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quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Drama aéreo vira munição eleitoral na disputa acirrada em Israel

Israel investiga esfaqueamento em voo como terrorismo O alívio pela catástrofe aérea evitada por heroicos passageiros no trajeto entre Dubai e Tel Aviv deu rapidamente lugar à briga política em Israel, na tensa campanha que o país enfrenta para as eleições do próximo dia 27. Aliados do premiê Benjamin Netanyahu correram para associar o incidente a um atentado jihadista, o que confirmaria o alerta

Por Redação Publicado em 1 de outubro de 2026 às 10:25 4 min de leitura

Conteúdo de G1 — ler no site de origem

Drama aéreo vira munição eleitoral na disputa acirrada em Israel
Publicado originalmente por [fonte]

Israel investiga esfaqueamento em voo como terrorismo

O alívio pela catástrofe aérea evitada por heroicos passageiros no trajeto entre Dubai e Tel Aviv deu rapidamente lugar à briga política em Israel, na tensa campanha que o país enfrenta para as eleições do próximo dia 27.

Aliados do premiê Benjamin Netanyahu correram para associar o incidente a um atentado jihadista, o que confirmaria o alerta que ele fizera, na véspera, sobre o plano de um ataque de inimigos antes do pleito. O atual líder da oposição, Yair Lapid, desmereceu a advertência que ouvira na noite anterior do primeiro-ministro e contestou sua ligação com a tentativa frustrada do copiloto da Flydubai de derrubar o voo.

“Nada que sequer se assemelhasse remotamente ao incidente com o avião desta manhã foi mencionado na reunião de segurança com o primeiro-ministro ontem à noite. Toda essa narrativa que os porta-vozes estão propagando agora só comprova o que já estava claro ontem: que, mais uma vez, estão tentando fazer política barata às custas da segurança de Israel. Um bando irresponsável”, afirmou Lapid. Premiê mais longevo do país, Netanyahu se encontra em dificuldades para formar um futuro governo, segundo as pesquisas de opinião, assim como seu principal oponente, Gadi Eisenkot, ex-chefe do Estado-Maior das Forças de Defesa de Israel: ambos os blocos ainda não teriam maioria para assegurar o mínimo de 61 cadeiras no Parlamento.

Netanyahu com Yaniv Hayun, passageiro da flyDubai que ajudou a subjugar copiloto que tentou derrubar avião

GPO via REUTERS

Pressionado por denúncias de que foi avisado com antecedência sobre o massacre de 7 de outubro de 2023 ao país e nada fez, o premiê está em situação mais complicada, desgastado aos olhos da opinião pública pela forma como lidou com as ameaças que culminaram no maior atentado em solo israelense. A tentativa do copiloto de derrubar o avião foi frustrada pela ação de alguns passageiros israelenses, mas, no primeiro momento, pode beneficiar Netanyahu, que recebeu, sorridente, um dos heróis no aeroporto. Desta vez, ainda que o premiê não tivesse agido diretamente para conter o incidente, os israelenses saíram vitoriosos, e ele soube tirar proveito político da situação, capitalizando a euforia do país, ao lado dos sobreviventes.

Na véspera, o primeiro-ministro exibia, da base da Força Aérea, um ar soturno para advertir, sem dar detalhes, que recebera indícios de um ataque antes das eleições. “Não se metam conosco — nem agora, nem nunca. Nosso longo braço os alcançará em qualquer lugar e a qualquer momento”, avisou. Os candidatos opositores exigiram explicações sobre as ameaças relatadas por ele, e coube ao atual líder da oposição reunir-se com o premiê. Lapid diz ter saído do encontro sem se convencer de que havia uma ameaça concreta ao país. "Não há motivo para causar pânico na população. Ameaças à segurança devem ser tratadas com profissionalismo e responsabilidade. A segurança de Israel e as bases das Forças de Defesa de Israel não são cenários para vídeos eleitorais”, afirmou.

O drama aéreo, um dia após o alerta de Netanyahu, pode ter sido uma coincidência, mas deflagrou um debate político acirrado. Seus opositores não demoraram a associá-lo ao 7 de Outubro, como fez duramente o ex-primeiro-ministro Naftali Bennett, que integra, com Lapid, a coligação Juntos.

“Eu não preciso que o governo me avise, preciso que ele me proteja.Você não é um aplicativo de alertas, você é o primeiro-ministro de Israel. Se você suspeitasse de que havia perigo de um avião explodir, o que você faria a respeito? Começaria a assumir a responsabilidade pela segurança. É exatamente como em 7 de Outubro”, resumiu.

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