Ex-presidente da ABI Paulo Jeronimo de Sousa, o Pagê, morre no Rio, 88 anos
Paulo Jeronimo de Sousa, o Pagê, tinha mais de 60 anos de carreira no jornalismo Reprodução O jornalista Paulo Jeronimo de Sousa, conhecido como Pagê, morreu na madrugada desta segunda-feira (5). Segundo a viúva, Regina, Pagê estava em tratamento de uma leucemia no Hospital Vitória, e morreu vítima de uma pneumonia. Pagê construiu uma trajetória de mais de seis décadas entre redações, assessorias
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Paulo Jeronimo de Sousa, o Pagê, tinha mais de 60 anos de carreira no jornalismo
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O jornalista Paulo Jeronimo de Sousa, conhecido como Pagê, morreu na madrugada desta segunda-feira (5). Segundo a viúva, Regina, Pagê estava em tratamento de uma leucemia no Hospital Vitória, e morreu vítima de uma pneumonia. Pagê construiu uma trajetória de mais de seis décadas entre redações, assessorias de imprensa e instituições públicas. Presidente da Associação Brasileira de Imprensa (ABI) entre 2019 e 2022, ele também teve atuação marcada pela defesa da liberdade de imprensa e de expressão.
Nascido em Mococa, no interior de São Paulo, Pagê chegou ao Rio de Janeiro na década de 1960. Em novembro de 1964, publicou no Correio da Manhã uma de suas primeiras reportagens na imprensa carioca. Agora no g1
Com a manchete “FAB metralha helicóptero da Marinha”, o texto ocupou a primeira página do jornal. Segundo perfil publicado pela ABI, a repercussão do episódio levou o então presidente Castelo Branco a demitir o ministro da Aeronáutica.
Ao longo da carreira, Pagê trabalhou em diferentes áreas do jornalismo e exerceu funções de reportagem e edição. Teve passagens por O Globo, O Jornal, Boletim Cambial, TVE e TV Tupi, no Rio, e pelo Jornal do Dia, em Belém.
Pagê também construiu uma extensa carreira na comunicação de órgãos públicos. Foi assessor nos ministérios do Interior e de Minas e Energia, no Banerj, no Banco Nacional da Habitação (BNH), na Prefeitura do Rio e no governo fluminense. No BNDES, onde trabalhou por 27 anos, Pagê participou da comunicação do Programa Nacional de Desestatização no início dos anos 1990. O trabalho foi reconhecido com premiações do setor. Antes, na década de 1970, ele também havia atuado na publicidade, à frente da agência Sistema, em São Paulo.
Na Associação Brasileira de Imprensa, ocupou diferentes funções ao longo de quase duas décadas. Foi conselheiro, diretor de Assistência Social e vice-presidente antes de chegar à presidência, em 2019. Pagê comandou a ABI até 2022 e também presidiu a Comissão de Liberdade de Imprensa e Direitos Humanos da instituição. Em entrevista ao jornal O Dia em 2022, quando ainda presidia a associação, Pagê resumiu como enxergava a missão da entidade: “A ABI foi criada para estar na linha da história e garantir a luta constante pela liberdade de imprensa na sociedade.” Medalha Tiradentes
Paulo Jeronimo de Sousa, o Pagê
Reprodução/ABI
A atuação de Pagê na defesa da liberdade de expressão foi reconhecida pela Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) com a Medalha Tiradentes, maior honraria concedida pela Casa. A homenagem foi proposta pela então deputada estadual Mônica Francisco (PSOL), que destacou sua atuação em defesa da democracia, da liberdade de imprensa e do livre exercício da profissão de jornalista. Livros
Pagê também levou para os livros as lembranças acumuladas ao longo da carreira. Em "Memórias quase tardias", revisitou sua trajetória pessoal e profissional, da infância em Mococa à presidência da ABI. Já "Napoleão nu no playground e outras histórias hilárias" reuniu casos bem-humorados que presenciou ou protagonizou ao longo da vida e carreira.
Pagê deixa viúvia, dois filhos, netos e uma bisneta. A despedida será na terça-feira (6), no Crematório São Francisco Xavier, no Caju, Zona Portuária do Rioa partir das 15h10.