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quinta-feira, 8 de outubro de 2026
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Cidades

Coleção de Círio traz estampas criadas por 11 mestres ribeirinhos do Pará

Onze mestres abridores de letras transformaram seus traços em estampas de uma coleção criada especialmente para o Círio de Nazaré 2026. As camisas são produzidas no Canto das Letras, sede do Instituto Letras que Flutuam, no bairro da Campina, em Belém, e a renda das vendas é destinada aos próprios mestres. Entre as estampas estão palavras e expressões ligadas ao vocabulário, à cultura e a lugares

Por Redação Publicado em 8 de outubro de 2026 às 05:00 3 min de leitura

Conteúdo de G1 — ler no site de origem

Onze mestres abridores de letras transformaram seus traços em estampas de uma coleção criada especialmente para o Círio de Nazaré 2026. As camisas são produzidas no Canto das Letras, sede do Instituto Letras que Flutuam, no bairro da Campina, em Belém, e a renda das vendas é destinada aos próprios mestres.

Entre as estampas estão palavras e expressões ligadas ao vocabulário, à cultura e a lugares da região, como “Mana”, “Amazônia”, “Círio”, “Marajó”, “Ribeirinha”, “Caboco”, “Curumim”, “Açaí”, “Égua”, “Pavulagem”, “Belém” e “Nazica”.

As palavras ganham cores, formas e ornamentos característicos do trabalho dos abridores de letras, artistas responsáveis pelas pinturas que tradicionalmente identificam embarcações nos rios da região.

“O Círio é um espetáculo da cultura popular que reúne muitos sotaques: vem gente do mundo todo. E é uma celebração do povo paraense, com a cara dessa fé cabocla, com essa estética amazônica. Uma arena onde diversas manifestações da cultura regional também se encontram, como a grafia dos abridores de letras, os brinquedos de miriti, e tantas outras linguagens que derivam da tradição ribeirinha”, afirma Fernanda Martins, fundadora do Instituto Letras que Flutuam.

Dos barcos para as camisas

Os abridores de letras são mestres responsáveis por uma tradição visual presente nas embarcações amazônicas. Letras ornamentadas, combinações de cores e desenhos próprios formam uma linguagem gráfica transmitida entre gerações e presente na paisagem dos rios.

Na coleção de Círio deste ano, os 11 mestres levaram características dos próprios trabalhos para as peças. Palavras conhecidas do cotidiano paraense e referências a lugares, costumes e à própria festividade aparecem interpretadas a partir dos traços dos abridores de letras.

A comercialização das peças também é uma forma de gerar renda para os artistas e contribuir para a continuidade do ofício. A renda obtida com as vendas é destinada aos mestres ribeirinhos responsáveis pelas criações.

“São produtos que se tornam uma ótima oportunidade para valorizar a cultura tradicional em prol do próprio detentor desse saber, que são os mestres ribeirinhos. É uma maneira da gente incluí-los no mercado de moda, gerando renda e reconhecimento”, afirma Fernanda.

Criado em 2024, o Instituto Letras que Flutuam é o primeiro do país dedicado à cultura gráfica ribeirinha, com atuação voltada ao mapeamento, formação e geração de renda para esses artistas.

Além das camisas da coleção de Círio, o Canto das Letras reúne produtos desenvolvidos em parceria com mestres ribeirinhos, como agendas, cadernetas, letras, impressos e placas pintadas à mão.

Serviço

Coleção Círio 2026 – Instituto Letras que Flutuam

Canto das Letras: Travessa Rui Barbosa, 257, sala 3, Vila Prana, bairro da Campina, Belém

Horário: das 9h às 13h

Vendas: no Canto das Letras e pelo Instagram @letrasqflutuam

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