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Dia das Crianças: adultos realizam sonhos de infância com jazz e coleção de bonecas

Gilmara se inspirou nas aulas de dança da filha para realizar um sonho de infância. Foto: Arquivo pessoal Existe um tempo em que o mundo cabe em coisas pequenas: uma boneca desejada na vitrine, uma música que faz o corpo inventar passos, a vontade de experimentar algo que, às vezes, precisa ficar para depois. Alguns desses desejos se perdem com o tempo. Outros permanecem, quietinhos, à espera de u

Por Redação Publicado em 12 de outubro de 2026 às 08:09 5 min de leitura

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Dia das Crianças: adultos realizam sonhos de infância com jazz e coleção de bonecas
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Gilmara se inspirou nas aulas de dança da filha para realizar um sonho de infância.

Foto: Arquivo pessoal

Existe um tempo em que o mundo cabe em coisas pequenas: uma boneca desejada na vitrine, uma música que faz o corpo inventar passos, a vontade de experimentar algo que, às vezes, precisa ficar para depois. Alguns desses desejos se perdem com o tempo. Outros permanecem, quietinhos, à espera de uma oportunidade.

Em Juiz de Fora, a dentista Gilmara Mageste, de 55 anos, e o psicólogo Gustavo Alves, de 29, encontraram na vida adulta um jeito de voltar aos sonhos de infância. Ela começou a fazer aulas de jazz aos 40 anos. Ele passou a montar a própria coleção de Barbies assim que conseguiu o primeiro estágio.

✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Zona da Mata no WhatsApp No Dia das Crianças, celebrado na segunda-feira (12), as histórias dos dois provam que sonhos de criança podem ser realizados na vida adulta.

A realização de dançar na vida adulta

A dança já fazia parte da vida de Gilmara muito antes de ela entrar em uma sala de aula. Em Rio Pomba, na Zona da Mata mineira, ela colocava música para tocar e dançava nos intervalos dos estudos. Também participava de bailes de Carnaval, com fantasias feitas pela mãe, e chegou a desfilar em carros alegóricos de escolas de samba.

Na cidade, porém, não havia escolas de dança, e a arte não fazia parte da rotina da família. Aos 15 anos, ela se mudou para Juiz de Fora para continuar os estudos. Cursou odontologia, casou-se, teve dois filhos e construiu uma carreira de mais de 30 anos na profissão.

A dança voltou quando ela acompanhava a filha nas aulas de jazz. Por volta dos 40 anos, enquanto esperava a menina, recebeu de uma professora o convite para experimentar uma turma de iniciantes. Aceitou e descobriu uma nova forma de cuidar de si.

“Minha primeira aula foi um encontro com a arte que já fazia parte de mim, que eu precisava naquele momento de muito cansaço, sem fazer algo por mim, só em função do trabalho, da família e dos filhos”, contou.

Começar do zero trouxe inseguranças. Gilmara precisou aprender os passos, estudar e se dedicar para avançar. Com o tempo, encarou também o desafio de subir ao palco, experiência que descreve como a magia da arte.

Gilmara Mageste começou as aulas de dança, um sonho de criança, na vida adulta

Foto: Arquivo pessoal

Depois de 15 anos de dança, ela continua se aperfeiçoando em cursos de jazz, em diferentes estilos. “A dança mudou a minha vida. Ela é cura, transformação, fortalece laços sociais importantes. Eu sinto que fui privilegiada e abençoada pela oportunidade de dançar na vida adulta, mesmo que tardiamente”, afirmou.

Psicólogo começou a comprar as Barbies que desejava na infância

Gustavo sempre gostou muito de Barbies, mas não podia brincar porque a mãe achava que não era um brinquedo para meninos. Quando criança, brincava escondido com as bonecas da prima e de amigas. Sem poder ter as próprias, encontrou uma saída no papel: observava os folhetos de lojas, acompanhava os lançamentos e desenhava as bonecas e as roupas que gostaria de ter.

Na infância, Gustavo não podia brincar com bonecas. Hoje ele tem uma coleção delas.

Arquivo pessoal

“Sempre tive o pensamento de que, quando eu tivesse meu dinheiro, eu compraria minhas Barbies”, revelou.

E foi o que aconteceu. No primeiro estágio remunerado, ele começou a comprar as bonecas, que hoje somam 46 na coleção. A primeira chegou em 2020.

“Fiquei com uma sensação de dever cumprido. Era como se quem tivesse comprado aquela Barbie fosse o Gustavo criança”, contou.

Depois da primeira compra, ele fez uma lista dos modelos que queria e passou a procurar as bonecas em sites de venda, bazares e feiras. Cerca de 80% da coleção é formada por peças usadas, e ele também ganha presentes de pessoas que conhecem o hobby.

“São Barbies de primas ou amigas que brinquei escondido, que marcaram minha infância”, lembrou.

Gustavo lava os cabelos das bonecas, organiza as roupas e recupera peças usadas. Além de aproximá-lo de uma paixão antiga, a rotina funciona como um momento de descanso.

“É como se fosse uma terapia arrumar elas. É uma coisa que me relaxa”, explicou.

Na vida adulta, ele também precisou aprender a lidar com críticas ao hobby. Se, na infância, o preconceito o impedia de brincar com as bonecas, hoje ele constrói a coleção de acordo com os próprios interesses.

E o que significa colecionar essas bonecas?

“Significa olhar para o Gustavo criança e falar ‘você venceu’ e está podendo ter o que foi privado quando criança”.

Gustavo tem preferência pelas bonecas dos anos 2000

Arquivo Pessoal LEIA TAMBÉM:

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