Assessor parlamentar agride eletricista durante discussão no AC e o ofende por ser 'petista': 'Merece porrada'
Assessor parlamentar agride eletricista durante discussão e o ofende por ser 'petista' Uma discussão sobre o reparo de um veículo terminou em agressões e ofensas de teor político em um condomínio de Rio Branco, na tarde desta terça-feira (13). Imagens registradas pelo eletricista Francisco Herlineudo Dias Lira, de 46 anos, mostram um homem identificado como Junior Braña tentando tomar o celular ao
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Assessor parlamentar agride eletricista durante discussão e o ofende por ser 'petista'
Uma discussão sobre o reparo de um veículo terminou em agressões e ofensas de teor político em um condomínio de Rio Branco, na tarde desta terça-feira (13). Imagens registradas pelo eletricista Francisco Herlineudo Dias Lira, de 46 anos, mostram um homem identificado como Junior Braña tentando tomar o celular ao perceber que está sendo filmado. (Veja o vídeo acima)
Ao g1, o eletricista alegou ter sido ameaçado com uma arma de fogo e agredido por Braña quando recusou um pedido de ajuda para dar carga na bateria do carro dele. Lira registrou boletim de ocorrência na 3ª Delegacia de Polícia Civil da capital acreana e, ao g1, Braña negou teor político nas ofensas e disse estar arrependido. (Confira o posicionamento dele mais abaixo)
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Conforme apurado pelo g1, Braña é assessor parlamentar da deputada estadual Michelle Melo (União Brasil), que não quis se manifestar sobre o caso. Ainda nesta terça, o eletricista passou por um exame pericial de lesão corporal.
Vídeo mostra discussão entre assessor parlamentar Junior Braña e eletricista Francisco Herlineudo Dias Lira
Arquivo pessoal
Lira trabalhava em uma obra no residencial e passou em seu carro pelo local onde o suspeito estava com um veículo de capô aberto. Ele diz não ter percebido que o homem o chamou e seguiu direto para o trabalho.
Pouco tempo depois, foi abordado para ajudar com a ligação entre as baterias dos automóveis e disse que recusou o pedido, pois, segundo ele, seu carro é novo temeu danos aos componentes eletrônicos.
Segundo o relato, o homem reagiu à negativa com xingamentos e comentários políticos depois de perceber um adesivo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no carro de Lira. "Ele já começou a me xingar, desejar tudo de mal para mim. Já falou que petista não era nem para entrar no condomínio" conta.
O eletricista acrescenta ainda que, após iniciar as ofensas, o homem foi embora. Alguns minutos depois, ouviu um carro frear próximo à obra. Neste momento, segundo ele, Braña voltou, o perguntou quem era o dono de seu carro e o chamou de petista.
Nesse momento, conforme Francisco, o suspeito levantou a camisa e mostrou uma arma. "Quando ele mostrou a pistola, eu soltei o que estava na minha mão e comecei a filmar. Daí para frente foi que se enrolou. Ele veio para cima, invadiu a área particular onde eu estava trabalhando e tentou tomar meu telefone, mandando eu apagar", acusa.
'Espero que o pior aconteça'
Nas imagens registradas pelo eletricista, Braña aparece à distância iniciando as ofensas. "Eu espero que o pior contigo aconteça, entendeu?", afirma.
Após isso, ele envolve o assunto de política no desentendimento e acrescenta: "Porque tu não estende a mão e tu ainda vota no Lula, tu é uma decepção", declara.
Por fim, ele ameaça o trabalhador para que exclua a gravação. "Apague [o vídeo] porque cara que nem você merece porrada", continua.
Abalo psicológico
Lira afirma que já teve discussões devido à política, mas apenas na internet. Ele diz ainda que seu celular chegou a cair em uma mistura de cimento durante a confusão. "Já tinham falado besteira nas minhas redes sociais, mas nada se compara com o que passei hoje", conta.
Mesmo após o telefone cair na massa, ele pegou de volta o aparelho e continuou registrando a situação enquanto tentava conter o agressor. Segundo o eletricista, Braña insistiu nas agressões e mantinha uma das mãos próxima à arma.
“Eu dizia: ‘Rapaz, segue teu caminho, vai na paz. Eu estou trabalhando. Não sou obrigado a fazer favor para ninguém. Não sou mecânico para consertar carro de ninguém'. A gente é pai de família, trabalhador e esses caras são poderosos, mas não vou me curvar jamais", argumenta.
'Quero encontrá-lo e pedir desculpas'
Segundo Braña, que é morador do condomínio, ele havia parado para ajudar uma mulher com um problema no carro, que estava há cerca de uma hora tentando resolver e que ficou frustrado ao ter o pedido negado por Lira. "Porque eu jamais negaria ajuda a outra pessoa. Isso não faz parte do meu eu, nem dos meus princípios. Quando finalmente consegui resolver, num impulso eu fui tentar conversar e pedir que o rapaz fosse mais disposto a ajudar o próximo, principalmente quando se trata de mulheres", relata.
Ele diz ainda que foi apenas procurar Lira para falar sobre a atitude dele, mas que a conversa virou uma discussão. Braña reforça que não houve viés político na briga. "Me referi ao Lula pelo fato de enxergar nele o anseio de ajudar quem precisa e quis que o eleitor tivesse esse sentimento", justifica.
Braña acrescentou ainda que quer reencontrar Lira para pedir desculpas por reconhecer que causou constrangimento a ele.
"Em relação a Bolsonaro e Lula, quero encontrar o Francisco e dizer que somos trabalhadores e lulistas, pedir perdão e dizer que a democracia sempre vence, que venceremos juntos. Nunca foi uma questão política, foi uma questão de solidariedade e alguém que perdeu a razão", finaliza.
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