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Azul investiga avião que decolou pouco antes do fim da pista no Aeroporto de Congonhas em SP

Pista de escape em Congonhas Abraão Cruz/TV Globo A companhia aérea Azul abriu uma investigação interna para apurar a decolagem de um avião Embraer E195-E2 que percorreu quase toda a pista do Aeroporto de Congonhas, na Zona Sul de São Paulo, e passou em baixa altitude sobre o sistema EMAS (Engineered Materials Arresting System), instalado no fim da pista para ajudar a parar aeronaves que ultrapass

Por Redação Publicado em 13 de outubro de 2026 às 18:14 5 min de leitura

Conteúdo de G1 — ler no site de origem

Azul investiga avião que decolou pouco antes do fim da pista no Aeroporto de Congonhas em SP
Publicado originalmente por [fonte]

Pista de escape em Congonhas

Abraão Cruz/TV Globo

A companhia aérea Azul abriu uma investigação interna para apurar a decolagem de um avião Embraer E195-E2 que percorreu quase toda a pista do Aeroporto de Congonhas, na Zona Sul de São Paulo, e passou em baixa altitude sobre o sistema EMAS (Engineered Materials Arresting System), instalado no fim da pista para ajudar a parar aeronaves que ultrapassem seus limites.

O voo AD4797 decolou na tarde de domingo (11), com destino a Belo Horizonte (MG). O avião deixou o solo depois de passar pela marca na pista usada como referência para o ponto de toque durante pousos na direção oposta. Em condições habituais, a aeronave já estaria no ar nesse trecho.

Esse tipo de decolagem não é comum. Os voos são planejados para que o avião consiga levantar voo com segurança dentro da extensão disponível da pista. Usar quase todo o espaço disponível pode reduzir a margem para interromper a decolagem e frear em caso de emergência. Já passar em baixa altitude sobre o EMAS chama a atenção pela proximidade com o fim da pista, onde o sistema ajuda a conter aviões que não conseguem parar a tempo (entenda mais abaixo).

Em nota, a Azul afirmou que abriu uma investigação interna para apurar o caso e ressaltou que suas operações seguem os padrões nacionais e internacionais de segurança, que, segundo a companhia, é seu valor primordial.

Piloto pode usar toda a pista para decolar?

Pista de decolagem no Aeroporto de Congonhas GloboNews/Reprodução

Toda a extensão disponível da pista pode ser utilizada na decolagem, desde que a operação respeite os limites de segurança e os cálculos necessários para aquele voo. No entanto, uma aeronave que percorre quase toda a pista antes de sair do chão pode chamar a atenção e exige uma análise das circunstâncias da manobra.

O sistema EMAS é uma estrutura de segurança instalada no fim da pista, especialmente útil em aeroportos onde não há espaço suficiente para uma área de escape convencional. Ele é formado por blocos de materiais projetados para se deformar sob o peso das rodas do avião, absorvendo energia e ajudando a desacelerá-lo caso ultrapasse o limite da pista.

Em maio de 2024, outro avião da Azul decolou pouco antes do fim da pista de Congonhas. O caso foi classificado pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) como incidente. Na aviação, a classificação abrange ocorrências que afetam ou podem afetar a segurança da operação, mesmo quando não há consequências graves.

Na ocasião, especialistas ouvidos pelo g1 explicaram que uma decolagem tão próxima do fim da pista é considerada atípica, mas isso não significa, necessariamente, que o procedimento tenha sido incorreto.

"Toda a extensão da pista pode ser utilizada para a decolagem. É um procedimento correto, diante de algumas circunstâncias que desconhecemos. Pode ser considerada uma decolagem anormal, mas não incorreta porque utilizou a pista disponível. Lógico que foi diferente e os fatores que levaram a isso devem ser estudados e esclarecidos", afirmou Roberto Peterka, especialista em segurança de voo.

O piloto Henrique Hacklaender, diretor do Sindicato Nacional dos Aeronautas, também destacou a necessidade de uma investigação aprofundada antes de se chegar a conclusões sobre ocorrências desse tipo.

Outro especialista ouvido pelo g1, porém, avaliou que uma decolagem nessas condições pode ser considerada um incidente grave, pois é importante manter espaço suficiente para frear caso surja algum problema antes de o avião levantar voo.

O que pode fazer um avião decolar tão perto do fim da pista?

Há diferentes fatores que podem influenciar o momento em que uma aeronave consegue sair do chão. Entre eles estão:

Condições meteorológicas: vento, temperatura e outras condições do momento podem influenciar o desempenho do avião.

Peso da aeronave: passageiros, bagagens, carga e combustível afetam o desempenho durante a decolagem.

Cálculos operacionais: a extensão da pista disponível, a altitude do aeroporto e a potência necessária para a manobra são considerados no planejamento.

Técnica de pilotagem: a forma como a decolagem é executada também pode influenciar o momento em que o avião levanta voo.

Antes de cada voo, a equipe responsável pelo planejamento operacional calcula as condições necessárias para uma decolagem segura. O cálculo leva em conta fatores como o comprimento e a inclinação da pista, a altitude do aeroporto, a temperatura, o vento e o peso da aeronave.

O peso inclui passageiros, bagagens, carga e combustível. Esses dados ajudam a determinar a velocidade necessária para levantar voo e a distância de pista exigida para a manobra. Por isso, não existe uma distância única que sirva como referência para todas as aeronaves. Centro de Controle de Aproximação de São Paulo, que fica em Congonhas

Divulgação/FAB

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