climáticas e do ambiente digital na saúde.

O que diz o estudo:

➡️25 milhões de brasileiros apostaram online em 2025 e 1,4 milhão preencheria critérios para transtorno do jogo e o custo social chega a R$ 38,8 bilhões por ano. Quando aparece nos planos, o tema é tratado como questão de orçamento familiar;

➡️29% dos estabelecimentos do SUS ficam perto de áreas de alto risco geológico. A distância é de menos de 500 metros. Os planos tratam adaptação climática como pauta ambiental, sem ligação com a rede de saúde;

➡️Sobre saúde mental, o ECA Digital começou a valer em março deste ano. Mas a fiscalização das plataformas ainda é frágil. Nenhum plano trata a regulação do ambiente digital como mecanismo de proteção à saúde mental de crianças e adolescentes.

O que cada candidato propõe

O boletim comparou as propostas de saúde de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo), Flávio Bolsonaro (PL), Renan Santos (Missão) e Augusto Cury (Avante).

Lula (PT)

Objetivo: Continuidade dos programas do mandato atual, com fila única digital ordenada por risco.

O que traz de diferente: 19 das 21 propostas dão continuidade a políticas em vigor, como PADI Brasil, PNR-SUS e Agora Tem Especialistas;

O que o estudo concluiu: Nenhuma proposta depende de lei nova e só 14% exigem pactuação ampla. O limite está no orçamento, pois todas pedem recursos adicionais.

Ronaldo Caiado (PSD)

Objetivo: Quinze ações com metas para 2030, apoiadas em regulação da fila e federalismo cooperativo;

O que traz de diferente: Linhas de cuidado com metas próprias para infarto, AVC e doenças raras, sem equivalente nos demais planos;

O que o estudo concluiu: Tem a maior proporção de propostas detalhadas (76%). Também tem a maior dependência de pactuação ampla entre os estados (84%).

Romeu Zema (Novo)

Objetivo: Mais espaço para o setor privado, com contratos para usar a capacidade ociosa de hospitais e clínicas;

O que traz de diferente: Único a propor flexibilizar a regulação da ANS para permitir planos só ambulatoriais. A ANS desistiu dessa mudança em 2025;

O que o estudo concluiu: Metade das propostas (52%) não detalha a execução. Três exigem mudança de lei federal, todas ligadas aos planos de saúde.

Flávio Bolsonaro (PL)

Objetivo: Prontuário único vinculado ao CPF, IA no agendamento e correção da Tabela SUS;

O que traz de diferente: Único a propor reajustar os valores da Tabela SUS, sem indicar nova fonte de recursos;

O que o estudo concluiu: Nenhuma proposta exige pactuação ampla, mas 73% dependem da adesão de cada estado e município. Todas as 11 exigem mais recursos.

Renan Santos (Missão)

Objetivo: Fila por risco e vulnerabilidade, prontuário nacional e centros regionais de referência;

O que traz de diferente: Propõe importar o DoctorSV, plataforma de El Salvador sem avaliação independente publicada, e integrar dados genômicos ao prontuário do SUS;

O que o estudo concluiu: Concentra as maiores barreiras legais e federativas. 71% das propostas exigem lei nova e 86% pactuação ampla. Fora da saúde, o plano ainda propõe desvincular o piso constitucional do setor.

Augusto Cury (Avante)

Objetivo: Tele Saúde Brasil, com atendimento digital em até 30 minutos;

O que traz de diferente: Replicar em todo o país o modelo do Hospital de Amor, de Barretos, no cuidado ao câncer. As propostas de câncer e saúde mental se apoiam em teoria do próprio candidato, sem validação científica;

O que o estudo concluiu: Nenhuma das 10 propostas detalha como seria executada. É o único plano nessa condição.

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