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'Cápsula do tempo' em gruta na Grande BH revela que aquecimento na América do Sul está 2,5 vezes mais rápido, aponta estudo

Gruta Rei do Mato, em MG Redes sociais Uma pesquisa inédita realizada na Gruta Rei do Mato, em Sete Lagoas, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, a partir de minúsculas gota de água aprisionadas em rochas há milhares de anos revelou que o aquecimento em boa parte da América do Sul está 2,5 vezes mais rápido do que a mudança natural de temperatura registrada nos últimos 20 mil anos. O estudo,

Por Redação Publicado em 14 de outubro de 2026 às 07:47 4 min de leitura

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'Cápsula do tempo' em gruta na Grande BH revela que aquecimento na América do Sul está 2,5 vezes mais rápido, aponta estudo
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Gruta Rei do Mato, em MG

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Uma pesquisa inédita realizada na Gruta Rei do Mato, em Sete Lagoas, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, a partir de minúsculas gota de água aprisionadas em rochas há milhares de anos revelou que o aquecimento em boa parte da América do Sul está 2,5 vezes mais rápido do que a mudança natural de temperatura registrada nos últimos 20 mil anos.

O estudo, que traz dados de alta precisão sobre o comportamento das temperaturas em regiões tropicais, ganhou repercussão internacional e foi publicado na "Nature", uma das revistas científicas de maior prestígio no mundo.

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As descobertas foram feitas por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), em parceria com a Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas) e com a Universidade de Bergen, na Noruega, com autorização do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

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Os principais achados da pesquisa mostram que:

O ritmo atual de aquecimento supera a fase mais acelerada de transição climática já registrada na história (a saída da era glacial para a atual);

O aumento das temperaturas na região acompanhou diretamente o crescimento das emissões de gases de efeito estufa (CO2);

A temperatura média dentro da caverna mineira saltou de 14,4ºC para 20,1ºC.

Como funciona a 'cápsula do tempo'

O valioso objeto de estudo dos cientistas foi uma estalagmite (formação rochosa que cresce do chão em direção ao teto) que estava solta na Gruta Rei do Mato.

Essas estruturas se formam quando a água da chuva cai sobre a caverna, entra em contato com o gás carbônico da cobertura da rocha e se torna ácida, dissolvendo levemente o mineral. Quando esse material entra em contato com o ar da gruta, ele se cristaliza. Durante esse processo, minúsculas gotículas de água ficam preservadas lá dentro.

Como a variação térmica da água da caverna reflete uma média das temperaturas externas anuais, cada gota funciona como um registro histórico.

"A água é aprisionada na formação do cristal. Não é uma água de hoje, foi feita há milhares de anos. O que ela pode revelar? A condição atmosférica daquela época", explica Luiz Eduardo Panisset Travassos, professor de geografia da PUC Minas.

O pesquisador também explica por que a Gruta do Rei do Mato se mostrou ideal para esta pesquisa, pelo tipo de material encontrado lá.

"A Rei do Mato é uma caverna muito ornamentada, né? Com muitas estalactites e estalagmites. E elas registram na sua matriz cristalina as condições ambientais. E a Rei do Mato possui estalagmites que são particularmente ideais para a reconstituição de temperatura. Isso tem a ver em parte com a forma dos cristais e o conteúdo do que nós chamamos de inclusões fluidas que estão lá, que é o que nós utilizamos para reconstituir", afirma Panisset.

Alerta para o futuro

Para o professor do Instituto de Geociências da USP, Nicolás Strikis, que liderou a coleta, o estudo coloca em perspectiva a gravidade do cenário atual.

"À medida que o CO2 foi aumentando, as temperaturas da região também foram aumentando. Nossa taxa atual de aquecimento supera em algumas vezes a fase mais acelerada que observamos durante a mais importante transição climática que temos registro", alerta Strikis.

Apesar dos dados preocupantes, o pesquisador aponta que há caminhos. "Nem tudo está perdido. É importante tomarmos medidas para diminuir as emissões de gases de efeito estufa e fazer a captura desses gases através de reflorestamento ou outras tecnologias. Além disso, é fundamental que a sociedade tenha políticas públicas para se preparar para as consequências", conclui. Veja os vídeos mais vistos do g1 Minas:

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